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| Eliete Bouskela: diretora Científica da FAPERJ participou das discussões sobre temas estratégicos da agenda climática no seminário ISPF COP Legacy, na capital paraense (Foto: Divulgação) |
FAPERJ participa do ISPF COP Legacy em Belém
Delegação da FAPERJ participou, entre os dias 25 e 27 de março, em Belém, das atividades do ISPF COP Legacy – International Science Partnerships Fund, iniciativa promovida pelo British Council voltada ao fortalecimento do diálogo entre ciência e políticas públicas no contexto da resiliência climática. A equipe da Fundação participou de um workshop de tradução do conhecimento (knowledge translation) conduzido pela organização Easytalking, com foco em metodologias para transformar evidências científicas em subsídios práticos para a formulação de políticas públicas. A atividade reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições de fomento à pesquisa. O treinamento abordou ferramentas e estratégias para ampliar o impacto social da produção científica, especialmente em temas relacionados à adaptação climática, sustentabilidade e desenvolvimento territorial, reforçando a importância da comunicação científica acessível e orientada à tomada de decisão. A programação foi encerrada no dia 27 de março com o seminário ISPF COP Legacy – O diálogo entre Ciência e Políticas Públicas para a Resiliência Climática, que reuniu especialistas, gestores públicos e pesquisadores para discutir a integração entre conhecimento científico, saberes tradicionais e políticas públicas voltadas à adaptação climática. A atividade reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições de fomento à pesquisa. A FAPERJ esteve representada nas atividades pela diretora Científica, Eliete Bouskela, e pelas assessoras de Relações Internacionais Ana Beatriz Ramadas e Laura Soares. A participação da Fundação nas atividades também contribuiu para a troca de experiências com instituições nacionais e internacionais e para a identificação de oportunidades de cooperação em temas estratégicos relacionados à agenda climática.
Última semana de inscrições para Sessão de Pôsteres da 78ª Reunião Anual da SBPC
O prazo para inscrição com envio de trabalhos à Sessão de Pôsteres da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) da 78ª Reunião Anual termina na próxima segunda-feira, 6 de abril. Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento será realizado entre os dias 26 de julho a 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). A Sessão de Pôsteres é destinada à apresentação de pesquisas científicas e tecnológicas. Podem ser submetidos trabalhos em todas as áreas do conhecimento, por estudantes de graduação ou pós-graduação, docentes de Ensino Superior, pesquisadores e outros profissionais, estudantes e professores da Educação Básica ou Ensino Profissionalizante. Podem ser submetidos trabalhos com resultados de pesquisas científicas e tecnológicas, nas áreas de Ciências Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias; Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Linguística, Letras e Artes. Caso o limite de 1.000 trabalhos esgote, o prazo final para inscrição poderá ser antecipado. Os trabalhos submetidos pelos autores serão analisados pela Comissão de Avaliação da SBPC. Os aceitos (e com a inscrição efetivada pelo pagamento da taxa) serão programados para apresentação no formato de vídeo-pôster, pelo canal da SBPC no YouTube, e o autor poderá optar por também apresentar o pôster presencialmente na UFF, durante o evento. A Sessão de Pôsteres também incluirá a Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC), que apresentará os melhores trabalhos de iniciação científica e tecnológica, selecionados pelas instituições de origem, como universidades, centros de ensino e pesquisa, Institutos Federais, Centros Federais de Educação Tecnológica, entre outras. Os responsáveis das instituições que optarem por participar devem consultar as normas no site oficial do evento. Os trabalhos apresentados serão publicados em livro eletrônico, a partir de 17/04/2027, neste link. Mais informações sobre o processo de submissão de trabalhos no site oficial da 78ª Reunião Anual.
Rio de Janeiro e América Latina sediam a Conferência Internacional RPC 2026
Pela primeira vez, a América Latina – mais especificamente o Rio de Janeiro – vai sediar a XVIII International Conference on Resistive Plate Chambers and Related Detectors (RPC 2026). A Conferência sobre Câmaras de Placas Resistivas e de Detectores Relacionados conta com o apoio da FAPERJ e será realizada de 14 a 18 de setembro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). RPCs são detectores de partículas gasosas de resposta rápida, amplamente utilizados na física de altas energias para identificar partículas carregadas. Informações gerais estão disponíveis na página do evento. A realização no Rio oferece uma oportunidade para dar visibilidade internacional à comunidade científica local, à instrumentação desenvolvida no País e ao papel do estado do Rio de Janeiro como sede de um evento internacional dessa área. A conferência é dedicada aos detectores do tipo Resistive Plate Chambers (RPCs) e a tecnologias correlatas de detectores gasosos, com temas que incluem desempenho de detectores em experimentos de física de altas energias, produção e controle de qualidade, técnicas de instrumentação, misturas alternativas de gás e estudos de longevidade, física e simulação, além de pesquisa aplicada. Tais temas podem ser de interesse para pesquisadores, estudantes e grupos ligados à física experimental, à instrumentação científica e ao desenvolvimento de detectores no Brasil. A programação contará com palestras convidadas, apresentações orais selecionadas e sessão de pôsteres. Mais informações: info.rpc2026@uerj.br
Pesquisadores da Uerj Zona Oeste lançam documentário sobre saberes caiçaras da Ilha de Jaguanum
Uma tradição ancestral de comunidades caiçaras agora ganha visibilidade na academia e nas telas com o recém-lançado documentário Jaguanum: mares, plantas e memórias. O trabalho é fruto do projeto de pesquisa “Saberes etnobotânicos de uma comunidade tradicional da Ilha de Jaguanum, situada em área de Mata Atlântica no município de Mangaratiba (RJ)”, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologia Ambiental da Uerj Zona Oeste. A produção é resultado de uma pesquisa de Mestrado que se propôs a ir além dos artigos científicos. Com apoio da FAPERJ, a equipe liderada pela professora Cristiane Pimentel, do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde (FCBS), da Uerj-ZO, e pela bióloga e mestranda Paula Lima, passou a ouvir e filmar os moradores antigos da ilha, detentores de um saber tradicional sobre o uso medicinal de plantas. Para Cristiane, a transposição da pesquisa para a linguagem audiovisual foi uma forma de garantir que essas vozes não se percam no tempo, especialmente diante das mudanças geracionais e do êxodo dos jovens. O alvo da pesquisa foram os mais velhos da ilha, que ficaram muito felizes de contar suas histórias. Em locais de acesso mais difícil, como a Ilha de Jaguanum, onde por muitos anos não havia atendimento médico regular, as plantas medicinais sempre desempenharam papel essencial no cuidado da saúde. Ao longo do documentário, os moradores dão depoimentos sobre o poder de cura de diversas plantas e seus usos. A moradora Sueli fala das plantas usadas para os mais diversos males: capim-limão e erva-cidreira para pressão alta; pitanga, laranja-da-terra e alho contra resfriados; romã como planta-chave para diversas receitas; e hortelã-pimenta e alfavaca, que ainda hoje ela usa “até para temperar o feijão”. A coautora do projeto Paula Lima explica que o documentário busca justamente capturar essa conexão íntima entre o morador, seu território e suas tradições. Assista ao documentário aqui.
Fiocruz oferece curso online gratuito de Divulgação Científica
Levar a ciência para além de públicos acadêmicos exige repensar a divulgação científica em contextos marcados por diversidade cultural, desigualdades de acesso à informação e disputas de narrativas, priorizando diálogo, engajamento e relevância social. Com esse objetivo, o curso on-line “Ciência fora da bolha: divulgação científica para públicos ‘não tradicionais’” oferece fundamentos da divulgação científica aliados a estudos de caso, abordando temas como diversidade de públicos, linguagem, saberes locais e construção de confiança, além de estratégias práticas para diferentes contextos. O curso é uma realização de SciDev.Net e EurekAlert!/American Association for the Advancement of Science (AAAS), aberto a pesquisadores do Brasil e de países africanos que falam português. Serão palestrantes: a jornalista, professora e pesquisadora Luisa Massarani, da SciDev.Net América Latina e do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz; o jornalista e professor Luiz Felipe Fernandes, da SciDev.Net América Latina e da Universidade Federal de Goiás – UFG; e a jornalista Vanessa Fagundes (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – Fapemig). Participantes que comparecerem e concluírem um questionário receberão uma Assinatura Prata da AAAS por um ano, que inclui acesso online gratuito à família de periódicos da Science. Registros neste link. Inscrição aqui.
Congresso Brasileiro de Ciências e Tecnologias Quânticas abre chamada para submissão de trabalhos
Entre os dias 21 e 25 de setembro será realizada, em Niterói (RJ), a primeira edição do Congresso Brasileiro de Ciências e Tecnologias Quânticas (CBCTQ 2026), em formato presencial. O evento é organizado em parceria pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pelo Centro de Educação Profissional em Tecnologia da Informação, da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro (CPTI/Faeterj Petrópolis), com expectativa de reunir pesquisadores, professores, estudantes, representantes da indústria e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs). O prazo para submissão de trabalhos segue até 20 de abril e a divulgação dos resultados está prevista para até 23 de junho. Os coordenadores do congresso são o pesquisador do LNCC Renato Portugal, referência na área de Computação Quântica, e de Bruno Guingo, diretor da Faeterj Petrópolis e egresso da pós-graduação do LNCC, onde concluiu seu doutorado. O CBCTQ 2026 representa um marco para a comunidade científica brasileira ao integrar, em um único congresso, as trajetórias de dois eventos tradicionais da área: o Workshop Escola de Computação e Informação Quântica (WECIQ) e o Workshop de Computação Quântica, da Universidade Federal de Santa Catarina (WCQ-UFSC). Essa convergência reflete o crescimento e a consolidação do campo das tecnologias quânticas no País, bem como a necessidade de um espaço mais abrangente para articular pesquisa fundamental, desenvolvimento tecnológico e aplicações estratégicas. A programação científica será estruturada em quatro grandes áreas temáticas: Computação Quântica, Comunicação Quântica, Informação Quântica e Metrologia Quântica, refletindo o caráter interdisciplinar e o rápido avanço dessas áreas. Assim, o CBCTQ 2026 busca fortalecer o diálogo entre academia, setor produtivo e formuladores de políticas públicas, atuando como um catalisador para o ecossistema brasileiro de inovação em deep tech. Mais informações aqui. E-mail para contato: cbctq2026@faeterj-petropolis.edu.br
UFRJ obtém resultado inédito com reprodução sexuada de corais em laboratório
Pela primeira vez, pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiram realizar, em laboratório, a reprodução sexuada de corais da espécie Mussismilia hispida, conhecida como coral-cérebro. O feito abre caminho para estudos inéditos no País voltados à preservação da vida marinha e para desenvolver animais marinhos resistentes às mudanças climáticas. A espécie ocorre no litoral brasileiro em vários pontos do Maranhão a São Paulo e tem importante papel na construção de alguns recifes brasileiros por formarem parte da estrutura física destes ambientes. O Brasil é o único a abrigar ambientes recifais em todo o Atlântico Sul e cerca de 35% dos corais registrados são endêmicos, ou seja, só ocorrem por aqui. A pesquisa do IB coloca a UFRJ ao lado de outras universidades brasileiras que buscam encontrar ferramentas para evitar o desaparecimento dos corais, que tem uma mortalidade crescente a cada ano. O aquecimento e a acidificação do Oceano Atlântico afetam grave e diretamente a saúde dos recifes de coral, que possuem diversas funções como a segurança alimentar, são promotores de economias regionais, fonte de bioativos e protetores da zona costeira e de diversas espécies marinhas. Segundo o professor Felipe Landucci, que está à frente da reprodução assistida no Laboratório Thompson, ligado ao IB, esses corais têm uma importância econômica imensa para o país. Os corais se reproduzem tanto de forma sexuada (para gerar diversidade genética) quanto assexuada (para crescimento da colônia). Diversos fatores influenciam a reprodução, como as fases da lua e a temperatura das águas. Ao longo de um ano, os pesquisadores do Thompsom Lab em associação com a Organização Não Governamental Lagos em Ação, de Arraial do Cabo, ficaram observando qual era o momento de pico reprodutivo dos corais-cérebro no litoral carioca, que aconteceu durante o Carnaval. De acordo com Landucci, este é o início dos estudos sobre a evolução dessa espécie em ambiente artificial e, quanto mais informações houver, melhor para a preservação, pois, se essas espécies se perderem, não haverá substitutas em lugar nenhum do mundo. Leia a matéria completa aqui.
Kit de baixo custo criado na UFF permite o rastreio precoce do autismo
Em meio às ações do Abril Azul, campanha dedicada à conscientização sobre o autismo, uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal Fluminense (UFF) teve sua patente concedida. Desenvolvido por Gisele Soares Rodrigues do Nascimento, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências e Biotecnologia, e orientada pelos docentes Diana Negrão, Cristina Delou e Sérgio Crespo, o kit de baixo custo propõe identificar sinais precoces do transtorno em bebês a partir da interação com estímulos visuais e ampliar as possibilidades de triagem nos primeiros meses de vida. A proposta do kit se destaca por traduzir uma abordagem com alta complexidade técnica em uma solução operacional simples, acessível e potencialmente replicável. Em vez de depender de tecnologias de alto custo, como sistemas digitais de rastreamento ocular, o instrumento utiliza imagens estáticas e a interação direta do bebê com estímulos visuais e táteis, permitindo observar padrões de atenção e resposta a elementos sociais e não sociais. Segundo Gisele Nascimento, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento do dispositivo, o kit foi concebido para atuar em uma fase crítica do desenvolvimento infantil, entre os 4 e 18 meses de idade, período em que sinais iniciais do autismo podem ser identificados com maior impacto para intervenções futuras. O funcionamento do instrumento se apoia na integração entre percepção sensorial e comportamento e permite uma leitura mais ampla da forma como o lactente responde a estímulos do ambiente. Para a professora Diana Negrão, o principal mérito da inovação está na capacidade de simplificar um modelo teórico sofisticado sem perder a consistência científica, tornando-o aplicável à realidade brasileira. Segundo ela, essa adaptação torna o instrumento relevante em um cenário em que o acesso ao diagnóstico precoce ainda representa um desafio para muitas famílias. Nesse sentido, o kit deve ser compreendido como uma ferramenta de triagem, e não de diagnóstico clínico. Leia a matéria completa aqui.
Cientistas da Uenf descobrem nova espécie arbórea em Morro do Coco
Uma espécie nova de planta de um ambiente tão singular quanto ameaçado: uma floresta de cume de um inselberg (formação rochosa isolada que se eleva e ganha destaque na paisagem, constituída de granito e/ou gnaisse) acaba de ser descrita para a ciência. Trata-se de Rudgea bauensis Marcon & Bruniera, uma espécie arbórea de pequeno porte pertencente à família Rubiaceae, registrada na Pedra do Baú, no distrito de Morro do Coco, em Campos dos Goytacazes, norte do estado do Rio de Janeiro. A descoberta foi realizada por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), durante expedições de campo voltadas à coleta de dados para a tese de doutorado de João Mário Comper Covre, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, orientado pelo professor Marcelo Trindade Nascimento e coorientado pelo doutor Dayvid Rodrigues Couto. A espécie foi registrada e coletada em outubro de 2023, sendo posteriormente incorporada à coleção científica do herbário Huenf. A espécie foi descrita pela pesquisadora Samantha Favero Marcon, atualmente doutoranda do Programa de Pós Graduação em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente do Instituto de Pesquisas Ambientais, sob orientação da professora Carla Poleselli Bruniera, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo foi publicado na revista científica Phytotaxa. A planta foi encontrada em uma ilha de floresta de cume a cerca de 720 m de altitude, com aproximadamente 50 hectares e isolada da matriz florestal do entorno. A espécie chama atenção por suas características morfológicas únicas, como inflorescências praticamente sem pedúnculo, estípulas recobertas por apêndices espiniformes, folhas glabras com base atenuada e presença de domácias. A descoberta de Rudgea bauensis reforça a importância dos inselbergs como refúgios de biodiversidade e destaca a urgência de ações voltadas à sua conservação. Mesmo em regiões consideradas relativamente bem estudadas, novas espécies continuam sendo reveladas, muitas delas já sob risco antes mesmo de serem conhecidas pela ciência.