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Publicado em: 09/09/2009

Professora de Química da UFRJ ganha Prêmio L´Oréal

Vilma Homero

 Divulgação / UFRJ

    
    Professor Ademir Neves (à esq.), Maria Vargas, Annelise, Maurício Lanznaster
    e Marciela Scarpellini em cerimônia na Academia Brasileira de Ciências
A primeira reação foi de incredulidade. Professora recentemente contratada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a química Annelise Casellato quase não acreditou que tinha sido uma das vencedoras da edição 2009 do Prêmio LOréal. Seu projeto "Desenvolvimento de Novos Complexos com Potencial Atividade Biorremediadora" foi um dos selecionados pela comissão julgadora da premiação, e apresenta o início de um vasto potencial de aplicações.

"A última coisa que imaginava era ganhar, já que a quantidade e a qualidade dos trabalhos na área de Química vêm crescendo muito. Acho que pesou favoravelmente a minha formação, com graduação, mestrado e doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um pós-doc na University of Queensland, na Austrália, e outro na Universidade Federal Fluminense (UFF). Acho também que a premiação foi um voto de confiança nesse sentido. E ainda pelo leque de aplicações tecnológicas que o projeto pode render", fala a pesquisadora, que foi bolsista de pós-doc recém-doutor, da FAPERJ, entre abril e setembro de 2008, sob supervisão da professora Maria Domingues Vargas, na UFF.

Annelise pesquisa catalisadores capazes de degradar moléculas semelhantes às presentes nos pesticidas que foram bastante utilizados em plantações de tomates, conhecidos como organofosforados. "A ideia é que esses catalisadores, ou compostos, atuem de maneira semelhante – embora diferente – às enzimas, que têm custo de produção mais alto e, em geral, exigem condições mais específicas de pH e temperatura para poder agir de forma eficiente. Os catalisadores também são mais acessíveis e fáceis de se obter", explica.

"O conhecimento adquirido com estes resultados pode ser aplicado em várias áreas. Como estes compostos atuam diretamente na quebra de unidades de fosfato – uma unidade que está presente em inúmeras moléculas, como o DNA, os pesticidas organofosforados e até mesmo o gás sarin –, isso significa dizer que tanto podem ser usados na remediação de solos contaminados, por exemplo, como numa linha de tratamento contra a osteoporose. Na verdade, este estudo é um passo inicial e dizer exatamente como estes compostos poderão ser comercializados é pura especulação", admite a pesquisadora, que atua em pesquisa básica.

O exemplo da aplicação no tratamento de doenças não foi por acaso. Durante o mestrado e doutorado, sob orientação do professor Ademir Neves, da UFSC, Annelise já participava de linha de pesquisa sobre complexos que atuavam como modelos funcionais para uma enzima que se acredita estar envolvida no processo de osteoporose. Agora seus estudos estão focados na área ambiental. 

"Temos observado, a cada ano, um interesse crescente dos alunos por essa área", fala. Na sua opinião, o fato de haver professores mais jovens nessa área pode ter um peso para isso. "Quando vemos professores mais próximos em idade, a gente se espelha neles e passa a acreditar que, em mais alguns anos, podemos estar naquela mesma situação", concorda Francisco Bustamante, um dos três únicos rapazes numa equipe de 14 pesquisadores em diferentes níveis acadêmicos e majoritariamente feminina.

O pós-doc na Austrália, também por sugestão do professor Neves, deu uma outra visão à pesquisa na área biológica. "Como já havia colaboração com universidades australianas em linhas de pesquisa sobre essas enzimas, voltadas para o tratamento contra a osteoporose, resolvi aproveitar os contatos já existentes. O professor Neves tem orientado muito a minha carreira. Até hoje, quando surge algum problema, ligamos para ele. Somos seus filhos científicos", admite. O plural se refere a outros alunos de Neves que atualmente são professores em universidades fluminenses, como a UFRJ, a UFF, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC). Uma delas é Marciela Scarpellini, pesquisadora que, ao lado de Annelise, orienta os estudos do laboratório de Desenvolvimento de Compostos Bioinorgânicos, da UFRJ. Todos eles mantêm contatos pessoais e profissionais mais ou menos frequentes. "Fazemos um trabalho conjunto, em rede. Nossas pesquisas muitas vezes se complementam."

Os US$ 20 mil do prêmio já têm destino certo. Serão utilizados para melhorar a infraestrutura do laboratório e na aquisição de reagentes, solventes e outros materiais para aprofundar e ampliar as pesquisas em curso. "Vamos tentar melhorar as propriedades desses compostos para chegar a uma atividade mais próxima das enzimas", fala. E resume: "Queremos fortalecer cada vez mais a química inorgânica no Rio."

 

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