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Publicado em: 27/08/2026 | Atualizado em: 27/08/2026

64º Congresso Científico do Hupe discute os impactos da Inteligência Artificial na Saúde

Débora Motta

Mesa de abertura do 64º Congresso Científico do Hupe: a partir da esq., o diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo; a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo; o secretário estadual da Saúde, Ronaldo Damião; o diretor do Centro Biomédico da Uerj, Mário Fritsch; e a presidente do Congresso, Luciana Rodrigues (Fotos: Débora Motta)

Os avanços e desafios trazidos pelo uso da Inteligência Artificial na área da Saúde estiveram no centro dos debates no 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com o tema “Saúde 5.0 – Conectando tecnologia e humanização”, o congresso, realizado com apoio da FAPERJ, teve início nesta segunda-feira, 24 de agosto, e segue até esta sexta, dia 28. A expectativa é que cerca de duas mil pessoas circulem pelo campus do Hupe, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, entre médicos, profissionais da Saúde e estudantes.

O oncologista e professor da Faculdade de Medicina de São Paulo (USP) Paulo Hoff ministrou, nesta terça, 25 de agosto, a aula magna “Desafios no desenvolvimento e incorporação da Inteligência Artificial na Saúde”, para uma plateia que lotou o Anfiteatro Ney Palmeiro. A mesa de abertura contou com a presença da diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, que é médica e professora emérita da Uerj, e representou a presidente da Fundação, Caroline Alves. Também participaram da mesa o diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo; o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo; o diretor do Centro Biomédico da Uerj, Mário Fritsch; e a presidente do 64º Congresso Científico do Hupe, Luciana Rodrigues.

No mesmo dia, houve o anúncio da inauguração de duas novas alas no Hupe, na Oncologia e Nefrologia, que também receberão equipamentos de ponta, adquiridos com apoio da FAPERJ, inclusive por meio do edital Programa de Apoio à Infraestrutura de Unidades Universitárias de Saúde Hospitalar e Ambulatorial Vinculadas à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). O anúncio foi realizado com a presença do governador em exercício do estado, o desembargador Ricardo Couto.

Ampliação das instalações no Hupe e chegada de equipamentos de ponta

O oncologista e professor da Faculdade de Medicina da USP Paulo Hoff apresentou, em sua aula magna, um histórico da evolução dos tratamentos oncológicos e refletiu sobre os impactos do uso das ferramentas de Inteligência Artificial na Medicina, para o diagnóstico, atendimento clínico e até cirurgias  

Na Oncologia, o Centro Universitário de Controle do Câncer (CUCC/Uerj) vai ganhar um novo andar, com equipamentos de ponta voltados para a Medicina nuclear e quimioterapia. A unidade recebeu um PET-CT (PET Scan), o primeiro equipamento desse porte na rede estadual. Com ele, será possível realizar exames de imagem de alta resolução para localizar o tumor cancerígeno no corpo e avaliar sua extensão. Outra aquisição foi o SPECT (Tomografia por Emissão de Fóton Único), que será utilizado para exames de cintilografia de corpo inteiro, ou para avaliar os detalhes do funcionamento de órgãos específicos. Esses equipamentos são inéditos na rede estadual fluminense, colocando o estado na vanguarda do atendimento médico de alta complexidade. O espaço de quimioterapia passará de oito para 15 poltronas e a área assistencial do setor também foi ampliada, de 120 m² para 450 m².

Já no Núcleo de Assistência, Treinamento e Pesquisa em Nefrologia e Transplantes (Nant/Uerj), a nova estrutura vai triplicar o total de transplantes renais na unidade, aumentando de 50 para 150 procedimentos por ano. No local, pacientes adultos e crianças com doenças renais terão à disposição todo o atendimento, centralizado em um mesmo espaço, desde o diagnóstico inicial. 

Hoje, são realizados no Hupe transplantes de córnea, rim, coração, fígado e medula. Até o próximo ano, a meta é que a equipe médica passe a realizar também transplantes de pâncreas e, futuramente, de pulmão.

Mesa de abertura e aula magna

Como incorporar a Inteligência Artificial e outras inovações tecnológicas na área da Saúde, sem perder de vista o atendimento humanizado ao paciente? Essa foi a questão que permeou os debates na mesa de abertura e na aula magna de Paulo Hoff.

Em sua 64ª edição, congresso reúne acadêmicos, expoentes da Medicina e autoridades para refletir sobre a importância do atendimento humanizado e do conceito de Medicina 5.0 diante do advento da Inteligência Artificial 

A presidente do 64º Congresso Científico do Hupe, Luciana Rodrigues, destacou a importância da escolha do tema "Saúde 5.0", fase da Medicina que une a alta tecnologia digital ao cuidado humanizado, colocando o paciente no centro das decisões, e que norteia o atendimento no hospital da Uerj. “É preciso incorporar o uso das inovações tecnológicas em Saúde a serviço das pessoas, para chegar mais próximo de quem precisa, sem perder a humanidade. Esse congresso é um espaço de construção coletiva do conhecimento e apropriado para esse debate sobre o cuidado ao paciente, a formação profissional e o atendimento em Saúde”, disse.

O diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo, completou: “No SUS (Sistema Único de Saúde), temos o desafio de incorporar o uso dessas tecnologias inovadoras da melhor forma possível, mesmo lidando muitas vezes com limitações orçamentárias.”

Na aula magna, Paulo Hoff, um dos principais expoentes da Oncologia brasileira, apresentou um painel histórico da evolução dos tratamentos oncológicos e os impactos do advento das ferramentas de Inteligência Artificial para a área. “A Inteligência Artificial é uma realidade. A pergunta não é se teremos IA, mas se podemos confiar nela e qual seu melhor uso na área médica. Na Oncologia, a IA vai impactar o cuidado médico, desde o fornecimento de dados de apoio ao diagnóstico, passando pela decisão clínica, até o tratamento”, disse. Ele citou como avanços tecnológicos exames de imagem mais precisos e a probabilidade de antever doenças e problemas futuros no paciente por meio da análise genômica, com dados obtidos com auxílio da IA.

Hoff ressaltou que as inovações tecnológicas que virão na Medicina devem sempre se pautar por princípios éticos. “As oportunidades que a IA vai trazer, com imagens médicas e sistemas tecnológicos robotizados, devem servir como um apoio e não podem substituir o trabalho do profissional médico, e sim trazer oportunidades reais para um melhor atendimento na Medicina. A grande pergunta é se esse modelo inovador vai se traduzir, de fato, em um melhor cuidado para o paciente, mais humanizado e personalizado”, concluiu.

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