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Publicado em: 01/04/2026 | Atualizado em: 01/04/2026

FAPERJ destaca protagonismo da ciência na Expo Favela e amplia impacto nas periferias

Cristina Cruz e Paula Guatimosim 

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou na abertura do Expo Favela o papel estratégico do fomento ao empreendedorismo e à inovação nos territórios periféricos, citando a importância do edital PISTA (Foto: Flávia Machado)

O Museu do Amanhã sediou, de 27 a 29 de março, a Expo Favela Innovation Rio, maior evento de negócios e inovação protagonizado por empreendedores da periferia. Reafirmando o papel da ciência, tecnologia e inovação como motores de transformação social, o evento reuniu cerca de 30 mil pessoas, entre empreendedores, lideranças comunitárias, investidores, visitantes e representantes do poder público, evidenciando a potência criativa e econômica das favelas brasileiras. A FAPERJ participou ativamente da programação com um estande próprio, onde promoveu palestras, jogos de roleta com desafios e a distribuição de brindes. 

A presidente da Fundação, Caroline Alves, participou na sexta-feira, dia 27, da cerimônia de abertura. Para ela, o evento assinala o papel estratégico da ciência nos territórios periféricos. “Encerrar a Expo Favela com resultados tão concretos reforça o papel da ciência e da inovação como ferramentas reais de transformação social. Quando investimos em iniciativas como o PISTA, estamos fortalecendo talentos que já existem nas periferias e criando caminhos para geração de renda, autonomia e desenvolvimento sustentável dentro desses territórios.”

O mestre de cerimônia Marcus Vinícius Athayde, presidente global da Central Única das Favelas (Cufa) e da Favela Holding, e a produtora cultural Maria Elisa Almeida apresentaram um vídeo sobre o evento ao público, que lotou os 950 lugares do auditório principal do Museu do Amanhã. “O que te espera amanhã? Nem amanheceu e a favela já está 'no corre'. São empreendedores, criadores que transformam desafios em oportunidades. Cada um com sua história, com um propósito, com um sonho. Qual é o seu?”. Com essa introdução, o vídeo descreve o cotidiano das favelas, seu potencial criativo e empreendedor e revela o tamanho e a importância desses territórios para o País.

As favelas brasileiras somam mais de 16 milhões de brasileiros que movimentam mais de R$ 300 bilhões ao ano. Nelas, startups com soluções inovadoras, projetos de tecnologia, sustentabilidade, moda, cultura e arte geram negócios, vendas, marketing, inovação e potência. “Este lugar é onde a gente faz essa ponte, para onde a gente traz esses empreendedores, faz o network e traz investimentos”, disse Marcus Vinícius. Já o diretor-executivo da Cufa-RJ, Wellington Galdino, apostou que a quarta edição da Expo Favela, ao longo de três dias, no Museu do Amanhã, será a maior. A etapa do Rio de Janeiro é a primeira de muitas, que ocorrerão ainda em São Paulo, Salvador e fora do Brasil, como em Cabo Verde, França e este ano, pela primeira vez, em Angola.

O deputado estadual Anderson Moraes, que foi titular da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), agradeceu ao idealizador do evento, Celso Athayde, CEO da Favela Holding, e lembrou que a demanda das comunidades por formação profissional pode ser atendida por meio da Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica), que oferece 25 diferentes cursos profissionalizantes gratuitos a distância (modalidade EAD). Segundo Moraes, serão 600 vagas para um dos 25 cursos no primeiro semestre deste ano, mas, no segundo semestre, as oportunidades serão ilimitadas. “Independente do local de residência, os moradores de todo o estado do Rio de Janeiro terão oportunidade de fazer um curso profissionalizante de qualidade”, garantiu o deputado. 

Estande da FAPERJ recebeu pesquisadores, estudantes, empreendedores, investidores e gestores públicos interessados em conhecer os programas de fomento da Fundação (Foto: Patrick Viegas)  

O subsecretário da Secretaria do Consumidor (Sedcon), Rogério Pimenta, representando Gutemberg Fonseca, titular da pasta, encerrou o evento de abertura lembrando que os canais de atendimento ao consumidor pela secretaria nas favelas foram ampliados por meio dos Balcões do Consumidor nas Favelas, criados para mediar conflitos nas relações de consumo. Segundo ele, são cinco unidades localizadas em Vila Cruzeiro, Cidade de Deus, Vila Kennedy, Rio das Pedras e Madureira (na sede da Cufa). 

Ao longo da programação, startups, projetos sociais e iniciativas de impacto ocuparam os espaços do evento, promovendo conexões, rodadas de negócios e troca de experiências. Entre eles, ganharam protagonismo os empreendedores contemplados pelo edital PISTA, voltado ao fortalecimento de soluções inovadoras em territórios periféricos. O programa fomenta projetos desenvolvidos por empreendedores na Rocinha, no Alemão, na Maré, na Cidade de Deus e em Petrópolis, promovendo a incubação e a aceleração de empreendimentos cooperativos, com investimentos de R$ 21 milhões.

Da favela para o empreendedorismo científico

Um dos destaques da feira foi a empreendedora Jamilly Souza Ferrolho, que atua na Cidade de Deus e foi contemplada pelo edital PISTA. À frente da marca Chalice em Rio, ela desenvolve um projeto que alia inovação, geração de renda e impacto social dentro da própria comunidade.

A iniciativa prevê a capacitação de até 60 moradoras, que passarão por formação em empreendedorismo com foco em técnicas de venda, precificação e marketing. Além disso, as participantes também atuarão como revendedoras da marca, criando uma rede local de distribuição e fortalecendo a economia do território.

“Ser contemplada pelo PISTA mudou a forma como eu enxergo o meu negócio. Hoje, eu não penso só em crescer a marca, mas em crescer junto com a minha comunidade, levando oportunidade para outras mulheres da Cidade de Deus. A inovação também nasce na favela, e a gente está provando isso na prática”, afirmou Jamilly.

No segmento de dermocosméticos, a marca aposta em ciência aplicada ao cuidado capilar, com produtos voltados ao tratamento do couro cabeludo e do folículo capilar — unindo saúde, tecnologia e inovação. A produção é terceirizada, mas todo o conceito, formulação e posicionamento são desenvolvidos pela própria empreendedora. 

Jammilly Ferrolho: contemplada no edital PISTA, a empreendedora desenvolve uma linha de cosméticos para mulheres pretas e pardas (Foto: Paula Guatimosim)

Jamilly foi contemplada na segunda edição do Pista, quando a Cidade de Deus foi incluída no programa e teve oito projetos aprovados. Com o apoio da FAPERJ, a empreendedora pretende “ser a primeira startup de cosméticos que nasceu de um parque tecnológico dentro de uma favela, desenvolvendo produtos específicos para as necessidades das mulheres pretas e pardas”. Os recursos também permitiram a contratação de um profissional de marketing e o pedido de patente de inovação, além do lançamento de novos produtos skincare em breve. 

Ciência próxima da população

Durante o evento, a FAPERJ manteve um estande com ações voltadas à popularização da ciência e à divulgação de seus programas de fomento. O espaço atraiu grande público com atividades interativas, experiências e distribuição de brindes, aproximando visitantes de diferentes idades do universo científico de forma acessível.

A participação da Fundação também foi marcada pela construção de conexões. O estande recebeu pesquisadores, estudantes, startups, investidores e gestores públicos interessados em conhecer oportunidades de financiamento e desenvolvimento de projetos.

Mais do que apresentar editais, a presença da FAPERJ funcionou como um espaço de escuta, permitindo que empreendedores das periferias compartilhassem suas trajetórias, desafios e soluções diretamente com a instituição.

Para Caroline Alves, iniciativas como o PISTA mostram o potencial transformador da ciência nos territórios. “Investir em inovação nas periferias é reconhecer e fortalecer talentos que já existem nesses territórios. O PISTA é um instrumento para gerar oportunidades, renda e desenvolvimento com base na ciência e no empreendedorismo.”

Público formou fila para participar das atividades no estande da Fundação, que incluiu jogos, palestras com empreendedores e distribuição de livros e materiais de divulgação científica (Foto: Flávia Machado) 

A atuação da Fundação na Expo Favela reforça uma mudança de paradigma: a ciência deixa de ser vista como algo distante e passa a ocupar um lugar central no cotidiano das periferias, como ferramenta concreta de transformação social e econômica.

Feira de produtos

Além das palestras e da programação cultural intensa, a Expo Favela contou com uma feira de produtos desenvolvidos em diversas comunidades, como peças de vestuário, acessórios, bijuterias, cosméticos, alimentos e fertilizantes orgânicos. No Favela Agro, era possível encontrar diversos subprodutos do aproveitamento da casca do coco, como biocarvão, chips para paisagismo, pellets para bioenergia e fibra para hortas. Paulo Gregório, morador de Maricá, conhecido como Greg Rio, fez sucesso com suas bolsas artesanais feitas com lacres de latas de alumínio e crochê. Na Retalhos Cariocas, marca que nasceu na Barreira do Vasco, em São Cristóvão, era possível encontrar bolsas, porta óculos e bijuterias feitas com sobras de tecidos de confecções e aproveitamento de banners e garrafas PET descartadas. 

Já a Pathy Jeans, de Paciência, na Zona Oeste do Rio, reaproveita jeans para criar bolsas, mochilas e itens de decoração. Entre as delícias da culinária, a “Cozinha de mãe” oferecia deliciosas geleias, como a de maracujá com manga, na qual toda a fruta é aproveitada. A biocosmética natural foi representada pela Artemísia, projeto que capacita mulheres da periferia do Rio de Janeiro para produzir cosméticos sustentáveis. No estande, cremes, pomadas, sabonetes, xampus e condicionadores sólidos e naturais produzidos pela Associação de Mulheres Saboeiras do Estado do Rio de Janeiro. 

O Expo Favela promove um movimento nacional que conecta ideias, talentos e soluções criadas nas comunidades brasileiras com o mercado, investidores, empresas e a sociedade. É composto por etapas regionais em diferentes estados e tem sua grande final em São Paulo. A cada edição, são selecionados empreendedores, startups, artistas e criadores da favela que apresentam seus projetos em um ambiente de visibilidade, conexão e geração de oportunidades. 

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