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Publicado em: 27/08/2002

Cientistas da UFRJ Descobrem Crocodilo de 135 milhões de anos

Cientistas da UFRJ Descobrem Crocodilo de 135 milhões de anos

Após 33 anos de pesquisa e muita persistência, cientistas do Departamento de Geologia da UFRJ descobriram um fóssil de crânio de crocodilo que viveu no Brasil há 135 milhões de anos. A descoberta foi feita em novembro de 1999, no Maranhão, na área de Itapecuru - Mirim, a 120 km de São Luís, mas só agora revelada pelo geólogo Ismar de Souza Carvalho, professor adjunto daquele departamento.

O crânio, que mede cerca de 10 cm, pertence a um crocodilo da família Notosuchiadae, provavelmente um crocodilo jovem com aproximadamente 80 cm de comprimento (os adultos não passavam de 1 metro). Segundo o pesquisador, trata -se do crânio de um crocodilo que viveu na mesma época em que os dinossauros, no período Cretáceo.

Ismar Carvalho, um dos pesquisadores contemplados recentemente com a bolsa Cientistas do Nosso Estado, concedida pela FAPERJ, explica que após ter sido descoberto, o crânio teve de ser retirado da rocha e preparado, um trabalho minucioso que demandou longo tempo. Tal tarefa ficou a cargo do biólogo Pedro Henrique Nobre, um dos integrantes do grupo multidisciplinar, composto, ainda, pela bióloga Lilian Paglarelli Bergqvist, pelo paleontólogo Antonio Carlos Sequeira Fernandes e pelo técnico em química Angelo Paschoaletti e da bióloga Itapotiara Villas - Boas. O projeto também conta com o apoio do Professor Manoel Alfredo de Medeiros, da Universidade Federal do Maranhão, e da Secretaria de Cultura do Maranhão.

Descoberta é resultado de 40 anos de pesquisa

O crocodilo foi batizado deCandidodon itapecuruense em homenagem ao professor Cândido Simões Ferreira, que iniciou a pesquisa em 1962. “Na época o professor Cândido coletou alguns dentes isolados que foram identificados como sendo de um crocodilo. Só que nós não conhecíamos o crânio e os outros restos esqueletais desse animal. Desde então, continuamos o projeto e, a partir do final da década de 80, com suporte financeiro da FAPERJ, foi possível realizar trabalhos de mapeamento geológico e de prospecção em novos sítios fossilíferos, o que nos permitiu descobrir um afloramento que possui fósseis com o crânio, parte do esqueleto axial (membros e coluna cervical) que estão associados aos dentes encontrados há 33 anos” - relatou Carvalho.

Para o pesquisador, o Candidodon itapecuruense apresenta dentes caniniformes, pré-molariformes e molariformes, semelhantes, inclusive, a dentes de mamíferos. Essas características levam a crer que os crocodilos notossúquios deviam ter uma dieta alimentar variada, desde vegetais, insetos e peixes até outros pequenos vertebrados terrestres. O aspecto do crânio, com uma parte do “focinho” muito curta, indica seu caráter terrestre. Ainda que tenha vivido próximo a corpos d’água, ele podia caminhar por longas extensões continente adentro.

O grupo de crocodilos notossúquios está extinto. Eles se restringiam ao antigo continente GONDWANA - localizado no hemisfério sul, a partir do Triássico-Superior, e formado pela América do Sul, África, Austrália, Índia e Antártica. Indícios que levam os pesquisadores a deduzir que no período Cretáceo tenham existido pontes terrestres ligando a América do Sul à África. Algumas descobertas revelam evidências que confirmam essa teoria. Formas similares do Candidodon itapecuruense, por exemplo, foram encontradas na região do Malawi, na África. Resta saber qual a afinidade entre os dois crocodilos. Mas para isso será preciso datar as rochas do Maranhão e as do Malawi.

Próxima Expedição

Para realizar esse trabalho, o grupo do professor Ismar conta com o apoio de especialistas do CENPES - Centro de Pesquisa da Petrobrás. A datação é feita com material palinológico - pólen e esporos fossilizados, o que dá um resultado bastante preciso. “Uma vez concluída a datação, teremos uma posição mais clara sobre o processo migratório desses crocodilos, ou seja, se os encontrados no Brasil foram para a África ou se os africanos vieram para o Brasil”, explica o professor. Mas o trabalho não se esgota aí. Agora, a prospecção geológica na área de Itapecuru-Mirim será intensificada. “A partir de julho, quando o nível das águas do rio Itapecuru começarem a baixar, faremos uma expedição ao Maranhão, graças aos recursos da bolsa Cientistas do Nosso Estado. Lá, vamos fazer uma grande escavação paleontológica na região ao longo do vale do rio Itapecuru, à procura de novos fósseis desse crocodilo e de toda a fauna que se encontra associada a ele”, explica. A escavação será coordenada pelo geólogo Marco Aurélio Vicalvi. Um trabalho que pode trazer contribuições inestimáveis para a compreensão das transformações dos ecossistemas terrestres durante o Cretáceo no Brasil.

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