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Publicado em: 15/09/2022 | Atualizado em: 16/09/2022

A Independência do Brasil narrada pelo acervo do Arquivo Nacional

Paula Guatimosim

O juramento do D. Pedro I e da princesa Leopoldina à Constituição de 1824 (Foto: reprodução vídeo)

Eleger o rico acervo do Arquivo Nacional para reconstruir os 200 da Independência do Brasil foi a proposta do projeto "Independência do Brasil narrada pelos arquivos", proposto pelo arquivista, especialista em História do Brasil, mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Eliezer Pires da Silva.

Em parceria com a doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que contou com apoio do CNPq; mestre em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pesquisadora do Arquivo Nacional, Renata William Santos do Vale, Pires da Silva optou por realizar um documentário (https://www.youtube.com/watch?v=zFnfuQkUHGI) na linguagem do Cinema de Arquivo, a partir da profusão de fontes e diversidade de gêneros documentais disponíveis para acesso pelo Arquivo Nacional que abordam o tema da Independência do Brasil, no contexto comemorativo do Bicentenário (1822-2022). Para selecionar os arquivos textuais, iconográficos, audiovisuais e sonoros, em meio a 55 km de documentos textuais; 1,74 milhão de fotografias e negativos, 200 álbuns fotográficos, 15 mil diapositivos, quatro mil caricaturas e charges, 3 mil cartazes, mil cartões postais, 300 desenhos, 300 gravuras e 20 mil ilustrações, além de mapas, filmes e registros sonoros, o pesquisador elegeu as efemérides acerca do 7 de Setembro ao longo desses 200 anos. 

Há 15 anos como arquivista do Arquivo Nacional, Eliezer Pires da Silva destaca a importância da instituição, instalada em 1838 com a finalidade de preservar documentos tidos como históricos, mas previsto na Constituição de 1824, outorgada por Dom Pedro I. No filme, o pesquisador refaz a linha do tempo do Arquivo Nacional, lembrando os prédios que ocupou e os acervos de outras instituições que incorporou, mas, fundamentalmente, seu papel como modelo de instituição arquivística, que auxilia na produção de conhecimento histórico sobre o passado relacionado com a identidade nacional.

No documentário, o arquivista lembra que o Arquivo Nacional é uma instituição pública e é para ser usada. Ele também explica como é feita a organização e a preservação dos arquivos e os caminhos para o público fazer a consulta. Destaca, ainda, os protocolos adotados pela instituição para a consulta, passando pelo agendamento, a localização do documento, sua higienização, deslocamento do prédio de armazenamento do acervo até o prédio que abriga a sala de consultas, um ambiente monitorado ininterruptamente por questões de segurança. “O Arquivo Nacional caminha hoje intensamente rumo à digitalização do seu acervo, o que irá preservar ainda mais o documento, que deixará de ser manuseado, dando lugar ao suporte digital, passível de ser consultado de qualquer lugar do mundo ou do Brasil”, acrescenta Pires da Silva.

A capa do filme é um mosaico de imagens de alguns documentos

O filme tem início com belas imagens aéreas do prédio em estilo neoclássico localizado na Praça da República, no Centro do Rio, passando para tomadas internas da sala de consulta e seu mobiliário, aproximando dos pesquisadores, narradores dessa viagem no tempo. Um fragmento de documentário recuperado dos arquivos da censura reconstitui a última missa assistida por D. João VI em Portugal e a partida da esquadra composta por 13 naus em 9 de março de 1500. E é a vinda da família real portuguesa para o Brasil que marca, na opinião de Renata Vale, o início do longo processo de conquista da Independência. “Foi a primeira monarquia europeia a se mudar para uma colônia. Nenhuma antes sequer havia visitado uma de suas colônias”, ressalta a pesquisadora. É nesse momento que o Brasil vai deixando de ser colônia de Portugal, acrescenta.

Segundo a historiadora, a declaração de independência em 7 de setembro aconteceu, mesmo havendo poucos registros. No entanto, ela teve pouca repercussão na época do acontecimento. Mais relevante, na opinião da pesquisadora, foi a aclamação de Dom Pedro I, em 12 de outubro de 1822, principal data com que se lidou na época para a Independência. “O Brasil já vinha adotando uma série de medidas que apontavam para uma tentativa de independência, não como separação de Portugal, mas de busca pela autonomia”, relembra a historiadora. Segundo ela, há vários marcos que demonstram esse movimento, como em 1815, quando o Brasil é elevado a Reino Unido; e o estopim para o início do processo, em 1820, com a Revolução Liberal do Porto, que defendia a formação de uma monarquia constitucional, exigindo o retorno imediato de Dom João VI a Portugal.

Eliezer Pires da Silva e Renata Vale: parceria na produção de documentário A Independência do Brasil Narrada Pelos Arquivos

Os pesquisadores preferem tratar a Independência como um processo longo e contínuo, ao longo de 1822 a 1825, não pacífico, marcado por guerras entre a Corte e as províncias resistentes. As correspondências entre os políticos da época, mostradas no filme, revelam bem o clima de insatisfação de algumas províncias, como a do Maranhão, por ocasião da chegada da esquadra do Almirante Lord Cochrane, em 1823; e da Bahia, em ofício informando a escassez de víveres e munições para a defesa da cidade de Salvador pelos portugueses. Do ponto de vista diplomático, os pesquisadores consideram que o processo de independência só teve fim em 1825, quando Portugal finalmente reconhece a independência do Brasil.

Dentre os demais documentos que pontuam os 200 anos da Independência, está a capa da Constituição Política do Império do Brasil, em 1824; e um documento ricamente ilustrado em cores do juramento do D. Pedro I e da princesa Leopoldina à Constituição de 1824. Ao longo da narrativa dos pesquisadores, a trilha sonora e as imagens vão sendo escolhidas para contextualizar a época. São reproduzidas músicas, convites, catálogos e cartazes (inclusive em francês e inglês) da Exposição em comemoração ao Centenário da Independência do País, entre setembro e dezembro de 1922; e arquivos de áudio da Rádio Roquete Pinto, que em 1972 completava 50 anos.

Campanhas nacionalistas de mobilização da sociedade para as comemorações do 7 de setembro durante o regime militar também são lembradas, como na reprodução do hino da Independência e de músicas compostas para campanhas de mobilização popular, até um anúncio ensinando o passo a passo da confecção de cata-vento verde amarelo para ser exibido nas ruas durante as comemorações, entre outras. Imagens de filmes sobre o Carnaval (de 1963 e 1969) também ajudam na reconstituição, assim como um filme sobre o primeiro voo de Santos Dumont, em 23 de outubro de 1906.

O professor do Centro de Ciências Humanas e Sociais da UniRio foi contemplado em Edital de Apoio à Editoração Bicentenário da Independência e Centenário da Semana de Arte Moderna, da FAPERJ, para produzir e disponibilizar o documentário, de conteúdo pedagogicamente relevante, inicialmente no canal do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UniRio no Youtube e, após as eleições, às Secretarias de Educação, no canal do Arquivo Nacional e no ‘Arquivo em Cartaz’, mostra de cinema criada pelo Arquivo Nacional em 2002 com o intuito de promover a conscientização sobre a preservação de acervos audiovisuais.

Publicação Digital reúne resumo dos projetos contemplados

A realização de pesquisas, eventos e publicações que resultaram dos projetos submetidos aos editais lançados pela FAPERJ no âmbito da temática dos 200 anos da Independência do Brasil e do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 resultou na produção de uma publicação digital. Ela aborda projetos contemplados nos programas Apoio a Projetos no Âmbito do Bicentenário da Independência do Brasil (em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional – FBN),  Apoio à Organização de Eventos Comemorativos do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna e Apoio à Editoração e ao Audiovisual Comemorativo do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna. Confira abaixo a publicação em arquivo PDF, pelo link ou pelo QR Code: 

https://www.faperj.br/rp/downloads/livro-Bicentenario.pdf

 

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