Cristiane Caruso
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| Paula Maia: de acordo com a idealizadora do projeto, a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha (Foto: Camila Filardi) |
Selecionado por meio do edital “PISTA: Conectando Territórios Inovadores” da FAPERJ, o projeto Rocinha UP, que transforma resíduos têxteis, tatames e kimonos de jiu-jítsu em produtos de moda sustentável, será lançado no próximo sábado, 15 de agosto, na Igreja Metodista da Rocinha, no Rio de Janeiro, marcando o início da campanha de arrecadação de kimonos em academias da capital fluminense.
Idealizadora do projeto, Paula Maia explica que a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha. A proposta é instalar toda a cadeia de produção na própria comunidade, onde costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais transformam materiais destinados ao descarte em produtos de maior valor agregado por meio da técnica do upcycling.
A sigla UP faz referência ao lema "Porque é Urgente Preservar", reforçando a necessidade de agir diante da crise ambiental e também ao conceito de upcycling, técnica que reaproveita materiais descartados para criar produtos de maior valor agregado, prolongando sua vida útil e reduzindo impactos ambientais. "O Rocinha UP mostra que aquilo que seria descartado pode voltar à sociedade com um novo significado. Mais do que produzir acessórios, o projeto gera oportunidades de trabalho, fortalece a economia criativa e prova que a Rocinha também é capaz de desenvolver soluções inovadoras para os desafios ambientais", esclarece Paula.
Durante o evento, que terá início, às 11h, serão apresentadas as cinco primeiras peças desenvolvidas pelo projeto – mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook –, todas produzidas a partir de kimonos e outros resíduos têxteis. A coleção será ampliada ao longo dos próximos meses com novos modelos, formando uma linha de dez produtos que serão comercializados por meio da plataforma digital do Rocinha UP. A programação inclui a palestra "O Lixo que Vale Ouro", ministrada pela engenheira florestal Aurora Segall; a oficina Transformação Têxtil, com Rita de Cássia; a exposição dos produtos; uma feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha; e o lançamento da campanha de financiamento coletivo, criada para ampliar as ações da iniciativa.
Segundo a diretora de Tecnologia da FAPERJ, Elaine Souza, o propósito do edital PISTA – acrônimo de Parques de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental – é fazer com que o apoio à inovação chegue aos territórios, reconheça suas potencialidades e produza impactos reais na vida das pessoas. “O Rocinha UP mostra, de forma muito concreta, o poder transformador da inovação social. Ao reunir sustentabilidade, economia criativa, geração de renda e valorização dos talentos da comunidade, o projeto cria oportunidades e fortalece a capacidade da Rocinha de desenvolver suas próprias soluções”, destaca Elaine.
De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a humanidade gera até 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos anualmente, uma conta que inclui tudo, desde alimentos até eletrônicos e têxteis. Todos os anos, 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são produzidos globalmente, segundo a The Global Fashion Agenda. Isso é o equivalente a um caminhão de lixo cheio de roupas sendo incinerado ou enviado para um aterro sanitário a cada segundo. Entre 2000 e 2015, a produção de roupas dobrou, enquanto a duração do uso de roupas diminuiu 36%, segundo a Fundação Ellen MacArthur.