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Publicado em: 26/02/2026 | Atualizado em: 26/02/2026

Em evento dedicado a mulheres cientistas, Tatiana Sampaio é homenageada no Palácio Guanabara

Débora Motta e Paula Guatimosim

Homenagem às mulheres cientistas no salão nobre do Palácio Guanabara: a partir da esq., o secretário estadual de C,T&I, Anderson Moraes; o paciente Bruno Freitas, ao lado da cientista homenageada, Tatiana Sampaio; e o governador Cláudio Castro (Foto: Rhay Marinho)

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da FAPERJ e da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), homenageou meninas e mulheres na ciência, nesta terça-feira, 24 de fevereiro. O destaque da cerimônia, realizada no Palácio Guanabara, foi a pesquisa desenvolvida pela cientista Tatiana Sampaio, que teve fomento da Fundação na fase inicial, abrindo novas perspectivas para o tratamento de lesões medulares.

“O Estado do Rio de Janeiro tem orgulho de investir em ciência e tecnologia e de apoiar pesquisas que transformam vidas. A trajetória da Tatiana Sampaio é um exemplo claro de como o fomento público, por meio da FAPERJ, fortalece talentos, impulsiona descobertas e projeta o nosso estado no cenário internacional”, declarou o governador Cláudio Castro. Ele ressaltou que as pastas e autarquias que detêm os maiores orçamentos no seu governo são presididas por mulheres, como é o caso da FAPERJ, por Caroline Alves.

A carioca Tatiana Sampaio ganhou projeção nacional e internacional com o desenvolvimento da polilaminina, biomolécula criada a partir de estudos conduzidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nos últimos meses, Tatiana ganhou grande visibilidade na mídia com repercussão internacional devido ao potencial de sua pesquisa para estimular a regeneração de neurônios e favorecer a reconexão neural em casos de lesões do sistema nervoso, especialmente as medulares, que acaba de ter estudo clínico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou que o nome do edital a ser lançado pela FAPERJ em março será “Jovem Cientista Mulher Dra. Tatiana Sampaio 2026”, em homenagem ao trabalho da pesquisadora. “Apoiar pesquisas desenvolvidas no nosso estado é garantir que o conhecimento produzido aqui tenha impacto global. A trajetória da Tatiana Sampaio mostra como o investimento contínuo fortalece talentos e transforma vidas. Ela representa a força feminina na ciência e inspira jovens mulheres e meninas a seguirem as carreiras científicas, sendo um modelo para todos nós, pelo seu trabalho”, afirmou. Caroline também destacou a gestão compartilhada e colaborativa da FAPERJ, voltada para a população e a sociedade.

A secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, destacou que o evento de lançamento do edital direcionado a meninas e mulheres foi um espaço onde a ciência e a política pública se encontraram, para construir oportunidades concretas de transformar trajetórias. “Nós, da Secretaria de Estado da Mulher, trabalhamos com a convicção de que a política pública precisa ser feita de forma transversal, promovendo a autonomia econômica, encorajando o enfrentamento das violências e ampliando a participação feminina nos espaços de decisão. Não há igualdade real sem acesso à ciência e não há ciência plena sem a participação das mulheres”, disse Heloisa, desejando que o novo edital seja um marco na carreira de muitas jovens pesquisadoras. “O futuro do nosso estado e do nosso país passa, necessariamente, pela liderança, pela inteligência e pela capacidade de nós mulheres. Esse processo deve ser conduzido junto com os homens, que são imprescindíveis na luta pela igualdade de gênero”, concluiu a secretária.

Presente na cerimônia, Tatiana, que é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ), falou sobre a importância dos investimentos regulares em pesquisa. “A FAPERJ foi essencial para a realização do estudo clínico, que foi o divisor de águas do meu trabalho. Foi o que me permitiu avançar uma etapa e conseguir finalmente demonstrar que a polilaminina poderia funcionar em humanos”, afirmou a cientista. “Precisamos de mais mulheres na ciência, ocupando cargos de maior representatividade, e se eu puder ser um modelo para encorajar as meninas no futuro a se tornarem cientistas, será muito bom”, completou a pesquisadora, que desde criança foi inspirada pela tia-avó cientista. “O mundo precisa de mais cientistas e de mais mulheres que representem a sociedade em instâncias decisórias”, concluiu Tatiana.

Em pé, Bruno Freitas, que fez parte do estudo com polilaminina; a presidente da FAPERJ, Caroline Alves; e Tatiana Sampaio: edital a ser lançado em março pela Fundação, que terá o nome da pesquisadora, vai destinar recursos da ordem de R$ 10 milhões para apoiar mulheres na pesquisa (Foto: Rhay Marinho)

O evento reuniu pesquisadores, estudantes e representantes de instituições de ensino e pesquisa. Um dos momentos marcantes da cerimônia foi a participação de Bruno Drummond de Freitas. O bancário de 31 anos é o primeiro paciente a recuperar os movimentos após integrar o protocolo da pesquisa. Ele recebeu a polilaminina menos de 24 horas após o acidente automobilístico que causou uma lesão cervical completa na medula espinhal, deixando-o tetraplégico, em abril de 2018.  A partir das primeiras semanas, Bruno começou a retomar movimentos voluntários nos membros inferiores, e, após anos de reabilitação, voltou a andar.

“Tenho uma gratidão eterna pela Dra. Tatiana, uma cientista incrível, de uma universidade pública. Tive oportunidade de fazer parte do seu estudo com a polilaminina, que me trouxe à condição que estou hoje. Era para eu ter ficado tetraplégico, cadeirante, e, agora, eu sou 100% independente. Estou prestando homenagem a ela hoje, mas tenho certeza que, no futuro breve, serão milhares que a estarão homenageando”, disse Bruno, cuja cirurgia foi realizada 24 horas após seu acidente, em lesão recente, quadro que se encaixava no experimento.

O edital Jovem Cientista Mulher Dra. Tatiana Sampaio, que será publicado em março, com investimento de R$ 10 milhões, irá contemplar propostas de diferentes áreas do conhecimento, com divisão entre Ciências da Vida e Humanidades, nas faixas A, para pesquisadoras com carreira mais consolidada, e com a faixa B, para pesquisadoras em início de carreira. Voltado a mulheres cientistas com vínculo em Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do estado do Rio de Janeiro, o programa financiará projetos de alto nível técnico, com apoio para bolsas e custeio. O foco é garantir a continuidade da carreira acadêmica feminina e fomentar novas linhas de pesquisa, fortalecendo a presença das mulheres na ciência.

“Estamos reafirmando o compromisso com a valorização da ciência como motor de desenvolvimento social e econômico. Queremos incentivar cada vez mais as novas gerações de meninas a ingressarem na ciência. O Rio de Janeiro tem talentos que precisam ser apoiados e celebrados”, destacou o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes.

A presidente da Comissão Permanente de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ, Letícia Oliveira, traçou um breve histórico da Comissão, criada em março de 2023 juntamente com o lançamento do primeiro edital específico para meninas e mulheres cientistas. Segundo ela, a primeira tarefa da Comissão foi a estruturação de um banco de dados sobre o perfil (raça, identidade de gênero, existência de deficiência) dos pesquisadores e pesquisadoras apoiados pela Fundação. Outra ação concreta foi o lançamento de editais de apoio específicos para meninas e mulheres – que já somam R$ 60 milhões – visando o apoio à maternidade, o combate ao estereótipo de gênero, ao assédio moral e sexual e à violência contra a mulher, às cientistas mães, e para atrair meninas do Ensino Médio para a área de Ciências Exatas.

Os dados também revelaram que as mulheres são maioria na graduação e pós-graduação, mas, à medida que a carreira avança, elas perdem lugar nas posições de destaque e liderança, com uma baixa representação nas Ciências Exatas e Tecnológicas (pouco mais de 20% dos que atuam na Inteligência Artificial são mulheres). Como exemplo, ela lembrou que apenas 12% dos postos de presidente das Fundações de Amparo à Pesquisa no Brasil são ocupados por mulheres. Letícia também falou sobre a sub-representação das mulheres negras e antecipou o lançamento do edital Raízes, já aprovado pelo Conselho Superior da FAPERJ, voltado para estudos sobre racismo, saberes ancestrais, habitação, direitos e políticas públicas para a população negra, entre outros temas, além do edital que vai levar o nome da homenageada, Tatiana Sampaio, anunciado no evento.

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