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Publicado em: 28/08/2025 | Atualizado em: 28/08/2025

Longevidade e Saúde é o tema do 63º Congresso Científico do Hupe/Uerj

Débora Motta

Mesa de abertura do 63° Congresso Científico do Hupe: a partir da esq., Rui de Teófilo, Caroline Alves, Cláudia Mello, Gulnar Azevedo, Eliete Bouskela, Ronaldo Damião e José Augusto Messias (Foto: Flávia Machado)

O Brasil deve ter, daqui a 45 anos, cerca de 40% da sua população na faixa etária acima de 60 anos, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para discutir os impactos dessa transição demográfica na área de Saúde, decorrentes do aumento da expectativa de vida e da queda nas taxas de natalidade, o 63º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj), apresenta esta semana, até o dia 29 de agosto, uma série de atividades. Com o tema Longevidade e Saúde, o evento reúne mais de três mil participantes no campus do Hupe, em Vila Isabel, com 78 mesas-redondas, 15 conferências, 23 cursos pré-congresso, sete rodas de conversa, 551 apresentações de trabalhos, duas jornadas e a estimativa de mais de 1.700 visitantes nas seis plenárias e no espaço cultural.

O público lotou o Auditório Ney Palmeiro na tarde desta terça-feira, 26 de agosto, para a cerimônia de abertura, que reuniu diversas autoridades, acadêmicos e gestores em Saúde, e assistiu, em seguida, a aula magna do médico geriatra Alexandre Kalache, uma das maiores referências internacionais no assunto. Na mesa de abertura, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, reconheceu a relevância das políticas de fomento direcionadas às necessidades dos hospitais universitários e destacou o papel do Hupe no estado, para a assistência e a pesquisa em Saúde, incluindo a população em idade mais avançada. “Sabemos da importância dos hospitais universitários e do Hupe, aqui na Uerj, para o desenvolvimento da pesquisa, da ciência e da inovação no nosso estado. Estamos trabalhando para fortalecer políticas públicas que gerem impactos na qualidade de vida da população, que está envelhecendo”, disse.

Diretora Científica da Fundação e presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), a médica Eliete Bouskela recordou sua trajetória como professora titular da Uerj. “Por 40 anos fui professora dessa casa e agora estou aposentada. Mas como envelhecer com qualidade de vida passa pelo contato social, continuo orientando e convivendo com os alunos aqui na Uerj. Tenho muito orgulho do Hupe e da Uerj. No Brasil, diferente do Velho Mundo, somos um país jovem e as nossas instituições têm pouca tradição. O que move nossas instituições são as pessoas que estão à frente delas. E no Hupe, temos a sorte de ter pessoas que fazem com que as coisas funcionem, como o pró-reitor Ronaldo Damião e o diretor Rui de Teófilo”, citou.

O público lotou o Auditório Ney Palmeiro, no Hupe,  para a cerimônia de abertura do evento que movimenta mais de 1700 visitantes essa semana no campus Vila Isabel (Foto: Flávia Machado)   

A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, recordou o pioneirismo da universidade na assistência e na pesquisa para a longevidade. “Na década de 1970, o professor Piquet Carneiro, um grande médico humanista, começou a defender que o Brasil precisava se preocupar com as pessoas idosas. Na continuidade desse trabalho, em 1993, o professor e sanitarista Hesio Cordeiro criou a então Universidade da Terceira Idade, a Unati, que hoje se chama Núcleo do Envelhecimento Humano (Nuceh). Dirigido pelo professor Renato Veras, o Nuceh tem o objetivo de oferecer atenção integral à saúde da pessoa idosa, numa ação multiprofissional e interdisciplinar”, contou. “Agradecemos ao apoio da Secretaria de Estado de Saúde e à FAPERJ com editais de fomento para as nossas atividades. Precisamos de políticas públicas voltadas aos idosos”, completou.

O diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo, destacou que todos almejam a longevidade, porém a grande questão não deveria ser viver mais, e sim viver mais e melhor. “Esse congresso tem um tema muito relevante. O aumento da expectativa de vida da população é ótimo, e a Medicina certamente tem muito a contribuir para a melhoria da qualidade de vida na terceira idade, mas a longevidade traz desafios para a Saúde e para diversas outras áreas. Precisamos estruturar as cidades para acolher as necessidades da população em idade mais avançada e estruturar a Previdência, por exemplo. Precisamos pensar em soluções conjuntas”, pontuou. Participaram ainda da mesa de abertura a secretária estadual de Saúde, Cláudia Mello; o pró-reitor de Saúde da Uerj, Ronaldo Damião; e o presidente do 63º Congresso Científico do Hupe, José Augusto Messias.

Na aula magna “A Revolução da Longevidade: Estamos preparados?”, Alexandre Kalache compartilhou sua vasta experiência na área de envelhecimento com a plateia, formada também por acadêmicos de Medicina. Médico carioca formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e radicado em Londres, ele é gerontólogo com Doutorado em Epidemiologia pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Dirigiu por muitos anos o Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atualmente é presidente do International Longevity Centre-Brasil.

Kalache compartilhou sua experiência profissional à frente da OMS com a plateia e destacou a importância da formação médica em Gerontologia para atender ao crescente envelhecimento populacional (Foto: Débora Motta) 

Kalache ressaltou que o Brasil é um dos países que mais vão envelhecer nas próximas décadas. Segundo ele, em 2050 o País terá uma população de aproximadamente 68 milhões de sexagenários. “De 2011 até 2030, vamos dobrar o número de idosos. Mas temos relativamente poucos geriatras. Deveríamos ter 30 mil médicos geriatras para atender toda a população, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, mas só temos 2.200. Por isso, faço um apelo aos médicos mais jovens, a Geriatria é a profissão do futuro”, disse aos estudantes de Medicina presentes na plateia.

Ele explicou que, para envelhecer bem, os fatores relacionados aos bons hábitos para a saúde, como a prática diária de exercícios físicos e a alimentação, são mais determinantes do que a genética. “Por que alguns envelhecem bem e outros não? A genética é responsável por 65% do que seremos, mas o resto vem dos bons hábitos cultivados no dia a dia. O grande desafio, especialmente no caso de um país como o Brasil, é a imensa desigualdade social, que não dá a todos a mesma oportunidade de ter uma infraestrutura básica, de moradia, higiene, alimentação, renda, de educação continuada, para manter esses bons hábitos e chegar à longevidade. O envelhecimento é principalmente uma questão social, e somos uma sociedade ainda preconceituosa em relação a esse tema, que precisa se reestruturar nesse sentido civilizatório”, refletiu.

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