Por Ascom Faperj*
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| Acordo em mãos: (a partir da esq.) a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, e o presidente do CNRS, Antoine Petit, exibem o documento que formalizou a criação do primeiro laboratório no Rio com o apoio da agência francesa de fomento à pesquisa (Foto: George Magaraia/Uerj) |
Acordo de Cooperação Internacional entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS/França), que formaliza a criação do Laboratório Internacional de Pesquisa em Eutrofização Marinha (IRL-Marel), foi assinado nesta terça-feira, dia 27 de janeiro. A cerimônia reuniu dirigentes e pesquisadores em auditório do campus da Praia Vermelha da UFF, em Niterói. A FAPERJ, que já financia parte das pesquisas que deram base ao acordo por meio dos projetos Plumas e Mixohabs (veja mais informações abaixo), esteve representada na cerimônia pela assessora do setor de Cooperação Internacional Beatriz Ramadas. A mesa de honra do evento contou com a presença do reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega; do presidente do CNRS, Antoine Petit; do representante do Consulado Francês, Vincent Brignol; da reitora da Uerj, professora Gulnar Azevedo e Silva; e do delegado científico de Ecologia e Meio Ambiente do CNRS, Gilles Pinay.
O novo laboratório internacional consolida uma colaboração científica franco-brasileira iniciada há cerca de duas décadas, dedicada ao estudo dos impactos da eutrofização em ecossistemas marinhos tropicais. A criação do IRL-Marel responde a um desafio ambiental crescente: a rápida expansão de grandes aglomerações urbanas ao longo das zonas costeiras tropicais, frequentemente associada a baixos índices de tratamento de esgoto. Esse cenário resulta em descargas maciças de matéria orgânica e nutrientes — especialmente nitrogênio e fósforo — que alteram profundamente o funcionamento biogeoquímico e ecológico dos ambientes aquáticos, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais à sociedade. Entre os principais efeitos desse processo está o aumento da produção algal, incluindo a ocorrência de florações de algas potencialmente tóxicas.
Durante a cerimônia, a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, disse que o acordo é um marco importante para avançar em área tão necessária para o enfrentamento dos problemas ambientais decorrentes de mudanças climáticas e gerenciamento das águas. "Com certeza, a integração entre laboratórios da Uerj, UFF e CNRS propiciará a procura por financiamentos europeus para busca de soluções sustentáveis nesse campo", destacou.
O reitor da UFF destacou a relevância histórica da cooperação científica entre Brasil e França e o papel estratégico dessa parceria para a universidade. “A França é o segundo país com o qual a UFF mais mantém colaborações acadêmicas, atrás apenas de Portugal, resultado de um processo histórico construído em diversas áreas do conhecimento. A criação do Marel representa não apenas uma honra, mas também um compromisso institucional de nos dedicarmos para que esse projeto avance, não apenas pela força dos professores e estudantes envolvidos, mas também como uma prioridade da Administração Central da universidade”, afirmou Antonio Claudio da Nóbrega.
O IRL-Marel tem como objetivo estruturar e integrar pesquisas em ecologia e biogeoquímica marinha a partir de três eixos transdisciplinares: a propagação da eutrofização na interface continente-oceano, combinando campanhas oceanográficas, análise e calibração de imagens de satélite e modelagem acoplada entre hidrodinâmica e biogeoquímica; as respostas dos ecossistemas de manguezais à eutrofização, com ênfase na vulnerabilidade do carbono estocado em seus solos diante do aumento do aporte de nutrientes; e as transformações nas comunidades biológicas, incluindo as condições de surgimento de florações algais tóxicas e alterações fisiológicas ou morfológicas em organismos utilizados como bioindicadores.
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| Um colóquio introdutório ao projeto Marel foi realizado em paralelo a assinatura do acordo de cooperação, a bordo do navio oceanográfico Professor Luiz Carlos, reunindo pesquisadores do CNRS, UFF, Uerj, UniRio e INPO (Foto: Eudora Berniolles) |
Projetos já em andamento têm financiamento da FAPERJ
O laboratório é sediado nas dependências da Uerj e da UFF, e contará inicialmente com uma equipe de cinco pesquisadores, incluindo um diretor de pesquisa do CNRS em regime de expatriamento. O diretor do IRL-Marel é o pesquisador do CNRS, Gwenäel Abril, tendo como co-diretores a professora Gleyci Moser (Uerj) e o professor Marcelo Bernardes (UFF).
Com sua diversidade de lagunas, baías e estuários e uma população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, a região metropolitana do Rio de Janeiro constitui um laboratório natural estratégico para o estudo da eutrofização marinha em diferentes escalas espaciais e temporais. O IRL-Marel também prevê estudos comparativos com outras regiões tropicais, como a Guiana Francesa e o Vietnã, contribuindo para o desenvolvimento de modelos conceituais e numéricos capazes de apoiar políticas públicas e ações prioritárias de gestão ambiental em ambientes costeiros tropicais.
Coordenado pela pesquisadora Gleyci Moser, na Uerj, o projeto Mixohabs avalia a estratégia da mixotrofia em dinoflagelados [grupo de microalgas], formadores de florações na Baía de Guanabara e Sepetiba, considerando distintos regimes de luz. Já o projeto Plumas, coordenado pelo pesquisador Wilson Machado, na UFF, tem por objetivo estudar o impacto de plumas em corpos hídricos sobre a qualidade da água das baías do Rio de Janeiro. Ambos os projetos foram contemplados no programa de fomento da Fundação Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1).
Um colóquio introdutório ao projeto Marel foi realizado em paralelo à assinatura do acordo de cooperação, a bordo do navio oceanográfico Professor Luiz Carlos, reunindo pesquisadores do CNRS, UFF, Uerj, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO). O encontro focou no monitoramento de ecossistemas marinhos, poluição costeira e recursos naturais, utilizando infraestrutura de ponta, como o navio da Uerj, que possui autonomia de 15 dias.
* Com informações da da UFF