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Publicado em: 27/08/2002

Pesquisa Revela Mudanças no Perfil dos Freqüentadores de Shopping do Rio

Pesquisa Revela Mudanças no Perfil dos Freqüentadores de Shopping do Rio

Compras e pacotes tornaram-se apenas um dos ítens na agenda dos freqüentadores de shopping centers. Hoje, ir ao shopping pode ter inúmeros significados, como cortar o cabelo, ir ao cinema, ao restaurante,dançar, engraxar os sapatos, malhar e até mesmo relaxar num spa. Todas essas opções e facilidades vêm atraindo cada vez mais um grande número de pessoas, de diferentes idades e classes sociais, tornando os shoppings uma espécie de Torre de Babel da modernidade. Babel no verdadeiro sentido, um espaço que reúne um monte de gente, de tribos diferentes, que não se comunica e não se integra. Pelo menos é este o primeiro resultado demonstrado na pesquisa desenvolvida por uma equipe da Escola de Serviço Social da UFRJ, que vem estudando o ambiente e o comportamento dos usuários de dois shoppings do Rio, o Barra Shopping e o West Shopping, em Campo Grande.

Segundo a professora da UFRJ e coordenadora da pesquisa, Rosemere Santos Maia, o que ocorre no shopping é uma relação intraclasse, ou seja, as pessoas de classe média e alta que costumam ir ao local não se relacionam com os usuários das classes populares. Ou seja, são tribos distintas que, simplesmente, freqüentam um ambiente comum. A discriminação dos ricos em relação aos pobres foi revelada na pesquisa. "Os integrantes das classes populares se espelham na classe média e expressam o desejo de acompanhar o seu ritmo. Por sua vez, os mais abastados revelam um sentimento de tolerância no que se refere a divi dir o mesmo espaço com as classes populares. Alguns moradores da Barra, por exemplo, chegaram a confessar durante a entrevista que evitam ir ao shopping em determinados horários e dias. Eles preferem ir pela manhã e à noite e fogem dos finais de semana", revela a professora.

A pesquisa começou em abril de 99 e já contabiliza mais de 30 entrevistas com freqüentadores dos dois shoppings. A equipe da Escola de Serviço Social da UFRJ pretende estudar o ambiente, analisar o perfil dos freqüentadores e avaliar de que forma as classes mais populares vêm se adaptando a esses ambientes, evidenciando o grau de entrosamento e discriminação existente entre as diferentes classes. O projeto conta com apoio da FAPERJ e a estimativa é de que esteja totalmente concluído em 2002.

Maquetes da cidade ideal

Os shoppings surgiram no Rio de Janeiro na década de 80. O Rio Sul foi o primeiro a ser inaugurado, em 1981. "Os shoppings foram construídos como maquetes da cidade ideal. O objetivo era atender a classe média. Mas pouco a pouco estes ambientes foram caindo no gosto popular. Hoje ir ao shopping é uma questão cultural, que traduz a sociedade de consumo. Por isso, estar num ambiente voltado para o consumo e poder comprar, nem que seja um refrigerante, é o que faz com que a pessoa se sinta merecedora de estar naquele lugar e incluída na atual sociedade, uma cidadã", constata Rosemere Maia, que alerta para o fato de que são as crianças as mais bombardeadas com os apelos dos meios de comunicação e da sociedade de consumo. "Uma situação que tende a se potencializar no futuro. A cada dia as coisas tornam-se obsoletas com maior rapidez e a exigência da reposição pelo que é mais moderno se impõe", critica.

Atualmente, a Associação Brasileira de Shopping Centers registra 160 filiados espalhados por todo o Brasil. Deste percentual, 100 estão concentrados na região sudeste, sendo que 28 localizados no Rio de Janeiro. O Barra Shopping é o que atrai um público mais diversificado, devido à boa infra - estrutura de transporte, o que facilita o acesso ao local. Até agora a maior concentração de shoppings se dá na Zona Sul e na Barra da Tijuca. No entanto, empreendedores estão investindo na construção de novos estabelecimentos em áreas periféricas, como Campo Grande, e nos subúrbios. "Isso significa, por um lado, o reconhecimento do potencial de consumo dos segmentos populares. Mas também pode ser uma forma de afastá-los das áreas mais nobres, incentivando-os a permanecer nas proximidades de casa. O que poderia ser traduzido como uma segregação espacial e exclusão social", explica Rosemere.

Ilhas de segurança

Mas a opção pelo shopping também está relacionada ao item segurança. A pesquisa demonstra que a atração por estes ambientes deve-se ainda a fatores como a busca pelo distanciamento do caos urbano e da violência. "Estamos vivendo a cultura do medo. As ruas tornam-se a cada dia meros locais de circulação. Antigamente as pessoas iam ao cinema, depois sentavam na praça para conversar, passeavam nas calçadas junto às praias. Hoje preferem ir ao shopping, pois no mesmo local podem ir ao cinema, depois ao restaurante, ainda encontram vaga para estacionar o carro e se sentem mais seguras", afirma a pesquisadora ao repetir conceitos comuns, enfatizados pelos entrevistados. "Embora tenha consciência de que os shoppings não estão totalmente imunes a problemas como roubos ou assaltos, a maioria considera os shoppings ainda mais seguros do que as ruas da cidade", conclui.

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