Débora Motta e Marcos Patricio
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| Mesa de abertura do evento no Instituto Estadual do Cérebro: a partir da esq., a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; a presidente da Fundação, Caroline Alves; o neurocirurgião e diretor médico do IECPN, Paulo Niemeyer Filho; e o secretário estadual de CT&I, Anderson Moraes (Fotos: Rhay Marinho) |
Em evento realizado nesta quarta-feira, 4 de março, na sede do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IECPN), no Centro, a FAPERJ anunciou um pacote com quatro novos editais, todos em áreas estratégicas da Saúde, a serem lançados nas próximas semanas. São eles: Programa de Apoio ao Envelhecimento Saudável; Apoio à Pesquisa em Doenças Crônicas; Apoio à Pesquisa Relacionada à Obesidade; e Apoio à Pesquisa Clínica em Hospitais de Ensino e Pesquisa Sediados no Estado do Rio de Janeiro – totalizando um aporte total a ser investido de R$ 60 milhões (R$ 10 milhões para os dois primeiros e R$ 20 milhões para os subsequentes). Durante a cerimônia, também foi realizada a entrega de outorgas aos pesquisadores contemplados no inédito Programa de Apoio às Pesquisas sobre Doenças Raras, lançado pela Fundação em setembro de 2025.
A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou a importância do lançamento do pacote de editais em Saúde. “Não são editais isolados, mas um pacote integrado, pensado para dialogar com a realidade do SUS (Sistema Único de Saúde) fluminense e com a agenda de desenvolvimento do estado. Ao aprovar este pacote de editais em Saúde para 2026, a FAPERJ e o Governo do Rio de Janeiro reafirmam seu compromisso com a vida das pessoas. Estamos investindo em quem cuida, em quem pesquisa e em quem inova dentro da rede de Saúde do Estado”, disse Caroline.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, reforçou a necessidade de dar início a um novo ciclo de investimentos de apoio à área da Saúde. “Esperamos que os investimentos em Saúde por meio desses quatro editais representem menos sofrimento às famílias de pacientes com essas doenças, mais qualidade de vida e um SUS mais forte para a população fluminense. Que esses programas lançados por meio da FAPERJ e SECTI [Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação] sejam instrumentos para potencializar o que os nossos pesquisadores fluminenses fazem de melhor, que é o bem aos pacientes e às suas famílias”, refletiu.
Segundo a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, a Fundação tem ajudado muito a pesquisa na área da Saúde. “A FAPERJ vem dando uma importante contribuição para que os laboratórios das instituições continuem a funcionar. Os editais lançados hoje voltados a doenças crônicas, hospitais universitários, envelhecimento e obesidade são um exemplo disso. Está na hora de começarmos a olhar seriamente, com verbas públicas, para as Doenças Crônicas Não Transmissíveis, tentando fazer o possível para mitigar os seus efeitos. Além da obesidade, que está crescendo alarmantemente, temos o diabetes, e também a hipertensão que, no Brasil, é controlada em apenas 20% dos pacientes. O Brasil é hoje o país no mundo que envelhece mais rapidamente. É extremamente importante que as pessoas consigam envelhecer com qualidade de vida. Há muita coisa para ser feita em todas essas áreas”, afirmou Eliete.
Anfitrião do evento, o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, diretor médico do Instituto do Cérebro, ressaltou a importância da parceria do IECPN com a FAPERJ. “A FAPERJ é um orgulho carioca. Fomos beneficiados duas vezes recentemente, com a aquisição de equipamentos de ponta, que jamais poderíamos comprar se não tivéssemos o apoio da Fundação”, contou. “O Instituto do Cérebro é uma instituição de apenas 12 anos, que atende pacientes 100% oriundos do SUS, e realiza por dia cerca de dez cirurgias de alta complexidade, em torno de duas mil por ano. Manter o funcionamento dessa instituição requer investimentos contínuos e muito trabalho, para continuarmos servindo à população”, completou.
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| Ao final da cerimônia, foram entregues os termos de outorga aos pesquisadores que representaram todos os contemplados no edital Apoio às Pesquisas sobre Doenças Raras. A partir da esq., segurando os documentos da outorga, Russolina Zingali, Ralph Santos-Oliveira e Rosália Mendez-Otero |
Durante a cerimônia, a presidente do Comitê Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, a neurocientista Letícia Oliveira, fez uma apresentação sobre o Programa de Apoio às Pesquisas sobre Doenças Raras, elaborado dentro das atividades do Comitê. O edital conta com R$ 12 milhões em recursos. Foram selecionadas 39 das 128 propostas recebidas, todas de alta qualidade, e concedidos até R$ 500 mil por projeto. “Essas doenças são raras individualmente, mas, se formos olhar no conjunto, elas afetam milhares de pessoas. São doenças negligenciadas. Os pacientes têm muito pouco apoio, recursos e opções de tratamento. Então, quando a Presidência veio com essa proposta, o Comitê abraçou imediatamente a ideia e entendeu a relevância desse edital”, explicou Letícia.
Para representar todos os pesquisadores contemplados, foram entregues simbolicamente termos de outorga a três pesquisadores: Ralph Santos-Oliveira, do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN); Rosália Mendez-Otero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Russolina Zingali, também da UFRJ.
O evento contou, também, com as presenças da professora Monica Savedra, pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação da Universidade Federal Fluminense (UFF), representando o reitor, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do pró-reitor de Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), professor Ronaldo Damião; do médico e secretário-geral da Academia Nacional de Medicina (ANM), Maurício Magalhães; do médico e membro da ANM, Osvaldo Nascimento; e da professora Monica Gadelha, médica do IECPM e também membro da ANM. Também estiveram presentes pesquisadores contemplados no edital Apoio às Pesquisas sobre Doenças Raras, cientistas e representantes de diferentes instituições de pesquisa na área da Saúde.