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Publicado em: 29/08/2013

Pesquisa avalia potencial do cultivo de algas exóticas

Danielle Kiffer

 

Fotos: Divulgação

          

         Cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii: pesquisa mapeia litoral 
        brasileiro e analisa locais em que pode haver risco ao meio ambiente

O que as tintas para tecido, shampoos, sorvetes e leite achocolatado podem ter em comum? Em alguns deles, é empregada a carragenana – um ficocoloide, substância extraída de algas marinhas que, por suas propriedades em promover maior cremosidade, consistência e homogeneidade, conferindo-lhes a consistência de gel, tem ampla aplicação industrial. Para isso, a espécie mais empregada costuma ser a macroalga vermelha Kappaphycus alvarezii, natural da região tropical do oceano Índico e do Pacífico ocidental. Por ser de fácil cultivo e com tecnologia de produção já consolidada, nos últimos anos, essa alga tem sido massivamente exportada para cultivo em várias partes do mundo, inclusive o Brasil.

Contudo, por não ser uma espécie nativa do País, essa alga vermelha pode representar uma ameaça à fauna e flora dos mares brasileiros. Para averiguar seu potencial invasivo, a bióloga Renata Perpetuo Reis, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e a oceanógrafa Beatriz Castelar, pesquisadora da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), fizeram um mapeamento do litoral brasileiro. "Nosso objetivo foi analisar o risco que essa macroalga pode oferecer ao meio ambiente", explicam as pesquisadoras. Coordenado por Renata, o estudo "Cultivo de macroalgas nativas: alternativas sustentáveis para o incremento da maricultura no estado do Rio de Janeiro" teve apoio da FAPERJ por meio do edital Prioridade Rio. A pesquisa também conta com a parceria do Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (IED-BIG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da empresa de cultivo de algas Algamar.

Para iniciar o levantamento, as pesquisadoras compararam as condições do mar das diferentes regiões brasileiras, considerando a temperatura, salinidade, profundidade, pH e nutrientes na água, às condições do mar da região indo-pacífica de onde K. alvarezii é originária. Esses dados também foram comparados às características do litoral de três países nos quais o cultivo da macroalga invadiu parte do ecossistema marinho, como a Venezuela, a Índia e o Havaí.

No Brasil, a pesquisa apontou que, no Nordeste brasileiro, o risco de K. alvarezii tornar-se uma espécie invasora é alto, particularmente nas regiões onde há presença de recifes de corais, que se estendem desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. "Por outro lado, em nosso estudo, vimos que áreas não contempladas na legislação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais (Ibama) para o cultivo da espécie, especialmente entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina, podem ser revistas, pois apresentam baixo risco de que a espécie se torne invasora. De qualquer forma, sempre recomendamos que o monitoramento seja permanente, já que se trata de uma espécie exótica", afirma Beatriz Castelar.

 
                  
       K. alvarezii: dela se extrai a carragenana, substância que 
       confere cremosidade a diversos produtos industrializados 
 

Para as localidades em que não deve haver cultivo da K. alvarezii, a pesquisa está desenvolvendo tecnologias para o aproveitamento de espécies nativas que tenham o mesmo potencial. Segundo Renata, uma possibilidade é a Hypnea musciformis, que, mesmo não tendo apresentado bom potencial de desenvolvimento no litoral fluminense, se desenvolveu bem na costa nordestina e no Espírito Santo. "Esta macroalga produz o mesmo ficocoloide que a K. alvarezii, com boas respostas de cultivo no Nordeste, justamente nos trechos onde foi detectado um alto risco ambiental pela espécie exótica", explica a bióloga.

Apesar de não produzirem o ficocoloide similar ao da K. alvarezii, outras macroalgas nativas podem ter um excelente potencial comercial. Beatriz aponta a Ulva flexuosa, uma alga verde, como uma espécie de rápido crescimento, que tem demonstrado uso potencial como matéria-prima para produção de aditivos agrícolas, com comprovada eficiência no combate a pragas e doenças em plantações. "Em nossos experimentos, conseguimos determinar processos eficientes de produção dessa alga, que tanto apresentou bom crescimento no mar quanto em tanques. Seu ciclo ideal de produção é de apenas 15 dias, o que pode gerar até 24 ciclos de colheita ao ano, o que, do ponto de vista comercial, é excelente. Além disso, estamos testando novos usos para essa espécie, como, por exemplo, o combate a fungos típicos dos tomateiros", explica Beatriz.

Também está sendo avaliada no projeto a Gracilaria birdiae, outra espécie de alga vermelha que produz ágar, substância empregada na fabricação de balas, cosméticos e meios de cultura. Em seu estudo, as pesquisadoras estão tentando desenvolver uma forma de cultivo eficaz para a espécie no Estado, que já é explorada artesanalmente por pequenos produtores do Nordeste. "No Rio de Janeiro, ainda é necessário o desenvolvimento de uma técnica de cultivo adequada às condições marinhas locais, principalmente nos períodos das entradas de frentes frias, com muitas ressacas, que não costumam ser benéficas para a maricultura dessa alga", complementa a oceanógrafa. "Mostrando as vantagens de nossas espécies nativas, incentivamos nossos maricultores artesanais a investir, difundir e ampliar seu cultivo. E, dessa forma, ainda reduzimos a possibilidade de riscos ambientais. A natureza e a economia só têm a ganhar", finaliza Castelar.

 

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