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Publicado em: 26/08/2002

Doenças cardiovasculares: uma luz no fim do túnel

Doenças cardiovasculares: uma luz no fim do túnel

As doenças cardiovasculares são a terceira causa de morte nos países em desenvolvimento, totalizando 16% dos óbitos. O Brasil está entre as 10 nações com maior incidência de casos e responde por 33% das mortes registradas. Nos países desenvolvidos o índice é ainda mais alarmante: 50%. Os Estados Unidos, por exemplo, estão no topo do ranking, a cada 20 segundos um paciente morre de infarto agudo do miocárdio. Diante desse quadro, o médico Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), vem estudando um medicamento, denominado piridostigmina, que pode vir a ser a mais recente descoberta no combate a doenças cardiovasculares.

Os testes já realizados vêm demonstrando que esta droga, já usada no tratamento de doenças neurológicas, pode ser uma importante aliada de pacientes com quadro de infarto, angina, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial. O estudo é inédito em nível mundial e pode diminuir internações e mortalidades causadas por estas doenças. “Até o momento, já conseguimos definir que o uso de piridostigmina em pacientes com doença arterial coronariana é seguro, apresentando poucos efeitos colaterais. Através de eletrocardiogramas constatamos que os efeitos do medicamento são capazes de proteger os pacientes contra a ocorrência de arritmias e morte súbita. Além disso, pacientes medicados com a piridostigmina conseguiram exercitar-se por mais tempo durante testes de esforço em esteira ergométrica”, diz o professor, que realiza a pesquisa com o apoio da FAPERJ. Dentre os efeitos colaterais causados pela droga, o pesquisador ressalta salivação, desconforto abdominal e tremor muscular. “Todos com baixa intensidade e que cedem espontaneamente. Até agora, este tipo de tratamento só tem contra-indicação para portadores de obstrução urinária, como hiperplasia prostática, ou intestina, como tumores de cólon, e deve ser utilizada com cuidado em pacientes asmáticos”, acrescenta. Os testes vêm sendo aplicados, desde 1995, em pacientes do Rio de Janeiro e de Porto Alegre, que foram submetidos a piridostigmina e depois avaliados com eletrocar- diogramas e ecocardiogramas. Também passaram por provas de estresse e de esforço na esteira ergométrica. Segundo o pesquisador, para que a droga possa ser utilizada clinicamente, é preciso que seja realizado um ensaio clínico, em que vários pacientes são tratados com o medicamento e comparados a outros que não utilizaram a droga. Esta etapa do estudo já está em fase de implementação.

Efeitos do medicamento

A piridostigmina inibe uma enzima chamada colinesterase, o que ativa a ação do ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle de funções do sistema cardiovascular. “A lesão deste ramo do sistema nervoso autônomo favorece o aparecimento de arritimias e morte súbita”, explica. A droga foi escolhida como alvo do estudo durante a busca do pesquisador por um medicamento que tivesse ação de estimulação colinérgica, ou seja, que fosse capaz de imitar o ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo. “Durante esse trabalho descobri algumas drogas, mas a piridostigmina me chamou a atenção por já estar disponível no mercado, evitando assim complexas etapas de autorização de uso de novos medicamentos. Pode ser ministrada via oral, o que facilita o uso clínico em comparação ao medicamento injetável. Além disso, tem poucos efeitos colaterais e pode ser comprada a baixo custo”, explica o professor.

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