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Publicado em: 26/08/2002

Tomografia computadorizada pode Melhorar a Saúde do asfalto

Tomografia computadorizada pode Melhorar a Saúde do asfalto

Enxergar o interior do asfalto não é mais privilégio de super-heróis com visão raio X. Através de uma técnica inédita de observação em misturas asfálticas, utilizando tomografia computadorizada, já é possível "enxergar" e acompanhar a evolução das famigeradas trincas no asfalto, campeãs de queixas dos motoristas. Desenvolvida pelo pesquisador do Laboratório de Instrumentação Nuclear da COPPE, Delson Braz, a aplicação desta técnica traz inúmeras vantagens. Ela permite acompanhar a velocidade de deterioração das misturas asfálticas dosadas de maneira convencional e identificar as causas das falhas. Também possibilita propor alternativas, especificando dosagens ideais nas misturas e sugerindo novo dimensionamento das camadas que compõem o pavimento, tornando-o mais adequado e resistente ao tráfego.

As trincas, responsáveis pela deterioração das vias, começam geralmente de baixo para cima e são causadas pela intensidade do fluxo de veículos ou excesso de carga sobre os revestimentos asfálticos. A pesquisa, que conta com apoio da FAPERJ, foi desenvolvida durante a elaboração da tese de doutorado do pesquisador Delson Braz, sob a orientação dos professores dos programas de engenharia civil e nuclear do COPPE, Laura M. Goretti da Motta e Ricardo Tadeu Lopes.

A técnica de tomografia computadorizada é um ensaio que permite visualizar e quantificar a estrutura interna de um corpo, em duas ou três dimensões, sem para isso ter que destruí-lo ou danificá-lo. "A aplicação desta técnica nos permite fazer uma série de estudos no campo da Geotecnia, como avaliar a homogeneidade da mistura asfáltica, identificar os defeitos e seus desdobramentos sobre o comportamento das vias."
- explica Braz. Outra vantagem é que, ao simular o tráfego de veículos e suas cargas, é possível propor a formulação da mistura asfáltica mais adequada ao local que será aplicada, estimando, inclusive, seu tempo de duração. "A utilização desta técnica pode tornar as estradas mais duráveis e confortáveis para o usuário, além de propiciar economia a empresas, órgãos públicos e, principalmente, ao próprio contribuinte" - garante.

Segundo Braz, os ensaios com concreto de cimento, material também utilizado para pavimentação de grandes estradas e aeroportos, ainda se encontram em fase de teste. O pesquisador afirma que até agora o estudo das misturas asfálticas possibilitou uma avaliação precisa do mecanismo de fratura dos materiais, devido a carga de veículos, possibilitando a melhoria nas dosagens das misturas que hoje são feitas nas usinas de asfalto em todo o país.

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