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Publicado em: 27/10/2005

Região de Campos pode se tornar produtora de milho melhorado

Marina Lemle

 

Plantio de milho melhoradoFamosa pela fabricação do chuvisco, doce português, a região de Campos dos Goytacazes poderá se tornar também a terra da pipoca – iguaria de origem atribuída aos índios americanos que hoje ajuda a sustentar a indústria do cinema. A pipoca do Norte Fluminense não será uma pipoca qualquer, e sim uma superpipoca, que rende mais no campo e na panela.

 

Apesar do clima adequado - tropical chuvoso de bosque - e do gosto da população pelo petisco, o cultivo do milho pipoca não é tradicional na região. Mas isso poderá mudar em alguns anos, graças ao trabalho de uma equipe do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV) da Uenf. Os pesquisadores promovem cruzamentos e seleções de sementes com o objetivo de chegar a uma variedade mais adaptada à região, que renda maior produtividade e tenha melhor capacidade de expansão do grão (o tamanho que a pipoca atinge após a sua explosão, a 180 C). O milho melhorado tem ainda maior resistência a doenças, pragas, acamamento e quebramento, além de ser melhor em cor, maciez, sabor e aroma.

 

Antônio Amaral Jr.Coordenada pelos professores Antonio Teixeira do Amaral Júnior e Messias Gonzaga Pereira, ambos agraciados pelo edital Cientistas do Nosso Estado, da FAPERJ, a pesquisa teve início com o professor Joachim F. W. von Bulow, já falecido, que trouxe para a Uenf sementes do programa de melhoramento da Universidade de Brasília e promoveu seu cruzamento com outras resistentes a doenças. As novas gerações passaram a ser selecionadas através da observação das melhores espigas – a chamada seleção massal, fundamentada apenas no fenótipo dos indivíduos. Hoje, os professores Amaral e Gonzaga Pereira dão prosseguimento ao processo de melhoramento com o método de seleção recorrente: a sucessão de cruzamentos e de seleções de material para dar origem a plantas com parâmetros superiores de qualidade.

 

De acordo com Amaral, o primeiro passo para a obtenção do milho pipoca melhorado é ter uma população com ampla variabilidade genética. "A seleção recorrente é um processo cíclico de seleção que visa aumentar de forma progressiva e contínua a freqüência dos alelos favoráveis e, simultaneamente, manter a variabilidade genética em níveis adequados para os próximos ciclos seletivos. As seleções são repetidas até que a freqüência de alelos favoráveis na população atinja níveis satisfatórios. A seleção recorrente pode ser conduzida visando ao melhoramento das populações per se (intrapopulacional) ou da geração F1 (híbrido interpopulacional), resultante do cruzamento entre duas populações (seleção recorrente recíproca ou interpopulacional)”, explica Amaral.

 

As duas características mais importantes, segundo o professor, são a produtividade e a capacidade de expansão, já que o consumidor prefere as pipocas maiores. Milho e pipocaA capacidade de expansão do milho é medida em mililitros por grama (peso) ou mililitros por mililitros (volume). No início dos trabalhos de melhoramento, o produto da Uenf tinha 12 mL/g.  O ideal é chegar aos 30 mL/g. “No momento estamos trabalhando no quarto ciclo de seleção recorrente e provavelmente teremos uma capacidade de expansão de cerca de 27 mL/g. O milho de pipoca poderá ser lançado dentro de 3 a 4 anos, quando esperamos atingir 30 mL/g, que é o valor da capacidade de expansão das pipocas comerciais”, afirma.

 

No Brasil, o consumo anual de milho para pipoca foi estimado em 80 mil toneladas no ano de 2001. Setenta e cinco por cento dessa demanda foi atendida por produto colhido na Argentina com semente Norte-americana.

 

O preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal para o milho pipoca no ano agrícola 2004 foi de R$ 0,44 por quilo. Naquele ano, a saca de 30 quilos de milho pipoca nacional variou de R$ 36 a R$ 37,20. “Se tivermos uma produção média de 2.500 quilos por hectare - 83 sacas -, que é a produção média nacional, e vendermos a saca a R$ 36, sendo conservadores, teremos uma renda bruta de aproximadamente R$ 2.988. Se subtrairmos R$ 1 mil, que é o custo médio de produção, teremos uma renda líquida de cerca de R$ 1.988 por hectare. Isso é um lucro fabuloso, considerando que são dois plantios por ano, já que o ciclo é de quatro meses e o clima da região Norte e Noroeste permite dois cultivos”, comemora o pesquisador. Calculando-se o lucro por alqueire, que equivale a 4,84 hectares, a renda é de R$ 9.621,92 por plantio e R$ 19.243,84 por ano.

 

A pesquisa em torno do milho pipoca representa uma parte relevante da produção do LMGV da Uenf, tendo resultado em duas teses de doutorado e duas de mestrado. Outra tese de doutorado e um trabalho de pesquisa na graduação estão em desenvolvimento. Pelo menos cinco artigos científicos já foram publicados em revistas nacionais ou internacionais. Os experimentos são conduzidos na Estação da Pesagro-Rio e no Colégio Agrícola Antônio Sarlo, em Campos, e na Estação Experimental da Pesagro-Rio, em Itaocara.

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