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Publicado em: 18/01/2007

Novo diretor traz experiência multidisciplinar à FAPERJ

Mônica Maia

Cláudio Fernando Mahler: dinamismo e diversidade na nova gestão da FAPERJUma conexão de questões sociais, políticas, comportamentais, ambientais e científicas dá o tom do conjunto de atividades desenvolvidas pelo novo Diretor Administrativo da FAPERJ, Claudio Fernando Mahler: engenheiro civil, doutor em Geotecnia pela Coppe/UFRJ e livre docente em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP; psicólogo clínico e ambientalista; produtor de filmes documentários; intercambista e parceiro de instituições e empresas alemãs como a Fundação Volkswagen; professor da Coppe-UFRJ, pesquisador e administrador público.

“Meu principal objetivo é facilitar a prestação de contas para o pesquisador”, diz Mahler. "Gostei desse desafio na FAPERJ. Durante muitos anos fui ‘cliente’ de órgãos como a FAPERJ, a Capes e o CNPq. Por isso sei como o cliente se sente. Agora estou ‘do outro lado do balcão’, quero ter o cliente bem atendido”, diz o novo diretor administrativo delineando algumas metas. 

Ele pretende estudar uma forma de criar alternativas mais simples informatizando os trâmites administrativos, e verificar com o Tribunal de Contas o que fazer para facilitar a vida do bolsista: “O pessoal se queixa muito”, justifica. “Quero  criar procedimentos para que os pesquisadores possam contar com os recursos a tempo para participar de um evento. Ao fazer pedido para um congresso em Portugal, por exemplo, pelo menos três semanas antes ele precisa ter certeza de que pode contar com o dinheiro da FAPERJ”, explica.

Sobre o ambiente da FAPERJ, é categórico: “Não vou mudar em termos de pessoal. Mas já pedi ajuda ao Programa de Qualidade Rio, do estado do Rio de Janeiro, para nos auxiliar a tornar o sistema de operação mais ágil e organizado. Quero criar uma ouvidoria, que é sempre interessante”, conclui. O novo diretor administrativo já atuou bem próximo à Fundação, na Secretaria de Ciência e Tecnologia em 1998, com a professora Nilda Teves.

Ele fazia contatos com o então diretor científico da Fundação, Peter Seidl, e era coordenador do programa de Qualidade Rio. “Tive a idéia de implantar esse programa do estado para desenvolvimento do processo de melhoria de operação funcional da empresa pública e privada. O objetivo era criar procedimentos para isso", diz.


Recursos, agilidade e qualidade nos novos sistemas de organização

Sobre a otimização administrativa, Cláudio Mahler analisa as comparações com a situação financeira de outras insituições do gênero como a Fapesp, tida como referência no setor. Ele explica que, conforme lhe foi informado, a Fapesp, criada em 1934, funcionou normalmente até 1943. De 1943 a 1954 teve uma série de interventores que não repassaram nenhum recurso financeiro à Fundação.

“São Paulo teve governadores, ou interventores, que não deram o dinheiro daqueles anos. Mas em 1955 o governador deu os recursos do ano e dos doze anos anteriores. Os diretores daquela época compraram imóveis e bens móveis que rendem recursos em quantidade tal que, no ano passado, salvo melhor juízo, R$ 200 milhões foram arrecadados dessa forma, mais os R$ 240 milhões repassados pelo governo estadual. A Fapesp tem para o estado de São Paulo quase tantos recursos quanto o CNPq para o Brasil todo. A Fapesp tem ‘uma espécie de banco’, que independe de recursos ou da vontade e prioridades do governador ou do secretário de fazenda”, explica o diretor administrativo.


Conhecimento multidisciplinar e preservação do meio ambiente

Com uma abordagem holística do conhecimento, Claudio é pós-doutor em Geotecnia Clássica pela Coppe/UFRJ, tendo feito pós-doutorado na Universidade de Osnabrück, na Alemanha. Foi estudar primeira vez naquele país em 1977. Agora vai todo ano à Alemanha. Militante do movimento estudantil em 1969, paulistano, 57 anos, Claudio Fernando chegou ao Rio em 1972, para fazer Mestrado em Geotecnia Clássica, na UFRJ.  Psicólogo formado na UFRJ, em 1988, costurou em sua prática profissional com uma combinação ímpar de habilidades técnicas e sociais.

“Sempre tive interesse na área de humanas. Cheguei a trabalhar como psicólogo clínico. Até 1992 pegava alguns casos tratando pacientes em consultório”, relembra frisando que fazia isso paralelamente às atividades como docente da UFRJ e diretor da Escola Politécnica. Ele conta que começou a lidar com resíduos e contaminação de solos depois de defender sua tese de Doutorado em Geotecnia na UFRJ:

“Fui convidado para o Instituto de Pesquisas Ambientais em Osnabrück, na Alemanha, fiz pós-doutrado como bolsista do Serviço de Intercâmbio Brasil Alemanha e Fundação Volkswagen. Em 1999 firmamos um projeto com outro instituto alemão – o Leichtweiss Institute TU Bransschweig – para o desenvolvimento de um projeto piloto sobre resíduos sólidos pré-testados mecânica e biologicamente em Jacarepaguá, onde contamos também com importante apoio da Comlurb”, diz. De 2004 a 2006, ele trabalhou também em projeto financiado pela Capes – DAAD (órgão responsável pelo serviço de intercâmbio Brasil-Alemanha, com troca de pesquisadores para esse estudo sobre degradação de resíduos).


A Saúde Pública vai ao cinema

Nos últimos três anos o professor incluiu também a saúde pública entre suas especialidades. Entre 2003 e 2006 fez pós-doutorado no Departamento de Saúde Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), onde fez concurso de livre docência. Assim, passou a abordar a contaminação de aterros focalizando os danos à saúde pública. Isso o levou a produzir filmes.

Há três anos, Cláudio Fernando foi chamado para visitar uma fábrica de reciclagem de baterias que havia sido fechada em Jacareí, em São Paulo. “Eram quase 200 empregados. Com o fim da fábrica, um ex-funcionário foi preso em um assalto e outro morto, também em assalto, a um posto de gasolina. Quando se fecha uma fábrica de 200 funcionários penaliza-se pelo menos 600 pessoas”, diz.

Mahler ressalta que tratava-se de uma fábrica de reciclagem de 40% das baterias das empresas do Brasil. “Do dia para noite como reorganizar isso? Um porteiro falou que queria ganhar dinheiro quebrando as baterias com marretas e vendendo o chumbo. Diante disso escrevi um roteiro”, conta Cláudio Fernando Mahler, acrescentando que a fábrica foi fechada por uma promotora pública de 25 anos, ex-Miss Campinas. A idéia do filme, entre outros aspectos, é entrevistar esses e outros personagens da história. Sobre o assunto, também estudou o caso de uma fábrica de chumbo fechada em Bauru, em que diversas crianças da região, contaminadas, morreram de câncer.

"Desse material nasceu o argumento do filme Resíduos de chumbo, que mostra aspectos sociais e políticos do assunto. O argumento foi aprovado pelo MinC e estamos em fase de captação de recursos para realizar o documentário”, conta. Em 1996, fez, com uma câmera na mão, seu primeiro curta sobre aterros de resíduos sólidos, filmado por ele mesmo. “Produzi ainda outro filme, Águas de Quatis, para mostrar os problemas de contaminação do Rio Paraíba do Sul. Fomos contratados, em 2004, pela prefeitura de Quatis. Mas não sou diretor, produzo e dou as idéias. Agora fizemos legendas em inglês para a exibição este ano no festival de Cinema de Thessalonik, na Grécia”, informa.

As armadilhas do progresso

Rememorando esses casos, o professor, engenheiro, psicólogo, ambientalista e produtor de documentários recomenda a leitura do livro Why things bite back? Technology and the Revenge of Unintended Consequences, de Edward Tenner. “Traz diversos casos de evolução da sociedade mostrando tudo o que você faz, tem retorno”, diz ao citar essa obra  sobre as perversões da tecnologia.

Esse livro, publicado no Brasil com o título A vingança da tecnologia: as irônicas conseqüências das inovações mecânicas (editora Campus), analisa os efeitos resultantes das diversas formas de ingenuidade mecânica, química, biológica e médica que têm sido marcos irônicos do progresso em nossa sociedade, obcecada por melhorias a qualquer preço. Unindo ciência e humanismo, Claudio é apaixonado por cinema, o filme preferido do novo diretor da FAPERJ é Cinema Paradiso, do diretor italiano Giuseppe Tornatore, além do filme Estamira, recente, de qualidade e importância ímpar. Ele joga futebol, caminha, e diz gostar muito de correr. Mas lamenta: “Corro menos do que gostaria..."

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