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Publicado em: 14/08/2002

Editorial

Editorial
Despedida com sensação de dever cumprido

Em janeiro de 1999 assumi a presidência da FAPERJ pela segunda vez. Aceitei o missão dada pelo Governador Anthony Garotinho de resgatar a credibilidade da instituição e implementar um trabalho a altura da importância desta agência de fomento para o Estado do Rio de Janeiro. No meu caso, especificamente, desafios funcionam como uma espécie de catalisador capaz de transformar idéias em realizações. Como diz o sociólogo italiano Domenico De Masi, o equilíbrio entre fantasia e concretude é o que faz de um homen um empreendedor e de um sonho uma realidade.

Aceitei o desafio e agradeço ao governador Garotinho pelo fato de ter cumprido todos os seus compromissos com a FAPERJ. Fato esse que me possibilita estar deixando a presidência da fundação com a sensação de dever cumprido. Sentimento que certamente é motivo de orgulho para todo o homen público que tem como principal objetivo servir da melhor maneira ao seu país.

Infelizmente, não posso deixar de lembrar que em 99 recebi uma instituição desmoralizada frente a comunidade científica, com bolsas e auxílios em atraso e sem perspectiva de solução para os seus problemas. Mas fizemos questão de honrar todos os compromissos pendentes e iniciamos uma verdadeira empreitada: reabrimos o balcão, definimos 12 programas estratégicos e começamos a implantar novos projetos no intuito de atender às principais necessidades da co-munidade científica, ignorada, então, pelo governo estadual e esquecida pelo federal. Em apenas três anos, implementamos uma reforma radical na instituição, resgatando a credibilidade até mesmo dos mais céticos, cansados, com razão, de promessas políticas não cumpridas. De 1999 à dezembro de 2001, a FAPERJ investiu um total de R$ 186 milhões no fomento à pesquisa, o que representa 110% a mais do que os R$ 88 milhões aplicados nos quatro anos pelo governo anterior. O número de bolsas passou de 1.529, em 98, para 3070, em 2001, e o número de auxílios simplesmente dobrou, passando de 619 para 1.212, neste mesmo período.

Também vale destacar as leis propostas à Assembléia Legislativa pelo governador, que tratam da ampliação do número de cargos e da criação da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ.

Cientes de que a organização do espaço e a estética são pontos im-portantes no desempenho de uma instituição, em menos de três meses reformamos e modernizamos toda a estrutura física e operacional da fundação, tornando-a mais eficiente, funcional e condizente com o trabalho realizado por esta que é a mais importante agência de fomento do Estado. Como costumo dizer, uma verdadeira jóia da coroa. É assim que a vejo, literalmente. Afinal, é a FAPERJ a fomentadora e guardiã de um banco de dados que abriga o que talvez seja o maior patrimônio de nosso Estado, que é o conhecimento gerado nas universidades e centros de pesquisa. Que bem poderia ser mais valioso no século que se inicia, denominado por alguns intelectuais e acadêmicos como a era do Conhecimento?

O fato de ter assumido o cargo de Coordenador de Desenvolvimento Humano da Secretaria Executiva ajudou-me a reforçar ainda mais o elo já existente entre a Universidade e os temas sociais e estratégicos do Estado. Participamos da implantação de importantes projetos que estão beneficiando diretamente a sociedade, como o do Restaurante Popular Betinho, do protótipo da Delegacia Legal, do Projeto Integrado de Resgate Social do Bairro de São Sebastião, em Japeri, do mais amplo diagnóstico sobre as populações de rua, do Programa Escola de Paz, da Unesco e do Programa de Monitoramento de Políticas Públicas, entre outros tantos.

A FAPERJ é, hoje, sem dúvida alguma, a mais moderna agência estadual de fomento do desen-volvimento social e econômico do nosso estado. Através da sinergia gerada pela cooperação que estabeleceu com as políticas sociais, econômicas e culturais a fundação pôde, pela primeira vez em sua história, atuar como um instrumento de progresso, não apenas da ciência mas do desenvolvimento humano do estado. Construímos um triângulo virtuoso - universidade, governo e sociedade -, do qual ainda vão surgir soluções para muitos de nossos problemas.

Certamente é mais fácil para os governantes gastar recursos em estradas e viadutos do que em pesquisas científicas. No caso do Rio de Janeiro, pela primeira vez, o governo apoiou tanto um quanto o outro. Mas jamais superaremos nossa miséria, nem defenderemos nossa soberania sem o apoio da ciência e da tecnologia. A sociedade que dispensa a participação da ciência não prospera. A ciência que não leva em conta as necessidades da sociedade é inócua.


Fernando Peregrino
Presidente da FAPERJ

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