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Publicado em: 27/08/2002

Os Profissionais do Novo Milênio

Os Profissionais do Novo Milênio

Poucos hoje em dia discordariam da afirmação de que vivemos um momento de transição da Era Industrial para o que vem sendo chamado de Era do Conhecimento. Apesar disso, será que nossas universidades estão preparando adequadamente os profissionais que atuarão neste novo século?

Na Sociedade Industrial as empresas eram organizadas de forma hierárquica, onde o trabalho era extremamente controlado e a grande maioria dos funcionários desempenhava um trabalho manual, repetitivo e burocrático e onde havia uma distinção bem clara entre o trabalho manual (dos operários) e o intelectual (dos dirigentes). O profissional ideal para este tipo de empresa era aquele que “não pensava” e que executava com destreza as tarefas para as quais fosse designa- do. Já na economia baseada em conhecimento o valor dos produtos depende cada vez mais do percentual de inovação, tecnologia e inteligência a eles incorporados.

Esta nova sociedade, segundo o sociólogo italiano, Domenico De Masi, se caracteriza pela supremacia de novos valores como a “intelectualização, a não especialização, a ética, a estética, a emotividade, a subjetividade e a feminilização”. Ao invés de funcionários treinados para repetir tarefas burocráticas, de maneira isolada, buscam-se pessoas capacitadas a trabalhar em equipe, exercitando seu intelecto e sua criativi- dade. Ao invés de especialistas extremamente focados num campo específico do conhecimento, privilegiam-se os profissionais multi-especialistas, pessoas com formação multidisciplinar aprofundada, capazes de tratar um problema de maneira holística, com toda a sua complexidade. Mas períodos de transição são repletos de contradições. Novos tempos, velhas práticas. Existe uma anedota que diz que se um engenheiro fosse congelado no início do século, numa fábrica, e descongelado, hoje, no meio de uma fábrica robotizada, perguntaria: Onde estou? Se um médico fosse congelado num hospital do início do século e descongelado hoje, no meio de uma sala de operação com todos os computadores e equipamentos modernos, perguntaria: Onde estou? Se um professor fosse congelado numa sala de aula, no início do século, e descongelado na mesma sala, hoje, continuaria a dar sua aula normalmente, sem perceber nenhuma mudança significativa.

Claro que muito já se fez para tentar adequar a formação profissional às necessidades colocadas pelos novos tempos. Mas temos que reconhecer que estamos atrasados. A maioria de nossas universidades continua formando os mesmos profissionais do pós-guerra, com currículos praticamente idênticos aos desta época. A Sociedade do Conhecimento não pode ser vista como uma ameaça para uma organização que tem tudo para ser a sua nova usina, a sua força motriz. Estamos assistindo a fusão das indústrias de telecomunicações, informática e mídia. Onde estão sendo formados os profissionais que irão trabalhar nesta nova indústria daqui a cinco anos? O meio-ambiente, por exemplo, já deixou há muito tempo de ser uma preocupação exclusiva de alguns ecologistas para se tornar uma área estratégica em relação ao futuro da humanidade. Até quando vamos encarar este assunto como “uma disciplina eletiva” em alguns cursos de graduação? A indústria cultural deve ser a que mais vai crescer na próxima década em todo o mundo. Vamos continuar a encará-la como se fosse uma espécie de “bico”, coisa de quem “não quer nada de sério com a vida”? O debate está lançado. Não precisamos ficar esperando soluções vindas de fora. Podemos começar a trilhar um caminho diferente, desde já! Afinal, como aponta De Masi, “o modelo comunista demonstrou saber distribuir a riqueza, mas foi incapaz de produzi-la. O modelo capitalista demonstrou que consegue produzir riqueza, mas não consegue distribuí-la. Os dois primeiros foram criados por países ricos e poderosos. Acho que o terceiro modelo só pode nascer de países emergentes...”.

Marcos Cavalcanti
Professor do Programa de Engenharia de
Produção da COPPE/ UFRJ

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