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Publicado em: 10/06/2021

Pesquisa testa exercícios físicos para vítimas de AVC

Juliana Passos

Participante Welhinton Fonseca é orientado por Paulo Couto e usa máscara
conectada ao analisador de gases metabólicos para medição de custo
energético e indicadores fisiológicos, acoplado em Victor Costa (Fotos: Divulgação)

Pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) normalmente apresentam mais dificuldades para realização de exercícios físicos e devem tomar mais cuidados quando decidirem praticá-las. Ao mesmo tempo, a prática é fundamental para que mantenham uma boa pressão arterial e uma melhor circulação sanguínea, diminuindo o risco da ocorrência de um novo acidente. Com essas premissas em mente, e um trabalho de longa data com pacientes de doenças cardiovasculares, o coordenador do Grupo de Estudos em Prescrição do Exercício (GEPrEx) e professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Felipe Amorim da Cunha, estuda a rotina de exercícios para estes casos.

"Essa é uma população muito específica. O AVC pode levar a diferentes graus de comprometimento motor e, dependendo do tipo do exercício prescrito, o custo energético da atividade pode ser até duas vezes mais elevado do que em indivíduos sem histórico de AVC', diz o pesquisador. "Trata-se, portanto, de uma população com baixa tolerância ao esforço e mais suscetível a adoção de um estilo de vida sedentário. Por exemplo, cerca de 60% dos casos de AVC no mundo são atribuíveis a hipertensão". De acordo com o professor, um dos principais objetivos de um programa de reabilitação física de pacientes que tiveram AVC é a reinserção dos indivíduos na rotina de atividades da vida diária, como por exemplo, subir ou descer escadas, sentar, levantar, puxar ou empurrar objetos, carregar sacolas. E, acrescenta, o papel do exercício físico, aquele realizado de forma sistemática e com metas, é o de aprimorar a aptidão física e a tolerância ao esforço desses pacientes.

O grupo realiza testes com pacientes hemiparéticos por sequelas de AVC desde 2016, nas instalações do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde (LabSau), vinculado Instituto de Educação Física e Desportos (IEFD) da Uerj. O programa de exercícios físicos está descrito no site do grupo de pesquisa. Os pacientes passam por uma bateria de exames inicial e, caso concordem e estejam habilitados, seguem um protocolo de reabilitação com exercícios realizados em circuito.

Para Felipe Cunha, pessoas acometidas
por AVC devem se exercitar com cuidado
para evitar novos acidentes e manter rotina

Os pesquisadores analisam a pressão arterial no momento de realização do exercício, nas 24 horas seguintes à sua realização e no acompanhamento das 16 semanas subsequentes, como forma de validar a série de exercícios e sua capacidade de reduzir a pressão arterial dos participantes. Outra questão analisada é a rigidez arterial, o que contribui para o aumento da pressão arterial, em geral já mais alta nos pacientes acometidos por AVC. O impacto do exercício físico sobre a rigidez arterial ainda é desconhecido entre os que sofreram AVC. “Na primeira fase do estudo, analisamos o que acontece com a pressão arterial e a função arterial logo após a realização do exercício. Na segunda fase, vamos estudar até que ponto ocorre modificação crônica ou não da pressão em função do treinamento. E dentro desse estudo da segunda fase, vamos fazer uma análise de associação, ou seja: será que indivíduos que tiveram maior queda da pressão arterial na fase aguda são os indivíduos que tiveram maior decréscimo da pressão arterial em repouso após o exercício?", detalha.

Ele conta que este será o primeiro estudo nessa modalidade de exercícios com o objetivo de diminuição crônica da pressão arterial daqueles que tiveram AVC. "Com os dados que pudemos coletar antes da pandemia, conseguimos registrar diminuições significativas da pressão arterial ao longo de 24 horas de recuperação pós-exercício", relata o pesquisador. O programa específico com pacientes acometidos por AVC, que conta com financiamento FAPERJ por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, foi iniciado no começo de 2020 e precisou ser interrompido com a chegada da pandemia, ainda que algumas coletas tenham sido feitas e estão sendo trabalhadas em teses, dissertações e artigos.

O material técnico com as indicações de exercícios também está sendo produzido para divulgação ao público geral. Como mensagem para aqueles que ainda não têm o hábito da prática regular de exercícios físicos, Cunha lembra os benefícios para evitar doenças cardiovasculares. "Já é um ponto consensual da literatura da área que a prática de exercícios físicos é uma conduta fundamental para redução e controle da pressão arterial, atuando como medida preventiva à hipertensão e mesmo como atenuador dos sintomas", finaliza.

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