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Publicado em: 12/07/2018

Ciência Forense: da cena do crime ao laboratório de DNA

Vilma Homero

Bastam umas poucas células deixadas por alguém ao tocar uma superfície lisa. Os peritos coletam amostras e, a partir desse reduzidíssimo material biológico, podem extrair DNA e identificar quem esteve em contato com aquele determinado objeto. São cenas que qualquer fã de seriado policial está acostumado a ver nas telas, mas que também acontecem no laboratório do Instituto de Pesquisas e Perícias em Genética Forense (IPPGF) do Rio de Janeiro, onde os técnicos já se habituaram a realizar exames de “DNA de toque” para fundamentar as investigações policiais no estado.  Uma realidade que em nada fica a dever à ficção, como mostram Rodrigo Grazinoli Garrido e Eduardo Leal Rodrigues, no livro Ciência Forense: da cena do crime ao laboratório de DNA, publicado pela editora Projeto Cultural, com recursos do programa de Auxílio à Editoração (APQ 3), da FAPERJ. "Das diversas fontes de material biológico, o DNA de toque é apenas um dos materiais”, exemplifica Garrido.

Mas nem tudo se resume a exames de DNA ou impressões digitais. Como os autores explicam no livro, de forma bastante didática, vestígios de diferentes naturezas – dos elementos produzidos por armas de fogo, dos fragmentos ou partículas deixados na cena, como restos de terra ou de plantas, além das evidências biológicas – servem para compor o quebra-cabeças em que as peças vão se juntando para elucidar pouco a pouco o que aconteceu. “Sempre que não for possível reconhecer uma vítima pelo método datiloscópico, ou seja, pelas impressões digitais, os vários ramos da medicina legal tornam-se essenciais. Da antropologia forense à odontologia legal; da toxicologia à psiquiatria forense, são vários os elementos a que se pode recorrer para traçar estimativas e determinar sexo, idade, estatura, cor da pele e, claro, a causa da morte”, afirma Garrido.  

Ele fala com conhecimento de causa. Diretor do IPPGF, professor de cursos de graduação em Direito e em Biomedicina e do programa de mestrado em Direito na Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Garrido também é docente dos cursos de formação de profissionais em Segurança, promovidos por secretarias municipais, estaduais e pelo atual Ministério Extraordinário de Segurança Pública. “Nossos profissionais são qualificados. São pessoas com boa formação, todos os nossos nove peritos fizeram cursos de mestrado ou de doutorado. E nosso laboratório conta com praticamente os mesmos equipamentos e as mesmas técnicas que se costuma empregar no mundo todo”, diz o perito.

Como afirma Garrido, apesar da formação de alto nível, o que falta, na sua opinião, é poder contar com um maior número de profissionais e também com uma literatura mais ampla nessa área. “A literatura nacional sobre perícia é restrita, o que há são publicações esparsas. Acho que mais livros sobre o tema são sempre bem-vindos. E, nesse caso, o nosso procura preencher essa lacuna. Reunimos, de forma bastante clara, todas as etapas e procedimentos comumente usados num laboratório que realiza análises de casos criminais”, fala Garrido.

No livro, além de aprofundarem os conhecimentos em genética forense, os autores tratam desde os cuidados básicos para preservar uma cena de crime, sobre a coleta e preservação de vestígios orgânicos – sangue, saliva, esperma, pelos e outros –, sobre os padrões de manchas de sangue que ajudam a reconstituir como a vítima foi golpeada, e até as características do esqueleto humano que podem determinar a identidade dessa vítima. “Além dos elementos dentários, características do crânio, como a medição a partir de pontos predeterminados, o formato da arcada, da abóbada palatina e da mandíbula, assim como o prognatismo – a posição da maxilar –, trazem informações importantes quanto à origem étnica e sexo. As mandíbulas, por exemplo, mostram-se muito mais angulosas e robustas no sexo masculino;  além disso, a erupção dos dentes e o formato da mandíbula podem dizer muito sobre a idade de alguém”, explica o perito.  

Nas 256 páginas de Ciência Forense, os autores falam ainda sobre equipamentos empregados na rotina pericial, como o analisador genético, que consegue extrair DNA de pequenas amostras, amplificá-lo por meio de um exame de reação em cadeia da polimerase, que amplia alguns pontos específicos para análise genética. “Podemos comparar o exame de determinadas regiões genéticas à análise da amostra de um suspeito. A partir daí, podemos obter um resultado com 99% de certeza.”

Para que o livro ficasse o mais completo possível, os autores tiveram a colaboração de vários outros especialistas, como os peritos e biológos Alessandra Stefânia Dias Ribeiro; Alexandre Giovanelli e Katia Araujo; do farmacêutico Marcelo Malaghini;  e do professor de Biologia Molecular Rodrigo Soares de Moura Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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