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Publicado em: 10/11/2011

Para inspecionar cascos de navio, tanques e dutos com maior precisão e rapidez

Vinicius Zepeda

Fotos: Divulgação/Simex Ltda. 

         
      O veículo de inspeção multifunção (VIX) possibilita
      identificar corrosão mesmo em navios em movimento

O Rio de Janeiro é o principal centro produtor de petróleo do país. Esta atividade torna o estado um importante usuário e produtor de cascos de navio, plataformas, tanques e dutos – grandes estruturas metálicas que, devido ao contato direto com a água do mar ou à ação do tempo, sofrem os danos causados pela corrosão. Para evitar que isso cause acidentes, torna-se cada vez mais necessária a inspeção periódica destas estruturas por meio de ultrassom. Segundo o técnico em eletrônica, programador e um dos sócios da empresa carioca Sistema de Inspeção Móveis Ltda. (Simex), Filson Bellan Lee, o grande desafio do setor é inspecionar detalhadamente e no menor tempo possível grandes estruturas, como o casco de um navio, que pode ter cerca de 300 metros de comprimento por 60 metros de largura. "Como o custo de um navio parado é enorme, o ideal seria que essa inspeção fosse feita em dois ou três dias, que é o tempo de um petroleiro ou cargueiro parar para carregar ou descarregar", afirma Lee. "Conseguimos algo melhor ainda: um veículo capaz de realizar a inspeção mesmo com o navio em movimento, o que reduz ainda mais o tempo do trabalho", complementa. O produto foi desenvolvido com apoio do programa Pappe Subvenção/Rio Inovação, uma parceria entre FAPERJ e Finep.

Durante o desenvolvimento do projeto, Filson Lee coordenou uma equipe de pesquisadores, em parte patrocinados pelo programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (Rhae), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio da incubadora de empresas da Universidade Federal Fluminense (UFF). A equipe elaborou um sistema de inspeção de alta resolução e velocidade, inicialmente desenvolvendo multiplexadores  – conjunto de chaves capazes de conectar diversos sensores a uma via ou ponto comum – de ultrassom velozes. Entretanto, para aumentar ainda mais o desempenho, a equipe projetou e colocou, no lugar dos multiplexadores, um minipulsador de ultrassom para cada um dos sensores. Eles são transportados por um veículo anfíbio, controlado por software, para detecção e processamento de sinais em tempo real.

Assim, surgiu o veículo de inspeção multifunção (VIX), viatura anfíbia e robusta, que utiliza lagartas magnéticas – dispositivos mecânicos que permitem a locomoção mesmo em locais inacessíveis às viaturas comuns, como as usadas em tanques de guerra e tratores – fortes o suficiente para inspecionar o navio mesmo com ele em movimento. Para inspecionar a parte submersa do casco, o VIX usa a água do mar como acoplante de ultrassom. Já na parte seca, um sistema de bicos e jatos de água garante o acoplamento. “O VIX trabalha em alta velocidade e resolução, podendo fazer um milhão de medidas por metro quadrado em poucos segundos, algo muito superior a inspeções similares disponíveis no mercado, que usam mergulhadores ou sistemas automáticos de baixo desempenho”, explica Lee.


O coordenador destaca que, com o alto desempenho do VIX, é possível garantir com grande precisão a integridade estrutural dos navios. "Assim, podemos programar manutenções, reduzir o valor do seguro e, é claro, evitar acidentes de graves consequências para o meio ambiente e para a imagem das empresas de petróleo", garante Lee. A tecnologia do produto possibilita que pontos de corrosão bem pequenos, ainda em estágio inicial de formação, possam ser detectados. O VIX usa um scanner de sensores de ultrassom, ou seja, enquanto o veículo avança, uma régua de sensores oscila para a esquerda e para a direita. "Além disso, o veículo pode modificar o ângulo da régua, garantindo leitura do sinal mesmo nas partes curvas do casco", complementa.

Como desdobramento do VIX, surgiu um outro produto, o veículo de inspeção portátil (VIP), que utiliza a mesma tecnologia de ultrassom, mas é destinado à inspeção de tanques, dutos e chapas, como asas de avião, ou barras metálicas, como trilhos de trem. "Dependendo da situação, ele pode usar rodas ou minilagartas magnéticas", explica Lee.

    
      Outro veículo, o VIP, serve para fazer a inspeção
       de tanques, dutos, chapas e  barras metálicas
Tanto os protótipos do VIX como do VIP já foram desenvolvidos e apresentados este ano e em 2010 em feiras voltadas para o setor de petróleo, como a Rio Oil & Gás 2010, Macaé Offshore 2011 e OTC Brasil 2011. "Nestes eventos,  fizemos contatos com diversos parceiros potenciais e clientes do Brasil, Américas, Europa e Oriente Médio, que se mostraram interessados nos nossos produtos. Agora estamos concluindo os produtos definitivos, para realizar os testes no início de 2012. Nossa expectativa é de que estejamos prestando este serviço já no segundo semestre do ano que vem", destaca Lee.

O programador e sócio da Simex Ltda. destaca o potencial de seus produtos. "A Petrobras tem atualmente pouco mais de 50 navios petroleiros e esta frota deve dobrar na próxima década. No mundo todo, existem atualmente cerca de 5.000 petroleiros ainda em operação", enfatiza Lee. Segundo explica, navios de passageiros, cargueiros e graneleiros também estão expostos à alta corrosão provocada pela água do mar. "Já houve interesse pela nossa tecnologia nos setores de siderurgia, aviação, ferrovias e metrô. A corrosão pode ser monitorada ou retardada, mas é um processo natural e inevitável. As inspeções precisam ser feitas da forma mais prática e rápida possível para garantir a maior segurança da navegação", conclui.

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