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Publicado em: 27/08/2002

Transgênico no Combate à malária

Transgênico no Combate à malária

Trinta e cinco por cento da população mundial é propensa a contrair malária. A doença atinge anualmente 400 milhões de pessoas e responde por 2 milhões de óbitos por ano. Diante desses números, pesquisadores de vários países vêm unindo esforços no intuito de erradicar a doença. Para alguns cientistas a solução pode estar no próprio mosquito transmissor da malária, após passar por uma modificação genética.

O mosquito transgênico está a caminho. No Brasil, ainda em fase inicial, a pesquisa vem sendo conduzida no Departamento de Entomologia da Fiocruz. Os pesquisadores estão analisando as características embrionárias do inseto transmissor. Mas é preciso fazer inúmeros testes antes de inserir nova informação genética no mosquito, inclusive para precisar o momento e local exato onde deve ser injetado o material genético. “É fundamental que esse novo gene seja inserido nas células ligadas à reprodução do inseto, pois só assim ele irá transmitir as novas características para os filhotes”, explica a bióloga da Fiocruz, Denise Valle.

Até agora os únicos experimentos de modificação genética realizados em mosquitos foram feitos no Aedes Aegypti. Mas ainda não foram inseridas características capazes de erradicar a dengue”, declara a pesquisadora.

No caso da malária, depois de produzido o mosquito transgênico e testados os impactos que podem causar à natureza, os pesquisadores pretendem lançá-los nos locais onde o problema de transmissão é mais crítico. As novas características do inseto serão transmitidas através da reprodução. “De acordo com cálculos teóricos, 50 gerações de mosquitos serão suficientes para erradicar a doença”, afirma a bióloga da Fiocruz.

Para garantir que os insetos passem a informação genética rapidamente para as seguintes gerações, os pesquisadores buscam uma forma de “burlar” a lei de Mendel, que trata da herança das características adquiridas. “Para ser eficaz o novo gene terá movimento, sendo capaz de garantir que mais da metade dos filhotes herdem a nova caracterísitca”, afirma.

A malária é contraída através de um inseto que já tenha picado anteriormente alguém com a doença. A transmissão só se dá após aproximadamente quinze dias, quando o parasita chega as glândulas salivares do mosquito. Outra forma de contágio é a transfusão de sangue.

Amazônia: 99% dos casos

Ainda não foi descoberta vacina que previna a doença. O tratamento utilizado baseia-se em quimioterápicos. “Mas é preciso avaliar com cuidado a medicação utilizada, pois em diferentes regiões do mundo o parasita já adquiriu resistência”, alerta a pesquisadora.

No Brasil, 99 % dos casos de malária ocorrem na Amazônia Legal. A África é a maior difusora da doença no mundo, sendo responsável por 90% dos casos. “Em algumas regiões do continente africano uma pessoa pode receber de 10 a 1000 picadas de mosquito infectado ao ano. Tal nível de incidência acaba fazendo com que a pessoa crie resistência a doença”, diz Denise.


“Alguns insetos transmissores, como o Anopheles Darlingi, comum no Brasil, sobrevivem somente por volta de um mês. Isso dificulta a transmissão”. Já na África, existe o temido Anopheles Gambie, que pode viver vários meses. É esse mosquito que mais preocupa a comunidade científica, sendo o grande alvo dos estudos”, explica a pesquisadora

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