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Publicado em: 22/06/2017

Inovação na indústria farmacêutica foi tema da 18ª edição do Encontros FAPERJ

Débora Motta

Julia Paranhos, da UFRJ, falou sobre a importância da inovação para o
desenvolvimento da indústria farmacêutica (Fotos: Lécio Augusto Ramos)

A importância da inovação científica e tecnológica para o desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional esteve em pauta na 18ª edição do Encontros FAPERJ, realizado na manhã desta quarta-feira, 21 de junho, na sede da Fundação. Dessa vez, o tema do debate foi "Inovação na indústria farmacêutica brasileira: obstáculos, avanços e desafios”, apresentado pela economista Julia Paranhos, coordenadora do Grupo de Economia da Inovação, ligado ao Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEI/IE/UFRJ). O Encontros FAPERJ é organizado pelo Núcleo de Estudos em Políticas Públicas para Inovação (Neppi/FAPERJ).

Julia traçou um panorama da indústria farmacêutica no Brasil e destacou algumas características responsáveis pela sua complexidade. “A indústria farmacêutica envolve fatores econômicos e sociais, importantes para o seu entendimento, como a dificuldade de acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento. A indústria requer altos níveis de investimento, seja em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), para o desenvolvimento de novo produtos, que dependem do conhecimento científico, seja para o seu marketing especializado, voltado para os médicos. É um mercado altamente regulado e competitivo, que passa por grandes processos de fusões e aquisições, sendo que essa concentração empresarial ocorre de acordo com classes terapêuticas ou até por doenças específicas”, contextualizou.

Depois dessa breve análise, ela destacou o peso da indústria farmacêutica para a economia do País. “Segundo a Pesquisa Industrial Anual, do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], tivemos um aumento de 71% de crescimento no valor bruto da produção da indústria farmacêutica no País, de 2007 a 2014”, disse a economista. “Já segundo a Pesquisa Industrial Mensal, do mesmo IBGE, entre 1996 e 2012, tivemos um crescimento de 91,6% no volume da produção física da indústria farmacêutica, que foi um valor superior ao da própria indústria de transformação, registrado como de 32,5%, no mesmo período. Esse resultado nacional foi puxado principalmente pelo estado de São Paulo, que concentrou 168% do crescimento da indústria farmacêutica, enquanto o estado do Rio de Janeiro teve uma queda significativa, de 48% nessa participação nesses anos”, destacou.

Julia destacou que a produção crescente da indústria farmacêutica brasileira se concentra principalmente no segmento de medicamentos genéricos. “Entre 2000 e 2008, houve um aumento de vinte vezes no número de produtos genéricos comercializados no País. Em 2015, esse segmento já alcançou 30% do mercado, com uma boa possibilidade de expansão, considerando que em 2004 ele representava apenas 5% do mercado de medicamentos no Brasil. Cerca de 90% desse mercado de genéricos no Brasil é atendido por 14 empresas nacionais”, disse.

Ela lembrou que, de 1995 a 2015, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o estado do Rio de Janeiro, que ainda é o segundo lugar no ranking dos estados que concentram maior número de empresas farmacêuticas, teve uma queda de 19% para 13% na concentração de estabelecimentos industriais do setor, enquanto o estado de Goiás teve um aumento considerável nessa participação, de 2% para 9% nessas duas décadas. Por sua vez, o estado de São Paulo concentrou 38% no número de empresas do setor no País no mesmo período.

Julia citou que a produção de genéricos tem papel
de destaque na indústria farmacêutica nacional  


Nesse cenário competitivo, investir em inovação é a chave para desenvolver o setor farmacêutico nacional. “Apesar do avanço da indústria de genéricos, ainda há uma baixa complexidade tecnológica nos medicamentos produzidos no País, que é um gargalo a ser superado. Isso é comprovado pelas altas taxas de importação de medicamentos. Importamos, entre 2011 e 2014 cerca de US$ 7 bilhões em medicamentos prontos, especialmente de países como Alemanha, Estados Unidos, França e Itália”, alertou.

Julia elencou a necessidade do estabelecimento de uma visão de gestão a longo prazo, voltada para o fomento da inovação científica e tecnológica, que permita o aumento da competitividade da indústria farmacêutica nacional. “Temos muitos desafios, como incentivar os investimentos em atividades inovativas e uma maior qualificação de pessoal na área de P&D, aumentar a dinâmica de interação das multinacionais no País, para que ocorra a transferência de conhecimentos e tecnologias”, disse. “Outro grande desafio é promover a interação entre as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e a indústria, estimulando fatores como o empreendedorismo e o financiamento, além da estruturação dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs)”, concluiu.

Estiveram presentes gestores, pesquisadores e representantes das seguintes instituições: Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Fundação BioRio, Universidade Federal Fluminense (UFF), UFRJ, IBGE, além das empresas Abifina, Extracta, Cognitiva, Bio Bureau Tecnologia e Leishnano.

O Grupo de Economia da Inovação, ligado ao Instituto de Economia da UFRJ (GEI/IE/UFRJ) e do qual Julia é coordenadora, foi formado no ano de 1993 e tem como objetivo principal o estudo das diferentes dimensões do processo de mudança tecnológica, enfatizando: a análise das inovações organizacionais e o seu papel na difusão de novas tecnologias; a discussão dos impactos da globalização sobre os sistemas regionais, nacionais e internacionais de inovação; a análise dos sistemas de propriedade industrial, políticas industriais e tecnológicas e o papel de novas tecnologias no desenvolvimento do comércio exterior e de novas empresas.

O Neppi/FAPERJ é coordenado por Thiago Renault, com a participação de Sergio Yates – ambos são assessores da Presidência da Fundação. O curador do Encontros FAPERJ, evento que completou três anos de atividades em 2017, é José Manoel Carvalho de Mello, assessor da Presidência e também integrante do Neppi. O próximo encontro abordará o tema "Dilemas e Perspectivas da Política de Inovação" e terá como palestrante Jose Eduardo Cassiolato, professor associado da UFRJ.

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