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Publicado em: 02/05/2013

Seminário discute políticas públicas para a cooperação internacional em C,T&I

 

Lécio Augusto Ramos 

          
     O auditório da ABC ficou lotado com representantes da comunidade científica e tecnológica
 

Um painel das políticas públicas nacionais e estaduais para a internacionalização da Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) foi apresentado no seminário promovido pela FAPERJ, na terça-feira, 30 de abril, no auditório da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Com o tema "Cooperação Internacional em Ciência, Tecnologia e Inovação: panorama, desafios e oportunidades", o debate reuniu gestores de diversas agências federais e estaduais de fomento à pesquisa, além de representantes de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e da administração pública, que compartilharam suas respectivas experiências à frente dos programas de internacionalização.

 

Durante a abertura do seminário, o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Gustavo Reis Ferreira, ressaltou que o estado do Rio de Janeiro vem assumindo um papel protagonista em C,T&I no cenário nacional e atraindo investimentos de outros países para o setor. “Alguns pontos fundamentais para esse cenário favorável no estado são a criação da Rede das Assessorias de Relações Internacionais das Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro (Reari-RJ), formalizada na semana passada; a assinatura de acordos de cooperação com instituições estrangeiras para o desenvolvimento de políticas públicas, como a Columbia University, e o programa federal Ciência Sem Fronteiras”, detalhou o secretário. E foi além: “É fundamental trabalhar na articulação das universidades com as entidades de pesquisa e fomento, e empresas.”

 

O presidente da FAPERJ, Ruy Garcia Marques, citou algumas das principais iniciativas que vêm sendo desenvolvidas pela Fundação na área de cooperação internacional. “Em 2010, criamos a bolsa doutorado-sanduíche. Estamos propondo para esse ano de 2013 um programa de bolsas para atrair doutorandos do exterior para nossos programas de pós-graduação de excelência, como um doutorado-sanduíche reverso, e lançamos em abril um edital de cooperação bilateral com o Conicet – Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de La República Argentina”, disse Marques. “Diversas instituições do exterior têm procurado a FAPERJ espontaneamente para articular parcerias. No passado, éramos nós, obrigatoriamente, que procurávamos essas instituições”, acrescentou.

 

Lécio Augusto Ramos 
      
A mesa de debates no turno da manhã foi formada por Edson Corrêa;  
 Glaucius Oliva; Pedro Spadale; Ademar Seabra; e Geraldo Sobrinho


O diretor de Tecnologia da FAPERJ, Rex Nazaré, justificou a escolha do paradigma “panorama, desafios e
oportunidades” como fio condutor do seminário. “O panorama é um mundo onde o processo de comunicação acelerou a troca de informações e a disponibilidade de meios para a sociedade, e a transferência dos benefícios oferecidos pela tecnologia e ciência. Os desafios são típicos de um país emergente em um mundo globalizado, em que a cobrança e as informações fluem com mais velocidade. E as oportunidades surgem com as empresas que vêm se deslocando para nosso estado, e nos resultados esperados”, explicou Nazaré.   

 

Para a presidente do Conselho Superior da Fundação, a médica e professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Eliete Bouskela, a realização do seminário ocorreu em um momento propício para o debate sobre a internacionalização em C,T&I. “É extremamente importante discutir esse assunto agora, quando o Brasil está mobilizando um número enorme de bolsas no Ciência Sem Fronteiras”, disse a Cientista do Nosso Estado. Por sua vez, o presidente da ABC, Jacob Palis, também destacou a importância desse programa federal. “O Ciência Sem Fronteiras acertou o ritmo por não apenas enviar jovens de talento para o exterior, mas também por trazer cientistas renomados. O Brasil precisa dessa troca de experiências com os estrangeiros e o estado do Rio de Janeiro vem, honestamente, importando cientistas de qualidade. Esse é o caminho”, afirmou Palis.

  

Somando esforços para a internacionalização da pesquisa

 

Ao longo do dia de intensos debates, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, destacou o fato do estado do Rio de Janeiro ter o maior parque tecnológico de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do País, localizado no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão. “O estado do Rio de Janeiro percebe o papel central da C,T&I para o desenvolvimento, que deve extravasar os muros da academia e chegar às empresas e à sociedade. A internacionalização faz parte disso, e suponho que a língua falada naquela parte do Fundão em breve será o inglês”, disse. Para Oliva, na condição de país emergente que desponta entre os Bricks – grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e Coréia do Sul, na classificação do relatório Building Bricks, da agência Thomson Reuters –, o Brasil tem um diferencial econômico. “As ciências da vida são responsáveis pela maioria da produção científica brasileira, o que representa uma vantagem competitiva, porque o século XXI é o século da biologia”, assinalou.


Lécio Augusto Ramos 

               
               A segunda mesa de debates, à tarde, contou com Debora Foguel; Hernan 
          Chaimovich; José Policarpo; Jerson Lima Silva; Mônica Heilbron; e Antonio Prado


Um ponto destacado pelo chefe da Divisão de Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ademar Seabra da Cruz, é a necessidade de se definir a estratégia de inserção internacional em C,T&I a partir do perfil da economia regional. “No Itamaraty, procuramos fazer uma diplomacia baseada nas demandas concretas de desenvolvimento econômico e tecnológico da sociedade. O estado do Rio de Janeiro deve procurar estabelecer um foresight tecnológico, um planejamento estratégico que considere as cadeias produtivas locais e globais. A partir do levantamento dos ativos tecnológicos do estado, teríamos condições de se estabelecer uma interação mais complexa para buscar o desenvolvimento de determinados setores que não estão necessariamente contemplados na agenda das universidades”, afirmou. “Este seminário não é apenas expositivo, é um convite para a organização de uma estratégia nesse sentido, para não sermos conduzidos apenas pelos influxos e pressões da globalização”, completou.

O subsecretário estadual de Relações Internacionais, Pedro Spadale, por sua vez, fez um balanço das atividades de cooperação internacional na esfera estadual. Ele destacou que uma das principais linhas de trabalho da subsecretaria é a atração de investimentos estrangeiros diretos para o Estado do Rio de Janeiro, sobretudo na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). "É interessante mudar a percepção do estrangeiro de que o Rio de Janeiro não é só samba, carnaval, futebol e praia. Estamos batalhando para mostrar às empresas e à comunidade científica internacional que somos também um importante polo científico e tecnológico", disse Spadale. "E a FAPERJ tem sido uma parceira da subsecretaria nesse sentido", completou. 

 

O coordenador geral de Bolsas e Projetos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Geraldo Nunes Sobrinho, lembrou que um dos gargalos para a participação de pesquisadores e estudantes brasileiros em programas internacionais, como o Ciência Sem Fronteiras, é o idioma. “Somos uma nação essencialmente monoglota, o que dificulta a inserção internacional. Precisamos criar mecanismos para agilizar o aprendizado de idiomas, não só da língua inglesa, mas de outras, como o mandarim”, apontou. Outra questão levantada por ele é a necessidade da formulação de políticas para atender aos estudantes pós-graduados no exterior ao Brasil. “É preciso pensar no day after desses estudantes que são hoje bolsistas do Ciência Sem Fronteiras”, acrescentou.

O coordenador de Cooperação Técnica da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), Antonio Prado, recordou que a internacionalização esteve presente desde o início da trajetória do órgão, que completa em 2013 quatro décadas de atuação. A estatal brasileira atua hoje em 22 países africanos, incluindo Gana, e conta com 9.812 funcionários, entre os quais 2.389 pesquisadores – desses, 81% têm doutorado ou pós-doutorado, o que a torna uma das estatais com maior proporção de profissionais altamente qualificados. “Na cooperação técnica, a Embrapa responde a uma estratégia de política externa do governo brasileiro, transferindo tecnologia em agricultura para países em desenvolvimento. Temos projetos de cooperação técnica em diversos países da África e da América Latina”, resumiu Prado.

 

Lécio Augusto Ramos 
             
Glaucius Oliva (E), Jacob Palis, Eliete Bouskela, Ruy Marques,
Gustavo Ferreira e Rex Nazaré formaram a mesa de abertura

As agências estaduais de fomento estiveram representadas pelo assessor especial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Hernan Chaimovich; e pelo diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), José Policarpo Gonçalves de Abreu. “Para a Fapesp, a internacionalização faz parte da estratégia que leva ao objetivo da fundação, que é a pesquisa”, disse Chaimovich. Ele destacou que os critérios de avaliação que priorizam a quantidade de artigos publicados colocam a qualidade em segundo plano. “Nossa produção por cientista é maior do que a de países como Canadá e Espanha, e está abaixo, porém perto do Reino Unido e da Austrália. Mas o impacto da produção científica não acompanha a quantidade de papers publicados”, argumentou. Já Policarpo citou como case de sucesso a criação do Sistema Mineiro de Inovação pela Fapemig. “A internacionalização está intimamente relacionada ao processo de inovação. Para garantir a inovação e a internacionalização, a perenidade do repasse dos recursos é muito importante. Em 2011, deixamos de ter um bilhão de reais no MCTI. Em 2012, deixamos de ter um bilhão e meio de recursos”, ressaltou. "A assessoria científica internacional da Fapemig foi criada recentemente, em 2011, mas já fechamos acordos em parceria com Alemanha, Austrália, Canadá, Coréia do Sul, França, Itália, Reino Unido e Estados Unidos", disse. 

 

Também participaram do debate o diretor científico da FAPERJ, Jerson Lima Silva, como moderador; a pró-reitora da UFRJ, Debora Foguel; e a subreitora da Uerj, Mônica Heilbron. Para Debora, os programas de internacionalização devem ser planejados como uma atividade meio, e não como uma atividade fim. "Não se deve mandar estudantes ao exterior sem propósito acadêmico. Nesse ponto, o Ciência Sem Fronteiras define bem áreas estratégicas para o envio de estudantes e pesquisadores", disse. Por outro lado, ela destacou a necessidade de adaptações da universidade brasileira para receber alunos do exterior, citando um exemplo na UFRJ. "O Conselho de Ensino para Graduados já permite as defesas de teses e dissertações em inglês", completou. Por sua vez, Mônica compartilhou sua experiência na Uerj, dando duas sugestões para as agências de fomento estaduais. "Seria interessante para as agências estaduais o lançamento de programas de fomento à participação acadêmica em missões internacionais de curta duração", ponderou. E prosseguiu: "Como o mestrado ficou de fora do Ciência Sem Fronteiras, as agências estaduais poderiam criar também programas para enviar alunos para o exterior por um período mais curto, de três meses."

 

No auditório da ABC, estiveram presentes ainda diversos representantes da comunidade científica e tecnológica, como a diretora da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj, Albanita Viana; o diretor do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) Brasil, Jean Pierre Briot, e o representante de uma importante agência alemã, a Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), Cornelia Huelsz Müller.

 

Na avaliação de Ruy Marques, presidente da FAPERJ, o seminário foi um sucesso e preencheu exatamente a expectativa que se tinha sobre o tema. “Os seminários que vimos realizando têm sido de grande relevância, até para ditar algumas condutas que devemos tomar frente aos importantes temas que vêm sendo discutidos. No próximo dia 28 de maio, o tema será ‘Propriedade Intelectual e Patentes’, também na sede da ABC, e para o qual toda a comunidade científica e tecnológica do Estado está convidada”, concluiu.

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