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Publicado em: 14/08/2002

China e Brasil: Intercâmbio ocorreu um século antes do que indicam registros oficiais

China e Brasil: Intercâmbio ocorreu um século antes do que indicam registros oficiais

De acordo com os livros de história, o primeiro contato entre as culturas chinesa e brasileira ocorreu em 1812. Neste período, técnicos orientais de cultivo de chá chegaram ao país para trabalhar no Jardim Botânico - recém-fundado por d. João VI. Mas o historiador chinês Zhou Shixiu, coordenador adjunto do Programa China - Ásia - Pacífico da Universidade Cândido Mendes, descobriu que as trocas entre China e Brasil começaram um século antes do que dizem os livros e os registros oficiais. "Algumas relíquias encontradas em Minas Gerais, Bahia e Pará revelam que o intercâmbio entre as duas maiores nações em desenvolvimento se iniciou no século XVII", afirmou Zhou Shixiu. O pesquisador tem viajado por vários estados para realizar sua pesquisa sobre a origem do intercâmbio entre os dois países, que conta com apoio da FAPERJ.
Na igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará, Minas Gerais, Zhou Shixiu encontrou seis entalhes chineses no altar, ao lado da imagem de Jesus Cristo. A construção data de 1711. Ainda em Sabará, na igreja Nossa Senhora da Conceição, o pesquisador descobriu uma porta, com motivos orientais, que apresenta pintura e entalhes chineses. Mas de tudo que encontrou até agora, o que mais o entusiasmou foi uma porcelana chinesa, presente do imperador Jia Quing para d. João VI em 1818, considerada por Shixiu a mais preciosa relíquia do intercâmbio entre os dois países. "Trata-se de um prato com borda em decoração portuguesa - representando a cultura ocidental e o Brasil - com caracteres chineses no meio. Esses caracteres revelam a evolução da caligrafia e literatura antiga chinesas. Outros pesquisadores já tinham se deparado com a obra, mas, por não saberem chinês, não puderam constatar a importância do objeto", entusiasma-se o sorridente Shixiu.

O pesquisador também descobriu relíquias chinesas do século XVIII na cidade de Cachoeiras, perto de Salvador, e um pagode chinês em Belém do Pará. O estudo que busca a origem do intercâmbio entre Brasil e China ainda está no início. Mas as peças e obras encontradas até agora animaram o pesquisador, que pretende ir a fundo sobre o tema. O objetivo é estudar, até agosto de 2002, como ocorreu o intercâmbio na cultura, na política e na economia. "A arte e a cultura sempre representam o começo das trocas. No início, ela se dá por meio de mercadorias",afirma.

Shixiu revela que sempre quis realizar essa pesquisa, mesmo antes de ser convidado para vir ao Brasil. Em sua opinião, a China e o Brasil têm grande responsabilidade por serem as maiores nações em desenvolvimento no planeta. "Como os dois países têm um mercado consumidor que chama muito a atenção das nações de primeiro mundo, seus governos deveriam fazer acordos que pudessem ajudar a melhorar as condições de vida da população de países mais pobres, com menos capacidade de barganha", alerta.

Zhou começou seu trabalho pesquisando antigos registros chineses. No Brasil, visitou museus, bibliotecas e fez grande uso do guia de turismo. "Foi pelos guias que encontrei pistas de que poderia achar, em Minas, alguma relíquia chinesa que comprovasse o inter-câmbio entre os dois países. Fui até lá e, quando me apresentava como pesquisador chinês, as pessoas naturalmente indicavam lugares onde tinham visto obras de arte oriental. Dessa forma, fui fazendo as descobertas. Um verdadeiro trabalho de detetive", finaliza.

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