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Publicado em: 19/11/2020

Pesquisadora da Fiocruz se destaca no Brasil com o maior número de publicações sobre Covid

Débora Motta

Marta Giovanetti e Luiz Alcântara, da Fiocruz: referências
na análise genômica do SARS-CoV-2 (Fotos: Divulgação)

A pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) vem demandando esforços da comunidade científica internacional, que trabalha incessantemente em busca de soluções para a Covid-19. Até o último dia 17 de outubro foram produzidas e registradas 168.546 publicações sobre a doença no ano de 2020 em todo o mundo, de acordo com a plataforma acadêmica Dimensions. A maior parte das publicações são artigos (132.406) e pré-prints (29.349), que são versões prévias de textos científicos. Os países com maior número de publicações são Estados Unidos (34.129), China (15.990) e Reino Unido (14.724). O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking mundial do número de publicações sobre Covid-19, com 4.029 publicações, o que representa 2,39% da produção mundial, à frente de países como Holanda (2.576 publicações), Suíça (2.556) e Japão (2.351).

Nesse contexto, a pesquisadora pós-doutoranda da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Marta Giovanetti se destaca como aquela com o maior número de publicações (26) sobre Covid-19 entre os pesquisadores residentes no Brasil, e também como aquela com o maior número de citações sobre o tema até o momento. Contemplada pela FAPERJ com bolsa do programa Pós-Doutorado Nota 10, ela é italiana e mora no Rio de Janeiro desde 2016, quando passou a trabalhar na Fiocruz, sob a orientação do doutor em Biologia Celular e Molecular Luiz Carlos Júnior Alcântara, que também tem o apoio da FAPERJ, por meio do programa Cientista do Nosso Estado. Eles vêm se dedicando a atividades de vigilância genômica e ao desenvolvimento de protocolos para a descoberta e monitoramento de vírus emergentes e reemergentes, incluindo o novo coronavírus (pois também está relacionado aos casos de doença febril aguda), no Laboratório de Referência Regional de Flavivírus, do Instituto Oswaldo Cruz (LABFLA/IOC).

Detalhe do trabalho com o dispositivo
MinION, para a análise genômica viral

“Estamos realizando o monitoramento genômico do novo coronavírus, em diversas regiões do Brasil, para entendermos melhor a sua dinâmica de dispersão no País, bem como as características genéticas do SARS-CoV-2, que podem ser a chave para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos, e as diferentes linhagens que estão circulando e co-circulando. Antes da pandemia, já estudávamos no LABFLA outros patógenos virais, principalmente os arbovírus [que são transmitidos aos hospedeiros vertebrados através da picada de vetores artrópodes], como os vírus da Zika, da Chikungunyae, da dengue e o da febre amarela”, explicou Marta. 

Para o atual monitoramento genômico do SARS-CoV-2, eles aproveitam a expertise adquirida pela equipe com outros vírus. “Recentemente, durante o projeto ZiBRA2, realizamos o sequenciamento por nanoporos, em tempo real, utilizando o dispositivo MinION, desenvolvido pela Oxford Nanopore Technologies, na Inglaterra, para rastrear a origem e a disseminação do vírus Zika nas Américas, em 2016. Em seguida, ainda durante o mesmo projeto, desenvolvemos protocolos e realizamos o sequenciamento dos genomas completos de outros dois arbovírus circulantes, os da Chikungunya e o da febre amarela, o que permitiu a obtenção de sequências completas do genoma do vírus da febre amarela referente ao surto registrado no estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espirito Santo, São Paulo e Bahia, e de sequências completas do genoma do Chikungunya, oriundas das regiões Nordeste, Sudeste e Norte do Brasil, na mesma época”, contou Alcântara.

Desde que a pandemia teve início, no início de 2020, eles percorreram diversos estados brasileiros para fazer o sequenciamento genômico de diferentes patógenos virais circulantes e co-circulantes no País. Para isso, eles continuam utilizando o MinION, que por ser um dispositivo de pequenas dimensões, é portátil. “O MinION permite a realização do sequenciamento genético em até seis horas e é capaz de gerar em torno de 24 genomas completos virais. Por ele ser portátil, conseguimos montar um laboratório móvel em motorhome, no Centro Oeste”, detalhou o pesquisador da Fiocruz. As amostras biológicas dos pacientes que testaram positivo, com suspeita de infecção pelo novo coronavírus, são cedidas para o estudo através de uma parceria com os diversos Laboratórios Centrais de Saúde Públicas (LACENs) regionais. “Selecionamos amostras positivas baseadas em um valor chamado CT, que nos dá uma ideia indireta da carga viral do patógeno”, disse ela. O Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) também são parceiros do projeto.

Atividade itinerante da equipe da Fiocruz em Campo
Grande, MS: análise genômica do vírus da dengue

No estado de Minas Gerais, por exemplo, eles capacitaram profissionais do Lacen-MG, e juntos realizaram o sequenciamento dos primeiros 40 genomas completos do SARS-CoV-2, em Belo Horizonte e diversas cidades da região metropolitana, considerando as informações genômicas e os dados epidemiológicos, como o histórico de dispersão e o número de casos. “Observamos que múltiplos e independentes eventos de introduções ocorreram no estado. Também identificamos a co-circulação de diferentes linhagens e sublinhagens no estado de Minas Gerais”, detalhou a Marta. “No entanto, ainda não há conhecimento científico para relacionar os diferentes tipos de linhagens virais com a gravidade dos sintomas nos pacientes. É algo muito recente, e as mutações virais precisam ser monitoradas com constância. Dentro de cada linhagem, há sublinhagens também. Daí a importância da vigilância genômica”, destacou Alcântara. Como resultado do trabalho, foi publicado o artigo intitulado The ongoing COVID-19 epidemic in Minas Gerais, Brazil: insights from epidemiological data and SARS-CoV-2 whole genome sequencing, no periódico britânico Emerging Microbes and Infections.   

Sobre o reconhecimento por ser a pesquisadora com o maior número de artigos publicados a respeito do tema Covid-19 no Brasil, bem como a mais citada, Marta, que trabalhava em Roma no Instituto Superior de Saúde, o principal instituto de pesquisa na Itália, destaca a importância do trabalho em equipe e da cooperação científica internacional. “Os artigos abordam a dispersão e a caracterização de mutações associadas ao vírus, com o objetivo de entender a patogênese do vírus ao redor do mundo. Durante esse período de pandemia trabalhamos em colaboração com muitos parceiros internacionais. Ficamos empenhados na caracterização do vírus na Itália, desde os primeiros casos, e mais tarde participamos também de estudo sobre a circulação do novo coronavírus na África do Sul, em colaboração com o pesquisador Tulio de Oliveira, e esperamos dar continuidade a esse trabalho”, concluiu.

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