O seu browser não suporta Javascript!
Você está em: Página Inicial > Comunicação > Arquivo de Notícias > O céu dos artistas é o mesmo céu que o dos cientistas
Publicado em: 06/06/2013

O céu dos artistas é o mesmo céu que o dos cientistas

Vinicius Zepeda

Foto: Reprodução 
     
 Segundo astrônomos, em Noite Estrelada (1888-1889),
   o céu pintado correspondia exatamente ao céu real


Considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, Vincent Van Gogh (1853 - 1890) tinha o céu como um dos elementos mais comuns em sua obra. Em 2002, a brasileira Luciana Godoy ponderou sobre a veracidade científica do céu retratado em Noite estrelada (1888-1889), uma das mais famosas telas do pintor. "Astrônomos contemporâneos reconstituíram em laboratório o céu de acordo com informações obtidas em cartas, sobre data e local em que a tela havia sido pintada. Na comparação entre o céu reconstituído e aquele pintado pelo artista, os astrônomos confirmaram a colocação exata das estrelas e a posição da lua na tela, revelando a observação de Van Gogh em relação à natureza", afirmou Luciana. A partir da constatação de que os processos na arte e na ciência estão mais relacionados do que podemos imaginar, foi elaborada a exposição "O Céu dos Artistas", que busca aproximar a visão artística sobre a observação celeste feita por pintores de diferentes épocas e nacionalidades, daquela dos cientistas.


Desenvolvida com recursos do edital Apoio à Produção e Divulgação das Artes, da FAPERJ, e da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj/Cecierj), a mostra está em cartaz no Museu Ciência e Vida, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, até o final do mês de julho, com entrada gratuita e voltada para o público de todas as idades. Além de Noite estrelada, de Van Gogh, outros seis totens imantados apresentam a visão celeste segundo pintores, como a brasileira Tarsila do Amaral (Sol poente), Joan Miró (Constelações: Despertar da manhã), Marc Chagall (Os amantes no céu de Veneza), Henri Matisse (A queda de Ícaro),  Wassily Kandinsky (Céu azul) e Edvard Munch (O sol).

Segundo a curadora da mostra, Thelma Lopes Gardair, mestra em Teatro e doutora em Ciências da Comunicação, os painéis, que são reproduções das pinturas originais, contêm fichas técnicas sobre cada obra e seu autor, bem como contextualização histórica. "Ao mesmo tempo em que o público se depara com visões artísticas acerca do céu, ele também é convidado a visitar o planetário permanente do Museu Ciência e Vida, onde pode articular a visão dos artistas ao ponto de vista científico sobre origem e formação dos corpos celestes apresentados nesse espaço", complementa.

Divulgação/Cederj-Cecierj 

         
       Estudantes acompanham a exposição durante festival de
       animação da cidade de Teresópolis, região serrana do RJ


Durante a exposição, o visitante pode também observar o totem que mostra o céu segundo a mitologia de diferentes povos que habitaram ou continuam habitando o planeta, como astecas, bambaras africanos e guaranis. "E um outro painel, intitulado "O céu na boca dos poetas", apresenta o ponto de vista dos poetas através de letras de músicas, como Tendo a Lua (Paralamas do Sucesso); Chão de estrelas (Orestes Barbosa e Silvio Caldas), Segundo Sol (Nando Reis), entre outras", acrescenta.

A curadora da exposição também chama a atenção para os três totens interativos, desenvolvidos em conjunto com a programadora visual da Fundação Cecierj, Andréa Fiães, e concebidos especialmente para o público infanto-juvenil. São dominó/jogo da memória, quebra-cabeça e Você é o artista. "No dominó, as peças são reproduções das obras que devem ser associadas a seus respectivos pintores, enquanto no jogo da memória as obras e pintores devem ser identificados em pares", descreve Thelma. Há também o quebra-cabeça, composto por grandes placas imantadas que compõem dois quadros de Tarsila do Amaral, O sol poente e A lua. "Em Você é o artista, sobre a superfície imantada do totem, os visitantes podem compor seu próprio céu com elementos que retratam o dia e a noite, como imagens de sóis, luas, pipas, planetas ou estrelas", explica.

Inaugurada no dia 30 de abril, a exposição vem despertando a curiosidade do público. Já recebeu mais de 2 mil visitantes, com uma média de 70 pessoas por dia. Antes da inauguração, houve uma exibição teste do Museu Ciência e Vida no município de Teresópolis, região serrana fluminense, em abril, integrando a mostra de animação Anima Terê. "Em poucos dias, recebemos um público de 1.432 visitantes. Então, se somarmos o público das duas cidades, tivemos mais de 3.500 visitantes em um período relativamente curto", afirma Thelma.

Arquivo Pessoal 
       
Thelma Gardair é responsável
pela curadoria da exposição
 
A qualidade de "O céu dos artistas" também vem recebendo o reconhecimento para os responsáveis pela programação de atividades do Museu Ciência e Vida, em especial da coordenadora da instituição, professora Monica Dahmouche. Inicialmente prevista para ficar apenas um mês, a exposição foi estendida. "Com o sucesso da mostra, ela foi prorrogada por mais dois meses e ficará no museu até 30 de julho", entusiasma-se Thelma. Em seguida, será incorporada a outro projeto da Fundação Cecierj: a Caravana da Ciência – uma carreta móvel que leva diversos atividades, como planetário inflável e experimentos científicos para escolas e espaços públicos de cidades do interior do estado, coordenado por Natasha Von Held.

Apesar de ser a terceira maior cidade do estado, só perdendo para a capital fluminense e para o município de São Gonçalo, Duque de Caxias ainda carece de opções culturais e educativas. Com isso, a exposição ganha uma importância ainda maior para a população local e dos municípios do seu entorno. Com certeza, após conhecer a mostra, o visitante poderá confirmar com seus próprios olhos o que provavelmente jamais havia passado por sua cabeça: que o céu retratado pelos artistas é o mesmo descrito pelos cientistas.

"O céu dos artistas" 
Exposição gratuita. Até 30 de julho
Visitação: De terça a sexta-feira, de 9 às 17h, sábados, de 10 às 14h
Local: Museu Ciência e Vida - Rua Aílton da Costa s/n, Bairro 25 de Agosto, município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense
Mais informações: 2671-7797, contato@museucienciaevida.com.br
e http://www.museucienciaevida.com.br

Compartilhar: Compartilhar no FaceBook Tweetar Email
  FAPERJ - Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
Av. Erasmo Braga 118 - 6º andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ - Cep: 20.020-000 - Tel: (21) 2333-2000 - Fax: (21) 2332-6611

Página Inicial | Mapa do site | Central de Atendimento | Créditos | Dúvidas frequentes