Débora Motta e Marcos Patricio
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| Estande da FAPERJ na ExpoT&C: espaço foi ponto de encontro da comunidade científica e tecnológica durante a realização da 78ª Reunião Anual da SBPC, com apresentações e palestras de pesquisadores contemplados em editais e programas de fomento da Fundação (Foto: Flávia Machado) |
Reafirmando o papel da ciência para a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e a inclusão social, a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) espera receber, até este sábado, dia 1º de agosto, a visita de cerca de 50 mil pessoas ao campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Gragoatá, em Niterói. Considerada o maior encontro científico da América Latina, a Reunião teve sessão solene de abertura no domingo, 26 de julho, no auditório da antiga Estação Cantareira (Distrito de Inovação), e segue com uma intensa programação com mais de 220 atividades – entre conferências, mesas-redondas, sessões de pôsteres, atividades culturais e minicursos, destinadas a estudantes, professores, pesquisadores e profissionais. A FAPERJ participa da ExpoT&C com um estande próprio, onde os visitantes podem ter acesso a materiais didáticos e livros publicados por meio do edital Apoio à Editoração, e assistir a vídeos institucionais. Em paralelo à Reunião, foi realizada a 72ª edição do Fórum Nacional CONFAP, o Conselho Nacional que congrega as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) do País, para discutir as diretrizes do fomento à pesquisa nos estados.
Na abertura, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou que a Reunião congrega todos aqueles que acreditam na importância do conhecimento como o maior recurso estratégico de uma nação. “As disputas globais hoje passam pelo domínio da ciência e das tecnologias. Precisamos superar nossa dependência tecnológica e ampliar nossa capacidade de inovar. Esse encontro é uma oportunidade para se pensar em temas como agricultura familiar, tecnologias assistidas, inteligência artificial aplicada aos serviços públicos, prevenção de desastres climáticos, preservação da Amazônia e dos nossos biomas. A ciência melhora a vida das pessoas e é um instrumento de liberdade”, refletiu a ministra, a primeira mulher a ocupar a pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação no País.
O reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, falou sobre a contribuição da própria instituição que dirige para a construção do perfil de uma universidade genuinamente brasileira, que associa a capacidade de produzir conhecimento de alto valor científico com inclusão social. Anfitrião do evento, Nóbrega destacou o aspecto da inclusão, um dos temas da reunião deste ano. “A inclusão não é um favor. Ela é um processo de enriquecimento da capacidade de produzir conhecimento e soluções. Ao incluir todos e todas, a população negra, o protagonismo das mulheres, os povos originários, enriquecemos a capacidade de olhar para a realidade. Acrescentamos histórias diferentes, perspectivas de vida diferentes e, com isso, enriquecemos a nossa capacidade de compreender os problemas e de propor soluções, não só para os problemas atuais como também para aqueles emergentes da nossa sociedade”, afirmou o reitor, que fez um agradecimento especial à presidente da FAPERJ, Caroline Alves, presente na sessão de abertura, pelo apoio que a Fundação deu à realização do encontro.
A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, ressaltou alguns dos propósitos da reunião anual, como o de aproximar a ciência da sociedade e a de ser um fórum para discussão de propostas para o setor. “É um espaço simbólico como este que a gente faz a ciência se encontrar com a cidade, com a vida das pessoas. Faz a ciência dialogar e ser construída com a participação de todas e todos”, afirmou Francilene, referindo-se ao novo distrito de inovação de Niterói, lembrando que a entidade preparou o documento “O Brasil que queremos”, um caderno com 127 propostas, divididas em sete eixos, para ser apresentado e discutido com os candidatos à Presidência da República em outubro. O documento trata de questões como ciência, soberania, desenvolvimento e inclusão social, temas em destaque na Reunião Anual deste ano.
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| Mesa de abertura da 78ª Reunião Anual da SBPC: a partir da esq., o secretário-executivo do MEC, Rodolfo Cabral; a ministra de CT&I, Luciana Santos; a presidente da SBPC, Francilene Procópio; o reitor da UFF, Antônio Claudio da Nóbrega; e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC) |
Ao participar da cerimônia, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, falou sobre as ações e resultados alcançados pela cidade nas áreas da Ciência e da Educação. “Niterói é uma cidade que acredita muito na ciência, na educação e na preservação do patrimônio histórico”, disse Neves, referindo-se à restauração da antiga estação Cantareira, que abrigou a sessão de abertura da Reunião Anual da SBPC, e passará a ser usada como um distrito de inovação. Citou, também, a recuperação da Ilha da Boa Viagem, e na restauração do Cinema Icaraí em parceria com a UFF. O prefeito concluiu, reforçando a importância de o País investir em pesquisa. “Não podemos ter retrocessos. O Brasil precisa avançar. É preciso investir cada vez mais na ciência, porque esse é o caminho para a construção de um Brasil soberano”.
Para esta edição, a SBPC elegeu como patrono o geógrafo Milton Santos, um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX, autor da obra Por uma outra globalização. Durante a sessão de abertura, três cientistas de impacto foram homenageados: a engenheira agrônoma Mariangela Hungria, na categoria Ciências da Vida, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reconhecida por seus estudos sobre a fixação biológica do nitrogênio no solo; o químico Vitor Ferreira, que pesquisa na UFF novas moléculas para tratar doenças negligenciadas; e o antropólogo Otávio Velho, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Museu Nacional. Durante a cerimônia de abertura da sessão, num diálogo entre ciência e arte, o violeiro Roberto Corrêa, que é pesquisador das tradições musicais brasileiras, presenteou o público com um show de viola caipira e viola de cocho, instrumento comum no Pantanal, confeccionado em tronco de madeira inteiriço.
Também estiveram presentes a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader; o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Manuel Rebelo Fernandes; a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho; o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Antônio Elias; o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Rodolfo Cabral; o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Júnior; o secretário Rogério Mascarenhas, representando a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPEG), Vinicius Soares; entre outras autoridades, gestores e pesquisadores de todo o Brasil.