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Publicado em: 25/02/2016

Solos modificados pela ação do homem há séculos inspiram fertilizantes organominerais  

Por Ascom Faperj *

      
Exame de solo na Fazenda Campos
Novos
(Divulgação: Embrapa Solos)

Solos modificados pela ação do homem, que, há milhares de anos, vem manejando resíduos orgânicos ou minerais, se revelaram terras extremamente férteis. Em diferentes regiões do planeta, eles fascinam os cientistas que buscam entender como se formaram e possíveis maneiras de replicá-los. O uso de resíduos orgânicos para a produção de fertilizantes é uma proposta inovadora, que pode transformar um problema ambiental em uma solução agronômica. Para trocar experiências sobre esse assunto, entre 29 de fevereiro e 4 de março, pesquisadores brasileiros e alemães se encontrarão na Embrapa Solos (Rua Jardim Botânico, 1024), no Rio de Janeiro.

Esses solos podem estar distantes, como as terras pretas europeias ou os solos criados pelos astecas no México, as chinampas. Ou podem estar mais próximos, como as terras pretas de índio, na Amazônia, e os sambaquis da Fazenda Campos Novos, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A histórica Fazenda Campos Novos, por exemplo, pode se tornar a principal área de estudo de projeto que unirá estudiosos da Embrapa, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dos alemães da Universidade de Oldenburg e do Instituto Leibniz para Engenharia Agrícola. O grupo vai estudar os sambaquis que têm horizontes antrópicos muito férteis, de origem não definida. "Nosso desafio é tentar entender os mecanismos de formação desses horizontes e procurar reproduzi-los", revela o pesquisador da Embrapa Solos, Wenceslau Teixeira, um dos organizadores do encontro.

Segundo Teixeira, o conhecimento dos mecanismos que levaram à formação desses horizontes de solos férteis, criados pelo manejo humano de resíduos orgânicos, será a base para propostas inovadoras para a melhoria da qualidade agronômica do solo e para minimizar as mudanças climáticas. "O estudo da formação antrópica desses horizontes de solos é interessante como possibilidade do entendimento dos mecanismos que levaram ao acúmulo de carbono orgânico e de nutrientes. A possibilidade de replicação destes mecanismos pode nos ajudar a criar formas inovadoras para a criação de solos férteis e para o acúmulo de carbono orgânico no solo, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e contribuindo com a mitigação das mudanças climáticas", explica Wenceslau.

No caso das terras pretas de índio (TPI), trata-se de manchas de solo escuro encontradas na Bacia Amazônica, que têm como características o acúmulo de matéria orgânica que se junta à fertilidade inerente ao solo. “Podem variar de áreas menores, de cerca de um hectare, até extensões com mais de cem hectares”, diz o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Aleksander Westphal Muniz.

Em uma escavação realizada em uma área do campo experimental na Amazônia, pôde-se visualizar com clareza a coloração desse tipo de solo, que se mantém mais escuro a profundidades que variam de 30 centímetros a um metro, aproximadamente. “As áreas de TPI fazem um contraponto à maioria dos solos da região amazônica, que apresentam coloração amarelada, baixa fertilidade e acidez – condições desfavoráveis à agricultura. A TPI, ao contrário, é caracterizada pela ampla disponibilidade de nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono”, explica o pesquisador.

Para Teixeira, o conhecimento dos mecanismos que levaram à formação desses horizontes de solos férteis criados pelo homem vai ajudar no desenvolvimento de tecnologias inovadoras. "Esse conhecimento será a base para a melhoria da qualidade agronômica do solo e para a mitigação das mudanças climáticas", diz.

Os estudos também foram feitos em sambaquis – depósitos de materiais orgânicos, minerais e principalmente de conchas, relativamente comuns em todo o litoral norte fluminense. “Sambaquis são estudados principalmente pela arqueologia como um meio de reconstituir as formas de vida dos povos responsáveis por sua formação, há alguns milênios de anos. Eles apresentam uma estratigrafia – estratos ou camadas de rochas do solo – bastante complexa, com horizontes escuros ricos em nutrientes e elevados teores de carbono orgânico, que contrasta com os baixos valores encontrados nos horizontes de solos subjacentes e adjacentes”, explica o pesquisador.

Para ele, o estudo dos sambaquis é interessante como possibilidade do entendimento dos mecanismos que levaram ao acúmulo de carbono orgânico e de nutrientes, assim como pela possibilidade da replicação destes mecanismos, como forma de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e de contribuir com a mitigação das mudanças climáticas.

Segundo Teixeira, o encontro vai alavancar as pesquisas na área. "O estudo desses solos tem inspirado manejos inovadores. Daremos mais um passo com o estudo da terra dos sambaquis, um exemplo interessantíssimo da combinação de conchas e resíduos orgânicos. Eles podem estabilizar carbono e reter os nutrientes, um dos principais desafios no manejo dos solos tropicais, cuja eficiência da adubação é baixa”, completa.

A cooperação Brasil/Alemanha, fomentada pelo acordo de Cooperação Bilateral FAPERJ –  Deutsche Forschungsgemeinschaft –(DFG), lançado em maio de 2014, busca conhecer melhor os processos físico-químicos pelos quais o ser humano transformou solos pobres em nutrientes em solos férteis, podendo criar uma nova geração de fertilizantes orgânicos. 

O evento reunirá nomes consagrados mundialmente na pesquisa, como Wolgang Zech, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha. Ele foi um dos inovadores no uso de técnicas avançadas de caracterização da matéria orgânica no solo e também é responsável por uma geração de pesquisadores. Grande parte das pesquisas de terra preta de índio, no início, foi feita por seus alunos. Wolgang coordenou grandes projetos no Brasil, como estudos do impacto humano na floresta e planícies inundáveis nos trópicos. No evento, ele vai apresentar resultados de pesquisas de solos modificados pelo homem na Sibéria.

Também da Alemanha, da Universidade de Oldenburg, vem a professora Luise Gianni, uma das principais especialistas nos solos antrópicos europeus. Ela estuda solos criados na Idade Média, que transformaram terras inférteis e arenosas em solos férteis e produtivos.

Madu Gaspar, arqueóloga do Museu Nacional/UFRJ, com longa carreira no estudo de sambaquis, também participará do encontro. Ela é autora de inúmeros trabalhos sobre o tema e responsável pela formação de uma geração de novos arqueólogos.

* Com informações da Assessoria de Comunicação da Embrapa Solos

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