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Publicado em: 09/06/2022 | Atualizado em: 09/06/2022

Exposição virtual apresenta fotos sobre trabalho e trabalhadores selecionadas em acervos de 10 estados

Paula Guatimosim

Greves por melhores condições de trabalho e salário, como a dos professores, em 1970, mereceram 4 painéis da exposição (Foto: João Ripper/1970)


O projeto original foi concebido para o “Programa Memória do Trabalho”, lançado em 2006 pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil  da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), com apoio institucional do Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo da mostra itinerante, que agregava debates e concursos de projetos acerca do tema, foi comemorar os 120 anos da instituição do 1º de Maio, completados em 2005. O ‘Dia do Trabalho’ é comemorado nesta data em homenagem ao esforço dos trabalhadores dos Estados Unidos, que, num sábado, 1º de maio de 1886, foram às ruas das maiores cidades do país para pedir – e conseguiram - a redução da carga horária de trabalho.Uma expressiva amostra do percurso de trabalhadores no País pode ser vista na exposição virtual "Trabalho e Trabalhadores no Brasil". Fruto do trabalho de pesquisadores que exploraram acervos fotográficos em 10 estados brasileiros, a exposição, organizada em 2006 para celebrar o 1º de Maio, agora está disponível na web em http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. A iniciativa é do Centro de Documentação e Imagem (Cedim) do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que contou com apoio da FAPERJ, por meio do edital Educação Digital Inclusiva, e do CNPq, através do Edital Universal.

A exposição tem curadoria do professor do Departamento de História do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, Alexandre Fortes; do professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ), Paulo Fontes; e da criadora e ex-coordenadora do Laboratório de Estudos Audiovisuais do CPDOC/FGV, Mônica Kornis. Hospedada em servidor próprio na plataforma Omeka, a exposição digital é composta por 145 fotos organizadas em 38 painéis e dividida em três blocos temáticos: Construindo um País, Mundos do Trabalho e Trabalho e Cidadania. Documentos históricos, obras literárias, citações, vídeos e dicas de como trabalhar os temas em sala de aula complementam e contextualizam as imagens ao longo do tempo.

O telemarketing, que no Brasil passou a ter maior expressão na década de 1980, é uma das atividades que integra a mostra de fotografia (Foto: Delfim Martins/1997)

A plataforma Omeka, utilizada para gerar a exposição virtual, é um software livre e de código aberto, bastante adequado para gerenciamento de conteúdo de coleções digitais. Suas características permitem várias funcionalidades, com desdobramentos dos temas e plug-ins. Ao clicar em cada foto, o visitante da exposição tem acesso à ficha de metadados, com informações sobre autoria, data, local, acervo de origem, etc. Há, também, uma ferramenta de interatividade que possibilita ao o visitante colaborar enviando uma foto (http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho/page/participe).  No bloco temático ‘Construindo um País’, por exemplo, no painel com tema ‘Massa‘, uma icônica fotografia do ‘formigueiro’ de garimpeiros em Serra Pelada, no Pará, é acompanhada de poema de Carlos Drummond de Andrade (Elegia 1938), declamado por Caetano Veloso (https://youtu.be/AqNjbqQwOzE). No mesmo bloco, no painel ‘Concentração’, abaixo da foto de Paulo Reis (1969), na qual aparece uma professora em sala de aula, vem o passo a passo de ‘como abordar o trabalho de profissionais de saúde nas pandemias em sala de aula’. Já em ‘Mundos do Trabalho’, no painel ‘Cultura’, para complementar as fotos dos times de futebol nascidos nos sindicatos, da colônia de férias e do carnaval dos metalúrgicos de Porto Alegre, há um link para um documentário sobre o time de futebol Renner, nascido em uma fábrica em Porto Alegre. Além disso, apresenta o depoimento de um ex-sindicalista metalúrgico, disponibiliza cinco livros sobre trabalhadores e futebol e dá dicas de como trabalhar a relação da classe trabalhadora com o futebol em sala de aula. No tema ‘Trabalho e Cidadania’, quatro painéis são dedicados às greves, como a dos bancários do Rio de Janeiro em 1935. Neste bloco, acompanha link para documentário sobre a greve geral de 1927, além de depoimento do metalúrgico Sérgio Piveta, em 12 de maio de 1978: “Eu tive medo, mas tava lá duro e firme, no pé da máquina, com os braços cruzados.”

Alexandre Fortes reflete sobre o atual momento do País, “de retrocesso político e cultural” e destaca o importante papel da divulgação científica e acadêmica na disputa de espaço na mídia, especialmente nesse ano de eleições. “As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores. De lá para cá, as manifestações vêm se limitando a categorias específicas, como os garis, que fizeram uma recente paralização no Rio de Janeiro, e as novas categorias no setor de logística, como a de entregadores de alimentos e encomendas em geral”, ressalta o historiador.

As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores, lembra Alexandre Fortes

A exposição digital está vinculada também ao Mestrado Interdisciplinar em Humanidades Digitais, criado no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu, em 2018. Formado por uma equipe de pesquisadores com formação disciplinar diversificada em Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Ciência da Computação, esse programa de pós-graduação se dedica a explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital por meio da integração das áreas Humanas e Computação. O objetivo do grupo é justamente investigar o impacto das tecnologias computacionais sobre a sociedade e contribuir para o desenvolvimento de novas plataformas.

“Com o apoio de agências como FAPERJ, CNPq e Finep, e financiamentos internacionais - como o que conseguimos recentemente da Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA)-, fomos construindo uma estrutura computacional para desenvolver soluções frente aos desafios que essa era digital coloca para o ensino, pesquisa e extensão nas ciências humanas”, explica Alexandre Fortes. Segundo ele, um dos exemplos é a Educação Digital Inclusiva, que ficou ainda mais evidente durante o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, quando foi necessária a produção de novos recursos para atender aos estudantes. “Estamos desenvolvendo tecnologias e conhecimento de qualidade, considerando que hoje as pessoas se informam principalmente pelo celular, onde imperam as fake news”, esclarece o pesquisador. Em sua opinião, o grande desafio é, diante do controle que as grandes corporações exercem sobre as redes sociais, educar cidadãos para lidar com o ambiente virtual sem serem manipulados. “Precisamos capacitar alunos para que eles tenham uma atitude proativa, crítica e multidisciplinar”, assinala Fortes.

A exposição "Trabalho e Trabalhadores no Brasil" pode ser acessada no endereço: http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. Para explorar todo o conteúdo há um vídeo tutorial em: https://www.youtube.com/watch?v=-qGa3XEwQAE.

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