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Publicado em: 05/04/2018

Pesquisa em rede fará 'Inquérito Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil'

Débora Motta

Kac durante o lançamento do projeto, em seminário
realizado em março, em Brasília (Foto: Divulgação)

Um esforço de pesquisa em rede, que envolve 60 pesquisadores de 19 estados do País, mais o Distrito Federal, vai resultar na elaboração do primeiro inquérito nacional de avaliação do consumo alimentar e estado nutricional, incluindo carências de micronutrientes, em crianças brasileiras menores de cinco anos. A iniciativa, resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde (MS) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do edital nº 11/2017, é coordenada pelo Cientista do Nosso Estado da FAPERJ Gilberto Kac, que é professor titular do Instituto de Nutrição Josué de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (INJC/UFRJ). Em território fluminense, a comissão executiva do projeto conta com a participação da professora Inês Rugani Ribeiro de Castro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), do professor Luiz Antonio dos Anjos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), do professor Cristiano Siqueira Boccolini, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde/Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), e da professora Elisa Maria de Aquino Lacerda, também do INJC/UFRJ.

O propósito do projeto, aprovado em novembro do ano passado e com previsão de ser executado em três anos, até 2020, é fazer um amplo diagnóstico do estado nutricional das crianças brasileiras de zero a cinco anos de idade. “A realização desse projeto é uma demanda antiga do MS, pois, até hoje, nunca foi realizado um inquérito nacional de alimentação e nutrição infantil. É um projeto de grande porte, que recebeu financiamento de R$ 15 milhões. Vamos estudar 15 mil crianças em 123 municípios brasileiros, distribuídos por todo o Brasil”, conta Gilberto Kac, que já foi contemplado pela FAPERJ com editais como Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), Pensa Rio e Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro, além de ser pesquisador nível 1A do CNPq.

“O objetivo é avaliar, entre as crianças brasileiras menores de cinco anos, as práticas de aleitamento materno, alimentação complementar e consumo alimentar, o estado nutricional antropométrico e a magnitude das deficiências de micronutrientes (ferro, vitamina A, vitamina D, vitamina E, folato, vitamina B12 e vitamina B1, zinco e selênio) nas cinco macrorregiões (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste), considerando as zonas rural e urbana, capitais e interior dos estados, a faixa etária e o sexo”, explica Kac.

Com uma metodologia semelhante à utilizada pelas equipes de recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores coletarão dados em domicílios nesses 123 municípios. “O levantamento será realizado pela Science (Sociedade para o Desenvolvimento da Pesquisa Científica), que é atualmente presidida pelo estatístico Maurício Teixeira Leite de Vasconcellos, em uma amostra representativa da população infantil, que represente o urbano e o rural das cinco macrorregiões, por faixa etária e sexo. Mas não vamos distinguir especificamente os perfis de renda e etnia entre os indicadores, nesse momento da pesquisa. Faremos o sorteio dos domicílios a serem incluídos no estudo em cada município e, do mesmo modo como ocorre no Censo, faremos as visitas para pesar e medir as crianças, para fazer o diagnóstico nutricional antropométrico; para aplicar um questionário, que inclui informações sobre amamentação e consumo alimentar; e para coletar sangue, para fazer o diagnóstico de carência de micronutrientes”, detalha. 

O padrão alimentar das crianças brasileiras será
investigado no Inquérito Nacional de Alimentação
e Nutrição Infantil (Foto: Divulgação/Pixabay)

De acordo com o professor, o projeto também investigará aspectos pouco estudados – ou mesmo inéditos – em inquéritos de nível nacional. Entre eles, estão o ambiente alimentar doméstico; as habilidades culinárias dos cuidadores das crianças; o padrão alimentar das crianças; avaliação do consumo de alimentos processados e ultraprocessados; e algumas práticas relacionadas ao aleitamento materno, como amamentação cruzada (como é conhecida a prática de mães que amamentam filhos de outras que apresentam alguma dificuldade com o aleitamento), doação de leite materno e uso de acessórios para a amamentação; além da constituição de um biorrepositório, que possibilitará realizar análises inéditas em estudos de base populacional.

A proposta é que os resultados do projeto subsidiem a formulação de políticas públicas de promoção da alimentação saudável e de controle de agravos nutricionais na população infantil. “Como nunca foi realizado um inquérito de alimentação e nutrição em menores de cinco anos em âmbito nacional, de caráter abrangente, sabemos apenas por informações de outros estudos, como a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), que os maiores desafios nutricionais infantis no Brasil, atualmente, são o sobrepeso e a obesidade, considerada uma epidemia, e a desnutrição, que vem reduzindo sua incidência, mas ainda existe, especialmente nos estados mais pobres, como o Maranhão. A partir da realização desse inquérito, teremos essas informações atualizadas e poderemos conhecer melhor a realidade brasileira e formular políticas públicas de saúde mais adequadas”, conclui.

Além das universidades fluminenses, participam do projeto pesquisadores da Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto, da Universidade Federal de Pelotas, da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Federal do Maranhão, da Universidade Federal do Amazonas, da Universidade Federal do Acre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade Federal de Alagoas, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal do Paraná, além da empresa Campos D’Almeida Patologia Clínica Ltda.

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