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Publicado em: 21/03/2013

Pterossauros: répteis alados dominavam os céus do Nordeste

Vilma Homero

Divulgação/ Museu Nacional/ UFRJ 

            
     Gigante alado, pterossauro tinha 8 m de envergadura de asa

Imagine-se um réptil gigantesco, com enormes asas que, abertas, chegavam a mais de 8 m de envergadura, com algo em torno dos 2,5 m da ponta do focinho à ponta da cauda, mais ou menos 1,60m de altura e entre 60 kg a 70 kg. Agora saiba que esses gigantes voadores dominaram os céus do Nordeste brasileiro há 110 milhões de anos. Fósseis de três pterossauros – um deles com 70% do esqueleto –, encontrados na chapada do Araripe, região entre os estados de Ceará, Pernambuco e Piauí, permitiram aos pesquisadores reconstituir o maior exemplar da espécie descoberto do hemisfério sul e o terceiro no mundo. A partir desta sexta-feira, 22 de março, uma réplica da cabeça do gigante brasileiro e um modelo em tamanho natural de seu esqueleto serão apresentados ao público que visitar o Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ).


Embora seja figurinha fácil nos filmes sobre a pré-história, em que aparece planando nos céus, numa terra habitada por dinossauros, fora da ficção pouco se conhece sobre esses animais que passaram a habitar o planeta na era mesozoica, algo entre 220 e 65 milhões de anos, conviveram com as aves primitivas e só desapareceram no final do período cretáceo. São as várias lacunas de conhecimento sobre esses animais que os estudos da equipe de paleontólogos de diferentes instituições – Museu Nacional, Universidade Regional do Cariri (Urca) e Museu de Ciências da Terra, do Departamento Nacional de Produção Mineral, entre outras –, procuram preencher. "O maior problema ao estudar esses fósseis é que se trata de um grupo totalmente extinto, o que levanta dúvidas ainda sem resposta e pontos polêmicos entre os pesquisadores. Tudo o que podemos é fazer analogias com os morcegos e as aves atuais para tentar descobrir características e hábitos desses animais", explica o paleontólogo Alexander Kellner, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, que coordenou a equipe, composta por Diógenes A. Campos, Juliana M. Sayão, Antônio A.F. Saraiva, Taissa Rodrigues, Gustavo Oliveira, Lilian A. Cruz, Fabiana R. Costa, Helder P. Silva e Jennyfer Ferreira. A equipe assina o artigo publicado na semana passada nos Anais da Academia Brasileira de Ciências (ABC). E exatamente pela importância do Brasil na pesquisa desses répteis alados, o país será sede do encontro internacional sobre pterossauros, que acontece em maio no Rio de Janeiro, com apoio da FAPERJ. Na ocasião, se discutirá o estado da arte das pesquisas sobre esses répteis voadores (
www.museunacional.ufrj.br/riopterosaur).

"No Brasil, a região da Chapada do Araripe, uma área de escavação controlada, guarda tesouros desse passado distante, concentrados principalmente nos depósitos da formação Crato e na formação Romualdo. Por suas especiais condições locais, é nos nódulos calcários das rochas da formação Romualdo, datados de 110 milhões de anos, que esses fósseis se mantiveram especialmente bem preservados. Isso é bastante raro", explica Kellner. A descoberta também confirma a área da bacia do Araripe como um dos mais importantes depósitos de fósseis do mundo. De um dos três exemplares dos pterossauros lá descobertos foi encontrado praticamente todo o esqueleto. "Foi o gigante mais completo, com ossos de várias partes do corpo, incluindo o crânio, representando cerca de 70% do total. Mesmo que vários desses ossos não estivessem inteiros, juntos, eles nos permitiram a reconstituição do animal, que acreditamos ser da espécie Tropeognathus cf. mesembrinus, sobre a qual já conhecíamos exemplares bem menores", afirma.

Divulgação/ Museu Nacional/ UFRJ
     
Reconstrução mostra a cabeça do Tropeognathus cf. mesembrinus    

Estudos anatômicos e paleo-histológicos possibilitaram constatar que os ossos encontrados, já fusionados e indicando que apresentava crescimento completo, correspondem aos de um animal adulto, de grande porte. "Existem animais maiores descobertos em sedimentos mais recentes, do cretáceo superior, entre 72 a 68 milhões de anos. Como o nosso tem 110 milhões de anos, provamos o gigantismo do grupo surgiu bem antes do que se supunha", explica o pesquisador. E ele acrescenta: "Outra ideia que se tinha anteriormente era a de que pterossauros providos de dentes pertencentes do grupo Anhangueridae poderiam atingir no máximo 7 m. O nosso, no entanto, é bem maior, com 8,2 m de uma asa a outra. É o maior animal já encontrado no Gondwana – o supercontinente que, há cerca de 200 milhões de anos, durante o período jurásssico superior, era formado por todo o hemisfério sul, ligando África, América do Sul, Oceania, Índia e Antártica. E nossa publicação não descreve apenas um exemplar, mas três, de grandes proporções."

Um deles era um animal ainda bastante jovem quando foi fossilizado. "Pelo tamanho e anatomia de suas asas – grandes, quando comparadas ao corpo e à cabeça –, podemos supor que ele voava grandes distâncias. Embora não possamos confirmar por análises de conteúdo estomacal, a boca dentada e o fato de seus fósseis serem sempre encontrados próximos a áreas costeiras ou de águas rasas, também sabemos que sua alimentação básica era constituída por peixes." Isso, no entanto, leva a novas perguntas: Como eles pescavam? Planavam sobre as águas, apenas mergulhando a cabeça ao avistar peixes próximos à superfície? Eram pescadores de águas rasas, como as garças?

Por comparação às aves atuais, como o albatroz, os pesquisadores também acreditam que se tratava de animais gregários. "Nosso pterossauro é do grupo Anhangueridae – o que significa que ostentam crista tanto na parte anterior do crânio como na parte anterior da mandíbula –, encontrado em diferentes partes do mundo, como Inglaterra, Mongólia, Marrocos, Estados Unidos, China e Brasil. No Brasil, a chapada do Araripe é um verdadeiro celeiro desses animais gigantescos."

Os que tiverem curiosidade em conhecer o pterossauro brasileiro podem visitar a exposição que reunirá peças originais e réplicas tanto das novas descobertas quanto de exemplares de diversas outras partes do mundo. Na mostra, o publico poderá até simular como seria o voo de um desses répteis alados, numa atividade interativa programada como parte da exposição.

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