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Publicado em: 27/08/2002

Governador Empossa Novo Superintendente da FAPERJ

Governador Empossa Novo Superintendente da FAPERJ

Reitores, professores, cientistas, intelectuais, alunos e amigos compareceram ao Salão Nobre do Palácio Guanabara, no dia 26 de janeiro, para assistir a solenidade de posse do novo Diretor-Suprintendente da FAPERJ, Antonio Celso Alves Pereira. Na presença do Governador Anthony Garotinho, e da Vice - Governadora, Benedita da Silva, o engenheiro Fernando Peregrino, que dirigiu a instituição em 1999 e assumiu a Coordenação Setorial de Desenvolvimento Humano, no início deste ano, passou formalmente o cargo ao ex-Reitor da UERJ.

Durante a cerimônia, o governador destacou a atuação de Fernando Peregrino, frente à FAPERJ, creditando - lhe o mérito de ter conseguido resgatar a credibilidade da instituição junto aos pesquisadores do Estado. Também não poupou elogios ao novo Superintendente, Antonio Celso Pereira. O Governador aproveitou a oportunidade para ratificar seu compromisso de repassar este ano R$ 72 milhões à FAPERJ.

Conheça o perfil do Prof. Antonio Celso, seus planos e projetos na entrevista concedida por ele ao FAPERJ 2000.




Um Intelectual Assume a FAPERJ


Advogado, professor e escri tor, este é o retrato do novo - Diretor Superintendente da FAPERJ. Mas nada se compara ao entusismo com que o intelectual Antonio Celso Alves Pereira abraça novos desafios. Em 26 de janeiro ele assumiu mais um : dirigir a FAPERJ, principal interlocutora entre o estado e a comunidade científica do Rio de Janeiro. Foi em seu estilo mineiro que concedeu sua primeira entrevista ao FAPERJ 2000.

FAPERJ 2000 - Há uma teoria de que o conhecimento é o principal valor da atual sociedade. Qual é a sua opinião em relação a esta tese?

Antonio Celso - Esta tese é uma realidade. Hoje o conhecimento é, sem dúvida, a moeda mais forte de uma nação, de um país. Vivemos num mundo em rede, marcado pela tecnologia da informação e centrado no avanço da ciência e da tecnologia.

FAPERJ 2000 - Como funciona este mundo em rede?


Antonio Celso - A chamada Era da Informação é marcada pela velocidade com que os fatos e os acontecimentos se dão. Hoje, o país que não investe em conhecimento, que não investe em pesquisa para utilizá-la em benefício da sociedade, não terá condição de enfrentar as mudanças geradas pela globalização. Vivemos uma sociedade marcada pelo espetáculo e pelo conhecimento.

FAPERJ 2000 - Em recente entrevista ao Jornal do Brasil o Professor da UFRJ, Muniz Sodré, enfatiza esta velocidade chama atenção para o fato de que as coisas passaram a durar menos do que nós. Segundo ele, as profissões, que eram duradouras, hoje se transformam no decorrer de nossas vidas. Como o Sr. vê essa mudança?

Antonio Celso - Concordo plenamente com o professor Muniz Sodré. Esta é a realidade na qual vivemos. Nós formamos um profissional em qualquer área e em pouco tempo seu conhecimento já está superado. A propóstiro, Paul Virilio, criador de um neologismo interessante - dromologia - afirma que vivemos hoje na era da velocidade, que resume-se a uma pequena equação: conhecimento, informação e velocidade. Quem tem o conhecimento, obviamente tem a informação e precisa da velocidade para operar com esses elementos. Assim, quem tem a rapidez tem o poder.

FAPERJ 2000 - Que impactos e desdobramentos essas mudanças trazem ao universo acadêmico e científico?

Antonio Celso -
Os impactos são grandes. A universidade precisa operar rapidamente profundas mudanças no seu próprio perfil. Algumas pessoas chegam a falar em refundar a universidade. Esta vem, em sua estrutura secular, prestando grandes e importantes serviços à sociedade, mas precisa ser mais ágil e mais veloz para formar quadros adaptados à realidade científica e tecnológica. Seu papel é capacitar os alunos para as novas profissões que surgem e ser, mais do que nunca, um centro de pesquisa, de educação continuada, de aperfeiçoamento e qualificação de pessoal e de formação da cidadania.

"A universidade precisa operar rapidamente profundas mudanças no seu próprio perfil"

FAPERJ 2000 - Hoje as universidades e centros de pós-graduação sofrem uma crescente demanda de profissionais e executivos por cursos de especialização. Trata -se de uma reação ao medo de tornar -se obsoleto perante o atual mercado?

Antonio Celso - Acho que os profissionais estão mais atentos. Hoje não basta se graduar, fazer uma pós-graduação e se atualizar apenas por meio de leituras. O conhecimento adquirido se torna rapidamente obsoleto e, paralelamente, o mercado exige cada vez mais profissionais qualificados e atualizados. Por isso é que a universidade precisa estar apta a assumir seu papel e manter um canal aberto, tanto para o aluno recém - formado, que quer retornar para se especializar, como para o profissional que precisa se reciclar. A universidade não pode mais ser encarada apenas como um centro de formação mas como um espaço de produção do saber e qualificação permanente de profissionais. Por isso ela precisa urgentemente adaptar seu perfil e atuacão diante da realidade que vivemos.

FAPERJ 2000 - A universidade, tal como está estruturada, tem condição de acompanhar esse ritmo acelerado?

Antonio Celso - Ela precisa sofrer uma grande mudança interna. Precisa, também, mais do que nunca, de autonomia e de investimentos permanentes. A universidade é uma estrutura burocrática e, como toda corporação, tende ao conservadorismo. Considero a estrutura departamental da universidade, por exemplo, um grande empecilho, porque

o departamento é estanque, e criado de acordo com áreas e sub - áreas do conhecimento. Não estimula o intercâmbio e interfaces entre os grupos. Contrasta, portanto, com os requisitos do mundo moderno que requer multidisci- plinaridade e interdisci- plinaridade.

FAPERJ 2000 - O Sr. acha que as universidades e os centros de pesquisa estão mais próximos da sociedade e mais atentos às suas demandas?

Antonio Celso - O cientista brasileiro, hoje sabe, que precisa estar integrado às demandas sociais e que seu papel é fundamental para o desenvolvimento do país. Não há como enfrentar a realidade de hoje sem uma estrutura muito eficiente de ciência e tecnologia.

FAPERJ 2000 - Algumas empresas e universidades vêm desenvolvendo trabalhos conjuntos. O que o Sr. acha deste tipo de parceria ?

Antonio Celso - É um ótimo caminho. A interação universidade/empresa é uma comunhão necessária e que no Brasil ainda não tem tradição. São poucas as universidades que fazem isso. Só para dar um exemplo: a parceria da UFRJ com a Petrobrás da qual resultou um enorme avanço tecnológico na área de prospecção de petróleo em águas profundas. Os resultados desta parceria já economizaram bilhões de dólares em divisas ao país.

"O cientista brasileiro sabe que seu papel é fundamental para o desenvolvimento do país."

FAPERJ 2000 - Mas isso não requer uma mudança cultural no setor empresarial brasileiro?

Antonio Celso - Requer um forte trabalho neste sentido. O Brasil não possui uma cultura empresarial que privilegia a parceria da empresa com a universidade. Ambos desconfiam um do outro e êm muito o que aprender. Sabemos que isso é fruto de uma mentalidade atrasada mas é precisa mudar. E não adianta afirmar que somos contra o processo de globalização, que ele é excludente, etc. É excludente, sim, e marcado fundamentalmente pela discriminação aos que não têm condições de competir no mercado. Não adianta lastimar. Temos que ter os pés no chão e sermos pragmáticos para enfrentar a realidade com as mesmas armas utilizadas pelos outros países. A parceria entre universidades e empresas constitui-se numa importante arma, há muito já utilizada em outros países, mas ainda incipiente no Brasil, salvo raras exceções.

"O Brasil não possui uma cultura que estimule a parceria entre empresas e universidades. Sabemos que isso é fruto de uma mentalidade atrasada que precisa mudar."

FAPERJ 2000 - As universidades e os centros de pesquisa vêm se tornando espaços estratégicos em termos mundiais?

Antonio Celso - Não tenho dúvida. Nos países desenvolvidos as universidades e os centros de pesquisas são solicitados frequentemente para dar soluções ou mesmo opinar em estratégias de governo. Suas opiniões são respeitadas e acabam influenciando até mesmo na prioridade de investimento em setores da economia. No Japão, nos Estado Unidos, enfim, nos países do primeiro mundo tanto o governo como as empresas investem muito em pesquisas científicas e tecnológicas. A lógica é simples. Com a globalização, só exporta quem tiver produtos de qualidade a custos acessíveis. E para isso é preciso investir em ciência e tecnologia, em inovação. Considero esse um dos grandes problemas do Brasil.

FAPERJ 2000 - As universidades e os institutos de pesquisa no Brasil, principalmente no âmbito federal, vivem há anos um processo de sucateamento. Optamos pela contramão da história?

Antonio Celso - Sucatear uma universidade e as estruturas de pesquisa de um país não é entrar na contramão da história, é cometer suicídio. Principalmente, hoje, numa sociedade marcada pelo conhecimento. Trata-se de um verdadeiro crime. Graças a Deus no Estado do Rio de Janeiro nós temos um Governador que, mesmo lutando com recursos escassos, vem dando o exemplo de como o poder público deve encarar a ciência e a tecnologia. A despeito das dificuldades enfrentadas pelo Estado, o Governador Anthony Garotinho vem procurando dar à UERJ e à UENF, por exemplo, condições para que elas possam se modernizar. Como ex - Reitor da UERJ acompanhei de perto e sou testemunha do seu empenho. Através da FAPERJ o Estado também vem colaborando com as instituições federais, apoiando seus projetos e pesquisas. O Governo do Estado vem trabalhando no sentido de atenuar as dificuldades enfrentadas pela comunidade científica do Rio de Janeiro, principalmente em decorrência da falta de recursos do governo federal.

"Sucatear as universidades e as estruturas de pesquisa de um país é cometer suicídio."


FAPERJ 2000 - O Estado do Rio de Janeiro possui expressivo capital intelectual e um grande número de instituições científicas. De que forma isto pode contribuir para o desenvolvimento do estado e propiciar melhorias na qualidade de vida da população?

Antonio Celso - Talvez esta seja uma das maiores vantagens comparativas do Rio. O nosso Governador escreveu recentemente um artigo publicado no JB , intitulado, " O Rio de Janeiro investe em inteligência". Nesse artigo ele ressalta a capacidade instalada de pesquisa na cidade que, quantitativa- mente, é a maior do país, pois temos, concentrado, o maior número de instituições e centros de pesquisa, e qualitativamente é fabulosa, em função do nível e da categoria dos nossos pesquisadores. O que precisamos realmente é apoiar essa comunidade. Em 1999, sob a administração do engenheiro Fernando Peregrino, a FAPERJ recuperou sua credibilidade junto a comunidade científica. O trabalho foi notável e a comunidade reconhece. Nosso Governador compreende a importância desta área e desde a campanha eleitoral falava da necessidade dos órgãos do Estado do Rio de Janeiro manterem - se conectados, através da FAPERJ, com a capacidade instalada de pesquisa no Rio de Janeiro.

FAPERJ 2000 - Em sua gestão a FAPERJ vai manter esse papel de interlocução entre o estado e a comunidade?

Antonio Celso - Não tenha dúvida. E vamos trabalhar muito porque são grandes os projetos que estão em andamento no Estado. Este passa por uma profunda reformulação. É um dos poucos Estados do país que está crescendo a taxas bastante consideráveis. No ano passado crescemos em torno de 10% . A estimativa é de que este ano continuaremos a crescer frente a uma economia estagnada no resto do país, cujo crescimento previsto é da ordem de 3 a 4%. Nós vamos dar nossa grande contribuição para esse crescimento. A FAPERJ continuará sendo a principal interlocutora entre o Estado e a comunidade científica, e participará do projeto de modernização do Estado.

FAPERJ 2000 - Em sua posse o Governador elogiou muito a atuação da FAPERJ e ratificou seu compromisso de que este ano repassaria R$ 72 milhos à instituição. O senhor pretende priorizar investimentos em determinadas áreas ou setores?

Antonio Celso - Nós vamos continuar o trabalho que vem sendo feito, ou seja, apoiar os projetos de pesquisa relevantes para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Rio de Janeiro. Temos hoje um déficit social muito grande. O Governo tem que resgatar uma conta histórica, pesadíssima, e o Governador Anthony Garotinho está fazendo um esforço enorme para que o Estado possa avançar e melhorar em suas estruturas básicas, como educação, saúde, meio ambiente e políticas sociais. A FAPERJ tem um papel importante a desempenhar junto com os cientistas do Rio na busca dos instrumentos que tornarão possível melhorar as condições de vida no Estado.

"Queremos apoiar projetos que tragam benefícios ao nosso estado."


FAPERJ 2000 - O ex-Superintendente da FAPERJ,

Fernando Peregrino, está à frente da Coordenadoria de Desenvolvimento Humano, à qual a FAPERJ está subordinada. Este fato pode estimular a interação e parcerias de outras áreas do Governo com a FAPERJ?

Antonio Celso - Conhecendo bem Fernando Peregrino, sei que ele está nessas altas funções mas com o coração na da FAPERJ. Como coordenador da área que engloba o desenvolvimento hu mano do Estado, tenho certeza de que vai nos ajudar, e muito. O mesmo esperamos da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia à qual nossa Fundação é vinculada. Esperamos manter uma interlocução permanente com as Secretarias e órgãos do Estado. A FAPERJ é um instrumento fundamental de apoio à formulação de políticas públicas do Estado e de desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Rio de Janeiro.

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