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Publicado em: 31/07/2026 | Atualizado em: 31/07/2026

FAPERJ promove série de palestras em seu estande na ExpoT&C

Marcos Patricio e Paula Guatimosim

A FAPERJ promoveu uma série de palestras em seu estande na tenda ExpoT&C, um dos espaços mais visitados da SBPC. Pesquisadores foram convidados a apresentar projetos, apoiados pela Fundação, sobre diferentes temas (Foto: Flávia Machado/FAPERJ)  

Apresentações sobre temas como diferentes aplicações da nanotecnologia, produção de alimentos alternativos, poluição por microplásticos e novos tratamentos de saúde. Esses foram alguns dos assuntos abordados na sessão de palestras promovida pela FAPERJ em seu estande na tenda ExpoT&C, um dos espaços mais visitados da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que permanece aberto até este sábado, 1º de agosto, no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tradicional ambiente de divulgação científica, a ExpoT&C reuniu estandes de agências de fomento, das instituições vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), de centros de pesquisa e de universidades de todo o Brasil. Foram realizadas cerca de 30 apresentações ao longo da semana. 

Na segunda-feira, dia 27 de julho, o pesquisador Carlos Adam Conte Junior, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ, deu início às palestras no estande da Fundação. Conte Jr., que integra a Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, falou sobre o uso da nanotecnologia na ciência de alimentos. O objetivo dos estudos, realizados em parcerias nacionais e internacionais, é aumentar a vida útil (validade comercial) dos alimentos a partir de compostos naturais. Segundo ele, a equipe multidisciplinar atua nas áreas de biotecnologia e microbiologia; química e alimentos funcionais e tecnologia de alimentos. Uma das linhas de pesquisa estuda compostos ativos e óleos essenciais para estabilizar e reduzir a carga bacteriana em alimentos. Outra frente estuda o uso da nanotecnologia em embalagens ativas (biomateriais), ou seja, capazes de aumentar a vida útil dos alimentos acondicionados.

O pesquisador explicou que seu grupo de pesquisa busca, agora, a extração de compostos bioativos dos óleos essenciais e a avaliação da toxicidade das nanopartículas. Conte Jr. deu o exemplo de uma embalagem desenvolvida a partir de um resíduo obtido do coco babaçu (mesocarpo), que resultou em um filme ativo, cuja patente já foi depositada. Outra frente avalia a polpa de açaí e a quintosana como antioxidantes capazes de detectarem o PH do alimento embalado a partir de um “semáforo”, ou seja, uma escala de cores que identificam do PH mais ácido ao mais alcalino. A gelatina extraída do colágeno do peixe tambaqui também se mostrou promissora para a produção de membranas e biofilmes flexíveis, transparentes e resistentes.

Na sequência, o pesquisador Jemil Andrade falou sobre sua pesquisa com “assinaturas espectrais e quimiometria na garantia da integridade alimentar” para minimizar as pressões e os riscos ao longo da cadeia produtiva. Segundo ele, ao longo do processo, que envolve desde a produção, processamento, distribuição e consumo, muitas varáveis podem aumentar os riscos de contaminação, de adulteração, a variabilidade natural e a rastreabilidade dos produtos. As pesquisas podem se valer de métodos avançados confirmatórios ou métodos rápidos. Ele explicou que cada alimento possui um padrão espectral característico, como se fosse uma impressão digital. “Quimiometria são métodos matemáticos para que a máquina possa resolver problemas”, resumiu o pesquisador. A tecnologia é utilizada, por exemplo, na autenticação de alimentos orgânicos, via utilização de um espectrômetro portátil (ou NIR portátil); e na rastreabilidade do mel de Ortigueira (PR), cuja florada predominante de capixingui lhe confere sabor único e lhe rendeu certificação de origem.

A nutricionista Luana Lopes, do Instituto de Biologia da Uerj, falou sobre disfunções no metabolismo infantil durante a sessão de palestras promovida pela FAPERJ em seu estande na ExpoT&C (Foto: Guilherme Madureira/FAPERJ)

Já o médico veterinário Pedro Panzenhagen desenvolve pesquisas nas áreas de higiene, inspeção sanitária e tecnologia de produtos de origem animal, além de tecnologia de alimentos, com ênfase no controle microbiológico. Ele apresentou um resumo de sua pesquisa “Microbiologia molecular genética e bioinformática de bactérias”.  Duas vezes contemplado no programa de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, atualmente é professor do Laboratório de Controle Microbiológico do Instituto de Química da UFRJ. Seus esforços se concentram no estudo de bactérias patogênicas, entre elas a Salmonella enterica (sorotipo Mbandaka no Brasil), patógeno emergente, com crescente relevância global e nacional, especialmente na cadeia de produção avícola.

A Salmonella enterica continua sendo um dos patógenos mais prevalentes mundialmente associados a doenças alimentares no mundo. A infecção é adquirida principalmente a partir da ingestão de produtos de origem animal contaminados. Salmonella Mbandaka tem demonstrado uma multirresistência a antibióticos e alta virulência, representando um risco iminente à saúde pública. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Salmonella Mbandaka está entre os sorotipos mais frequentemente detectados em carcaças de frango congeladas no País. Com mestrado e doutorado em Medicina Veterinária pela UFF, universidade parceira nas pesquisas, e doutorado em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pedro estuda a invasão, a replicação e sobrevivência à resposta imune, e realiza análises de genômica comparativa do quarto genoma de salmonela, avaliando suas resistências em diversas fontes de isolamento (humano, animal, alimentos e ambiente). Ele ressaltou a importância da sua equipe, que inclui três orientandas e uma pós-doutoranda Nota 10 da FAPERJ.

Na terça-feira, 28 de julho, o segundo dia de palestras foi aberto pela nutricionista e professora Patrícia Lisboa, uma das coordenadoras do Laboratório de Fisiologia Endócrina (LFE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Patrícia apresentou o tema “Como os disruptores endócrinos nos primeiros mil dias reduzem a expectativa de vida”.  Em seguida, a professora Luana Lopes de Souza, do Instituto de Biologia da Uerj, proferiu a palestra “Dieta materna no período perinatal e disfunções endócrino-metabólicas na prole”. Na sequência, foi a vez da pesquisadora Simone Nunes, do Laboratório de Pesquisa em Células-Tronco (LPCT) da Uerj, falar sobre “Plataforma de Nanobiocurativos e Engenharia Tecidual Cutânea”.

Ainda na terça-feira, a Professora Maria Cristina Canela, Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) apresentou a palestra “Do visível ao invisível – A contaminação por plásticos e PFAs no Norte Fluminense”, sobre as atividades do Projeto ECOS. Concluindo o segundo dia de palestras, o professor do IME/Uerj Evandro Luiz Cardoso Macedo, coordenador de Relações Institucionais da Rede-Rio/FAPERJ, fez a palestra “Conectividade para o progresso da ciência”, uma apresentação institucional sobre a Rede-Rio.

Na quarta-feira, a programação contou com as palestras da diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; do professor emérito da UFF, Vitor Ferreira; e do vice-coordenador da Rede Nano Saúde, Ralph Santos-Oliveira, do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), entre outras.

Gutemberg Alves, professor do Instituto de Biologia da UFF, fez um panorama das atividades da Rede Nano Saúde apoiada pela FAPERJ. Atualmente, a Rede reúne 54 pesquisadores de diferentes instituições (Foto: Flávia Machado/FAPERJ)

A professora Eliete Bouskela proferiu a palestra “Financiamento da pesquisa na área da Saúde”. Diretora Científica da FAPERJ, ela falou sobre uma série de assuntos, como mecanismos de financiamento, a necessidade de contratação de professores para as universidades, e a necessidade de novas fontes de investimento na área de pesquisa. “Ainda há uma grande carência de investimentos privados na área de pesquisa”, afirmou Eliete.

O professor Gutemberg Alves, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), deu uma panorâmica acerca da Rede Nano Saúde criada pela FAPERJ em 2019. Ele explicou que a nanoteconologia trabalha com produtos de 100 nanômetros, e, quando a escala de tamanho muda, a maneira de o produto interagir com o mundo também pode mudar, daí a necessidade de se testar a segurança dos produtos. Segundo Gutemberg Alves, a nanotecnologia, cujo mercado movimentou US$ 190 bilhões em 2023 e US$ 410 bilhões em 2020, é capaz de transformar propriedades em ferramentas. Ele explica que a rede criada pela FAPERJ agregou pesquisadores isolados, infraestruturas, recursos e consolidou a interdisciplinalidade.

Atualmente, a rede é composta de 34 laboratórios, quatro hospitais e 54 pesquisadores de nove diferentes instituições. As pesquisas resultaram em 629 artigos, 33 patentes e 16 startups associadas. Os trabalhos se desenvolvem a partir de temáticas de nanossistemas híbridos e biológicos, óxidos cerâmicos, polímeros, metais, óxidos magnéticos e grafeno. Nada menos que 40 tecnologias, 33 produtos e sete protocolos foram desenvolvidos, entre eles, nanofármacos para tratamento de tumores e doenças infecciosas e inflamatórias; marcadores para diagnósticos; soluções ambientais e bioengenharia, esta última especialmente para o desenvolvimento de enxertos ósseos. “Com o apoio da FAPERJ, o Rio de Janeiro deixa de ser consumidor para se tornar produtor de nanotecnologia e nanomedicina”, concluiu.

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