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Publicado em: 28/04/2022 | Atualizado em: 29/04/2022

Pesquisadores da Uenf colaboram na expedição 'Captain Darwin'

Por Ascom Faperj

Richard Ian Samuels: professor da Uenf faz pesquisa com as formigas cortadeiras, que despertaram o interesse de Darwin em sua passagem pelo Brasil no século XIX (Foto: Divulgação/Captain Darwin)

A viagem de cinco anos de Charles Darwin, 1831 a 1836, a bordo do navio HMS Beagle, que desde 2021 está sendo reescrita pelas lentes do cineasta francês – e agora também navegador – Victor Rault, contou com a colaboração de pesquisadores Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Na primeira quinzena de abril, depois de aportar no Rio a bordo do veleiro “Captain Darwin”, o realizador francês seguiu para Campos, onde filmou, com a ajuda do professor Richard Ian Samuels, do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia da Uenf, as formigas cortadeiras, que tanto interessou Charles Darwin em sua passagem pelo Brasil. “As formigas cortadeiras são insetos realmente fascinantes. Os comportamentos complexos e altamente organizados das operárias, para cuidar da rainha e da prole, cultivando cuidadosamente o jardim de fungo mutualístico, que é a principal fonte de alimento da colônia, é algo impressionante”, conta Samuels. “Trabalhos como o do Victor Rault são importantes para mostrar as formigas cortadeiras por uma outra perspectiva, para além de pragas agrícolas. Nesse contexto, pesquisamos no laboratório formas alternativas de controlar a população desses insetos quando afetam nossa agricultura”, acrescenta o zoólogo. “Temos muito a aprender com as formigas cortadeiras, que desenvolveram a agricultura há 50 milhões de anos atrás e até conseguem controlar infecções nas suas colônias aplicando antibióticos naturais”.

O cineasta convidou Samuels para ajudar a trilhar a expedição, já que o zoólogo possui em sua linha de pesquisa, estudos sobre o controle biológico de formigas cortadeiras. A exploração se iniciou na Reserva Biológica União (ICMBio), onde foram filmadas as colônias de formigas cortadeiras em ambiente natural e preservado. Lá, Rault pôde ver como as formigas são herbívoros dominantes. Em seguida, a expedição subiu a serra para coletar colônias de formigas em Bom Jardim, contando com a colaboração do professor Milton Erthal Jr., do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF, Campus Guarus), e da doutora Thais Berçot, da Uenf, que trabalharam, em suas teses de doutorado, novas estratégias para o controle desses insetos.

O cineasta francês Victor Rault (à esq.), idealizador da expedição 'Captain Darwin', durante sua visita a Campos, onde foi gravar documentário sobre as formigas cortadeiras (Foto: Divulgação/Captain Darwin)

As colônias foram escavadas e as formigas coletadas, juntamente com a formiga rainha e o jardim de fungos que as formigas cultivam. As colônias coletadas foram transportadas até a cidade de Campos dos Goytacazes para serem mantidas na Unidade de Mirmecologia da Uenf, onde o cineasta pôde filmar todo o processo de estabelecimento e manutenção das colônias, para que elas possam ser utilizadas nos experimentos de controle biológico. “Participar desta parte da expedição foi uma grande satisfação para toda a equipe”, diz Richard. Além do Milton e Thais, o aluno de doutorado Raymyson Queiroz e a bióloga Aline Teixeira (ambos da Uenf) participaram nessa etapa.

O cineasta francês decidiu refazer a rota da viagem de Darwin em 4 anos, passando pelos lugares mais importantes visitados pelo naturalista, explorando, com outras perspectivas, as características da paisagem e dos seres vivos que mais chamaram a sua atenção durante a viagem pelo mundo. Todos os registros da viagem irão se tornar documentários, relatando como a natureza, em toda a sua diversidade, se alterou desde a viagem de Darwin até agora e como será a perspectiva pelos próximos 200 anos. Para isso, Rault partiu de Plymouth, Inglaterra, cruzou o oceano atlântico, parando em Cabo Verde e aportou em Recife. Após, continuou a viagem passando pela Bahia, onde filmou o bicho preguiça. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, o foco central do cineasta foi fazer o documentário sobre as formigas cortadeiras.

Atualmente, a viagem segue seu percurso, em direção à bacia de Santos, onde Victor e sua equipe continuarão a trilhar os caminhos de Darwin, seguindo pela América do Sul, em direção à Oceania, à África, antes de retornar à Europa com muitas filmagens, imagens e histórias para contar, sob outra perspectiva, 200 anos após a viagem original de Darwin a bordo do HMS Beagle. Os registros das etapas da expedição estão disponíveis no canal Navegando na Esteira de Darwin, 200 Anos Depois. Desde a segunda quinzena de fevereiro, a FAPERJ conta com um canal próprio na plataforma YouTube, onde são exibidas videorreportagens sobre projetos de pesquisa que receberam fomento da Fundação para o seu desenvolvimento. Acesse o canal da FAPERJ em faperjoficial na plataforma.

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