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Publicado em: 07/11/2014

Um museu virtual de instrumentos

Elena Mandarim

   Tíbia: flauta asteca feita a partir de um osso humano é uma
       das peças curiosas do MVIM
(Foto: divulgação/MVIM)

Se, no dicionário, música é definida como "arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido", no campo social ela é entendida como um elemento cultural que expressa, por meio acústico, um conjunto de valores e símbolos de uma sociedade. Por trás da multiplicidade de definições, o fato é que a música é uma prática inerente ao ser humano e sua diversidade sonora é tão grande quanto a diversidade cultural observada no mundo. Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) lançou o primeiro Museu Virtual de Instrumentos Musicais (MVIM) do Brasil com o objetivo de apresentar ao público, on-line, a enorme variedade de instrumentos, das mais diferentes procedências. No acervo, há exemplares curiosos, como a tíbia, uma flauta de origem asteca feita a partir de uma tíbia humana – osso localizado na perna. Para visitar o MVIM: http://mvim.ibict.br/

Como já existia na universidade o Museu Instrumental Delgado de Carvalho (MIDC), vinculado à Escola Nacional de Música da UFRJ, desativado desde 2008, o projeto está buscando reativá-lo, reestruturá-lo e ampliá-lo, com recursos do edital de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ. Segundo a coordenadora Adriana Olinto Balleste, o primeiro passo foi restaurar e limpar as peças da coleção, de modo a catalogá-las de forma digital com fotos e com novas etiquetas. Depois, um intenso trabalho de pesquisa foi, e continua sendo, realizado para agregar mais informações sobre cada um dos instrumentos. "No ambiente virtual, onde tudo isso foi agrupado, podem ser encontradas informações detalhadas, imagens, áudios e vídeos de cada instrumento", comemora Adriana, formada em ciências sociais, com doutorado em música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

 Para Adriana, o museu virtual cria 
 dinamismo entre o conhecimento e
seu visitante
(Foto: divulgação/MVIM)  

O acervo é rico e diversificado: inclui desde instrumentos bastante conhecidos pelos brasileiros, como o violino e o bandolim, até outros inusitados, como yueqin e sarangi, respectivamente, da China e da Índia, que, de acordo com a pesquisadora, tal como os dois primeiros, fazem parte da família dos cordofones, os instrumentos de corda. “O sarangi, por exemplo, é um instrumento com sonoridade muito próxima da voz humana, encontrado na música do norte da Índia e do Paquistão. Por volta do século XIX, ele ficou muito associado às dançarinas. No entanto, no século seguinte, sua popularidade caiu devido, entre outros fatores, ao aumento da visibilidade do seu rival, o harmonium”, exemplifica Adriana. O visitante virtual poderá conhecer ainda famílias, como a dos aerofones – os instrumentos em que a vibração da coluna de ar soprado produz o som, como é o caso da flauta e da trompa; idiofones – instrumentos rígidos que produzem o som pela vibração do seu próprio corpo, como as baquetas, os pratos e os triângulos; e membranofones – instrumentos de membranas, nos quais o som é produzido pela contração e descontração de uma membrana, como o tambor.

A pesquisadora ressalta que o museu virtual foi todo pensado para facilitar a navegação dos visitantes e estimular todos os sentidos possíveis. Dessa forma, sempre que possível, foram acrescentados os áudios que mostram o som daquele instrumento, bem como vídeos de como ele é tocado, além de fotos e textos informativos. "O acréscimo de informações aprofundadas e de bibliografias recomendadas tem como objetivo atender principalmente a demanda de alunos e de pesquisadores de música, que sempre procuram mais conhecimentos sobre o assunto", afirma Adriana, que destaca o trabalho de pesquisa da bolsista da FAPERJ dedicada ao projeto, Álea de Almeida.

       De origem indiana, o sarangi é um 
        dos instrumentos da família dos
       cordofones
(Foto: divulgação/MVIM)

Um dos objetivos futuros de Adriana é ampliar o número de itens do museu, inclusive adicionando instrumentos tipicamente brasileiros, como cavaquinho, violões modernos e cuíca, entre outros. Outra meta é agregar ao museu um espaço lúdico, com jogos interativos, voltado para atrair o interesse dos estudantes, visto que a disciplina de música passou a ser obrigatória nas escolas da rede pública. "Também estamos pensando organizar, como atividades complementares, a apresentação de orquestras formadas por alunos e professores. Muitos dos nossos instrumentos estão em perfeito estado de conservação e podem ser perfeitamente tocados", aposta.

Segundo Adriana, nos planos dos pesquisadores envolvidos está também, quem sabe um dia, reabrir o museu em um espaço físico. Enquanto isso não é possível, foram adquiridas capas específicas para cada instrumento e armários próprios para acondicionar adequadamente todo o acervo. "Embora seja importante a recuperação dos museus físicos, isso não invalida a importância de se ter uma coleção virtual, que é um museu sem fronteiras, capaz de criar um dinamismo entre o conhecimento e o seu visitante", conclui.

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