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Publicado em: 15/03/2012

Estudo analisa tipos de pastagem para melhorar produção leiteira

Elena Mandarim

 

    Divulgação / Pesagro-Rio

           
   Sergio Filho: manejo adequado do capim
   ajuda a produção pecuária e a reprodução
A pecuária brasileira se baseia, em grande parte, na utilização de pastagens como fonte de alimento para os animais ganharem o tamanho e peso adequados, seja para procriação, abate, ou produção de leite e derivados. Como sabem os pecuaristas, quanto melhor o capim, maior o ganho de peso dos animais. Mas como saber se a gramínea escolhida é mesmo a melhor alternativa para o tipo de criação? Com apoio do edital de Apoio a Agropecuária, da FAPERJ, o zootecnista Sergio Trabali Camargo Filho, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), coordena um projeto para estudar duas espécies exóticas de pastagem, Cynodon nlemfuensis e Digitaria swazilandensis, conhecidas popularmente como capim estrela e capim suázi, respectivamente. O objetivo é gerar conhecimento que contribua para aumentar a produção leiteira e melhorar as condições de reprodução.

 

Como explica o pesquisador, duas características da pastagem são essenciais para determinar a escolha da planta a ser utilizada como pasto: a taxa de crescimento do capim sob as condições ambientais do local e seu valor nutritivo no momento do pastejo. Embora o assunto esteja sendo estudado em outros projetos e com diferentes gramíneas, a novidade desta pesquisa é a utilização da radiação solar para garantir que o capim-estrela e o suázi atinjam a taxa máxima de crescimento. Segundo o zootecnista, esse manejo promove uma alta produção de pastagem com elevado valor nutritivo.

 

O elevado valor nutritivo, ou seja, a alta qualidade do pasto pode ajudar a diminuir a idade ao primeiro parto das novilhas (animais jovens) e, ao fim de cada gestação, antecipar o próximo cio das vacas. “Para isso, nós analisamos o efeito das estações do ano sobre as taxas de aparecimento e crescimento de folhas após os animais terem pastado para estimar a produtividade e o valor nutritivo de cada uma delas.”

 

Segundo Sérgio, os estudos mostram que o capim estrela foi mais produtivo – se garante maior quantidade de alimento, porém menos nutritivo –, enquanto que o capim suázi foi mais nutritivo – fornece menor quantidade de alimento, mas com alto valor nutritivo. Já se sabe também que, quando bem manejadas, as duas espécies reúnem características que permitem elevada produção por animal e por área, quando comparadas às espécies nativas.

 

“Essas informações são importantes porque o produtor pode escolher, de acordo com sua necessidade e a época do ano, o melhor tipo de pastagem para colocar seus animais. Para o rebanho geral ou categorias menos exigentes, é melhor um capim que forneça mais massa, garantindo que todos os animais se alimentem. Já as categorias de animais mais exigentes ou os debilitados devem ser privilegiados com um pasto plantado com a espécie mais nutritiva, que faz os animais se desenvolverem melhor”, exemplifica o pesquisador.

 

Para Sergio, o grande objetivo do projeto é obter resultados que possam servir para difundir uma nova filosofia de manejo das pastagens do Rio de Janeiro, contribuindo para o aumento da produção e da renda dos pecuaristas. Segundo o pesquisador, dados da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro apontam que a degradação das pastagens fluminenses, em grande parte composta por pastagem degradada, faz com que haja um baixo rendimento pecuário. Nos rebanhos destinados a corte, por exemplo, o acúmulo de massa corporal é próximo a 0,3 kg/animal/dia, quando o satisfatório seria 0,75 kg/animal/dia enquanto que a produção leiteira está por volta de 2,2 kg leite/vaca/dia, quando seria satisfatório um mínimo de 10,0 kg leite/vaca/dia.

 

O zootecnista destaca que tanto as vacas estudadas no projeto que pastaram no capim estrela quanto as que pastaram no capim suázi, quando comparadas com a média observada no estado, apresentaram a significativa melhoria dos índices zootécnicos observados. “Enquanto uma novilha fluminense, atinge de 300 a 330 kg de peso ideal, por exemplo, para a primeira inseminação em torno dos 30 meses de idade, nossas novilhas – tanto as que pastaram no capim suázi quanto no estrela – atingiram esse peso, respectivamente, aos 20 e 22 meses.”

 

Divulgação / Pesagro-Rio

     
Enquanto o capim suázi (esq.) é uma espécie mais nutritiva
   o capim-estrela alimenta um número maior de animais
 
 


“Outro resultado promissor foi a antecipação do cio pós parto”, conta Sergio. Ele explica que após um parto, é preciso garantir um resguardo de 45 dias. Depois desse período, o primeiro cio já pode ser usado para outra inseminação. Contudo, é comum que isso só volte a acontecer após 90 dias. “As vacas que pastaram no capim suázi apresentaram cio antes mesmo de acabar o período de descanso do útero, em 37 dias, enquanto as que pastaram no capim estrela demoraram 48 dias”, entusiasma-se o pesquisador.

 



A experiência analisada em detalhes

 

O experimento foi conduzido em uma área de 2 hectares (20.000 m2), dividida em 16 parcelas, das quais 8 foram plantadas com Cynodon (capim-estrela) e 8 com Digitaria (capim suázi). Todas receberam o mesmo adubo, rico em substâncias nitrogenadas e potássicas. Em cada espécie de capim, quatro parcelas de área serviram para o pasto das vacas secas e quatro para o das novilhas. Segundo Sergio, alguns estudos mostram que o valor nutritivo do capim consumido voluntariamente, como o que ocorre no pastejo, em geral é maior, pois os animais selecionam maiores porções de folhas em sua dieta. Do contrário, eles são alimentados por cortes da folhagem, servidos em horários determinados.

 

“Todos os animais no projeto se alimentaram exclusivamente por pastagens – sem ração concentrada”, conta Sergio que ressalta ainda que foi adotada a técnica de pastejo rotacionado, em que o pasto foi utilizado por um dia e depois teve um período de descanso variável. O objetivo do descanso é garantir um tempo para o capim crescer novamente, antes dos animais animais chegarem para se alimentar.

 

Porções de capim foram recolhidas antes de se iniciar o estudo, para determinar a quantidade de pasto disponível, e na saída para avaliar a forragem residual. Em intervalos frequentes, amostras das folhas foram regularmente obtidas, com o objetivo de, por exemplo, medir a taxa de crescimento das duas espécies e avaliar as características estruturais das folhas.

 

De acordo com Sergio, com o apoio financeiro recebido, foi possível conduzir uma tese e uma dissertação, além de oferecer treinamento a dezenas de estudantes de graduação e de ensino médio técnico em agropecuária. Foram escritos, também, oito resumos para congressos e outros seis ainda estão em avaliação para publicação. Ao todo, cinco artigos científicos estão sendo elaborados para divulgação no meio técnico-acadêmico. “Temos, ainda, o intuito de juntar os resultados e publicar um artigo para ser propagado entre pecuaristas do estado do Rio de Janeiro. O objetivo é difundir novos tipos pastos e formas de manejo de novilhas e vacas sob sistema de pastejo rotacionado, para o estado do Rio de Janeiro”, conclui o pesquisador.

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