Por Ascom Faperj
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| Compuseram a mesa na cerimônia de apresentação dos editais, a partir da esq., Patricia Baroni, Eliete Bouskela, Antonio Claudio da Nóbrega, Christy Ganzert Gomes Pato e Paulo Henrique Cassimiro (Fotos: Guilherme Madureira) |
Em cerimônia realizada no Palácio Guanabara na terça-feira, dia 20 de outubro, a FAPERJ anunciou o lançamento de três novos editais: Programa de Apoio a Projetos para Manutenção de Biotérios de Pesquisa NB-3 (Edital Nº 30/2026); Programa de Apoio à Infraestrutura de Biotérios em Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no RJ (Edital Nº 31/2026); e Programa de Apoio a Projetos de Pesquisa na Área de Humanidades (Edital Nº 32/2026). Compuseram a mesa, durante a solenidade, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, representando a presidente da Fundação, Caroline Alves; o secretário-executivo do Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação, Christy Ganzert Gomes Pato; a vice-presidente Sudeste da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), Patrícia Baroni; e o diretor de pós-graduação da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), Paulo Henrique Cassimiro.
Em seu discurso, Nóbrega destacou algumas ações prioritárias estabelecidas desde que assumiu a SECTI, entre elas a articulação entre secretarias, uma prioridade que vem sendo conduzida com a ajuda do subsecretário de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Maurício Guedes. De acordo com o secretário, essa articulação já produziu alguns avanços, como a criação de cursos técnicos ligados a diferentes áreas do desenvolvimento econômico, a assinatura de acordo de cooperação com a Associação Brasileira de Petróleo e Gás, empresas de transporte aéreo, do setor naval, de TI, Comunicações e com o Conselho Nacional de Justiça, para que detentos façam cursos técnicos. “Um segundo aspecto é prover o estado do Rio de Janeiro de uma estrutura orgânica e consolidada de tomada de decisão estratégica sobre CT&I na forma de seu Conselho", disse. Nóbrega considera que este é um importante legado a ser deixado por sua gestão, nesse curto período de tempo entre a transição para o próximo governo.
Ele ressaltou a importância da adequação urgente dos biotérios à legislação e exigências vigentes, um anseio antigo dos pesquisadores usuários. Em sua opinião, a situação precária dos biotérios demonstra que “não basta financiar projetos se a infraestrutura necessária à sua execução não está adequada”. Ele lembrou que a pandemia de Covid-19 deixou claro para a comunidade científica a importância da produção de conhecimento na área “bio”. Nóbrega também destacou que, apesar de muitos terem a percepção de que a área das Ciências Humanas depende de menos financiamento por não necessitar de grandes estruturas, ela também demanda recursos para seus projetos.
Há mais de 10 anos, a Fundação não lançava um edital específico para a área de Humanidades, o que deverá gerar um grande volume de submissão de projetos, visto que o Rio de Janeiro possui uma grande comunidade de pesquisadores dedicada a esta área. Intitulado Programa de Apoio a Projetos de Pesquisa na Área de Humanidades (Edital Nº 32/2026), o edital objetiva estimular o fortalecimento de linhas de pesquisa nas áreas e subáreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes, por meio do financiamento de projetos de pesquisa que contribuam para o desenvolvimento da área no estado do Rio de Janeiro, com impacto científico, cultural, econômico, ambiental e/ou social. O edital contará com duas faixas e os projetos serão pagos em parcela única. A Faixa A contempla projetos conduzidos por no mínimo quatro pesquisadores doutores, com duração máxima de 24 meses. A Faixa B contempla projetos propostos por pelo menos dois pesquisadores doutores, com duração de 24 meses.
O Programa de Apoio a Projetos para Manutenção de Biotérios de Pesquisa NB-3 (Edital Nº 30/2026) tem o objetivo de apoiar a infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas Instituições de Ensino e Pesquisa sediadas no estado do Rio de Janeiro, visando garantir a manutenção e adequação física de Biotérios Multiusuários de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) em território fluminense. Esses biotérios de alta complexidade são destinados à criação, manutenção e experimentação com animais vivos infectados por agentes patogênicos, que tenham como finalidade o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos no campo das doenças infecciosas envolvendo manipulação de células e animais infectados e Organismos Geneticamente Modificados (OGM) de classe de risco 3. Os recursos serão divididos entre as Faixa A, para biotérios com área maior ou igual a 100m², e faixa B, voltado a biotérios com área inferior a 100m². A execução de cada projeto será de até 24 meses, contados a partir da data do depósito dos recursos, em parcela única.
Já o Programa de Apoio à Infraestrutura de Biotérios em Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro (Edital Nº 31/2026) visa apoiar a melhoria e manutenção da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica, a fim de garantir a modernização, adequação e o funcionamento de biotérios que tenham como finalidade a produção, manutenção ou utilização de animais em projetos de pesquisas científicas e tecnológicas. A melhoria das instalações físicas e dos equipamentos dos biotérios animais busca atender às normas técnicas do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), além de aumentar o nível de biossegurança dos biotérios. O edital contempla duas faixas de financiamento. A Faixa A, voltada a Biotérios de Criação Multiusuários (voltados à pesquisa molhada), caracterizados por atender comprovadamente a pesquisadores de instituições diferentes daquela do coordenador da proposta, ou biotérios que atendam à experimentação animal que requer instalações NB-2; e a Faixa B, que contemplará biotérios setoriais, do tipo convencional ou NB-1, que atendam exclusivamente a pesquisadores da própria Instituição. A execução de cada projeto será de até 24 meses, contados a partir da data do depósito dos recursos.
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| A diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, e o secretário estadual de CT&I, Antonio Claudio da Nóbrega: lançamento dos 3 editais contempla apoio à infraestrutura de diferentes biotérios e às pesquisas na área de Humanidades |
“Desde que eu comecei a fazer pesquisa, os biotérios são um gargalo. Tentamos várias soluções, inclusive trazendo uma empresa estrangeira criadora de animais para o Brasil, mas não deu certo; tentamos biotérios de criação em várias universidades, também não funcionou, e, no final, acabamos tendo biotérios em praticamente cada departamento. E esses biotérios foram envelhecendo”, esclareceu Eliete Bouskela. Ela ressaltou a importância desses editais, focados em projetos multiusuários, para a adequação dos biotérios e para que eles possam atender às exigências das agências reguladoras. A diretora Científica apresentou os três editais lançados e destacou a necessidade de os proponentes darem atenção especial à adequação dos orçamentos, para que os recursos atendam o maior número de projetos. Segundo Eliete, o Programa de Apoio a Projetos para Manutenção de Biotérios de Pesquisa NB-3 é muito importante para o trabalho com patógenos e atende a uma demanda antiga dos departamentos responsáveis. “Os projetos de investimentos em infraestrutura e biossegurança de biotérios ganharam muita importância durante a pandemia, mas continuam essenciais porque precisaremos continuar trabalhando com diferentes patógenos, causadores de doenças infecciosas”, alegou. A dirigente também destacou o edital de apoio à área de Humanidades, que deverá gerar grande demanda devido ao intervalo de tempo entre este e o último lançado, pois há anos a área não vem sendo contemplada, apesar de, apontou, haver uma comunidade grande de pesquisadores no Rio de Janeiro dedicada a esta área.
Segundo o diretor de pós-graduação da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), Paulo Henrique Cassimiro, que representou o presidente da entidade, Bruno Wanderley Reis, a ABCP tem atuado, não só no que se refere à prática acadêmica, mas também de modo intensivo na tentativa de produzir a regulação e o esclarecimento quanto à atuação do cientista político fora do meio acadêmico. Por isso, acho que esses editais são fundamentais para dar continuidade às pesquisas no campo de Humanidades, em especial no Rio de Janeiro, que concentra grande número de universidades que, em sua maioria, tem departamentos de Ciência Política. “Gostaria de agradecer à FAPERJ e à SECTI pelo lançamento do edital e espero que ele produza excelentes resultados no campo das Humanidades”.
A vice-presidente Sudeste da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), Patrícia Baroni, que representou a presidente da entidade Miriam Fábia Alves, destacou a importância da FAPERJ para o desenvolvimento científico e acadêmico do estado do Rio de Janeiro. “O lançamento dos editais representa muito mais do que a abertura de oportunidades de financiamento; é a afirmação do compromisso político com a ciência, com a formação dos pesquisadores, com a produção de conhecimento e com a capacidade de nossas instituições de responder aos desafios contemporâneos da sociedade”, afirmou Patrícia, que falou de sua experiência pessoal de ter recebido apoio da Fundação desde o início de sua carreira até hoje, como Jovem Cientista do Nosso Estado. “Reconheço a relevância dessas políticas para a continuidade da produção científica, para a formação das novas gerações de pesquisadores e para o fortalecimento da universidade pública e das instituições de pesquisa”, afirmou. Patrícia informou que a ANPEd, que foi contemplada no Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no RJ, hoje congrega seis mil associados. “O conhecimento científico é um bem público e condição indispensável para o desenvolvimento social, econômico, cultural e democrático”, finalizou.
O secretário-executivo do Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação, Christy Ganzert Pato, aproveitou o evento para anunciar o lançamento do Programa de Isenção Tributária para materiais voltados à pesquisa em Ciência e Tecnologia em instituições públicas, além de ter destacado a aprovação das novas diretrizes curriculares nacionais de Ciência Política, que deverão ser homologadas em breve. “A abertura de editais novos nesse momento também é importante para o CNE, que não se limita a cuidar das diretrizes curriculares, mas também tem um papel nas questões regulatórias, inclusive sobre o Ensino Privado”, esclareceu.
Em seguida, um ato simbólico representou a assinatura e o lançamento dos novos editais. Entre os presentes na plateia, o subsecretário de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Maurício Guedes; o vice-reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Bruno Deusdará, o presidente da Fundação Cecierj, Carlos Eduardo Bielschowsky; a professora Vania Mesquita, representando a reitora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Rosana Rodrigues; a professora Alda Maria da Cruz, representando o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mario Santos Moreira; a diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)), Tania Cremonini de Araújo Jorge; o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), professor Afonso Albuquerque; e, representando a Universidade Federal Fluminense (UFF), a professora Monica Savedra, entre outros.
Confira o conteúdo completo dos editais abaixo:
Edital FAPERJ Nº 30/2026 – Programa de Apoio a Projetos para Manutenção de Biotérios de Pesquisa NB-3
Edital FAPERJ Nº 31/2026 – Programa de Apoio à Infraestrutura de Biotérios em Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro
Edital FAPERJ Nº 32/2026 – Programa de Apoio a Projetos de Pesquisa na Área de Humanidades