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Publicado em: 27/08/2002

Cientistas perseguem a trilha dos vírus no interior da célula

Cientistas perseguem a trilha dos vírus no interior da célula

Um trabalho minucioso, ao estilo “Sherlock Holmes”, levou a equipe da professora Andrea Da Poian, do departamento de Bioquímica Médica da UFRJ, a obter uma conquista inédita em nível mundial: observar, pela primeira vez, vírus se locomovendo em tempo real dentro da célula.

Para desvendar a trilha dos vírus no interior da célula os pesquisadores desenvolveram uma técnica, acoplando uma molécula fluorescente no capsídeo (capa protéica que envolve o genoma do próprio vírus). Esta técnica vem sendo aprimorada desde 1998 e graças a ela tornou-se possível acompanhar o momento em que o vírus infecta o interior da célula, liberando material genético. “Queremos entender as alterações provocadas pelos vírus nas células e verificar de que forma isso afeta o metabolismo humano”, explica a professora, que vem trabalhando neste projeto desde 1996.

Os vírus são partículas invisíveis ao olho humano, mas seus efeitos não passam tão desapercebidos ao organismo. Responsável por inúmeras doenças, podendo variar de uma simples gripe à hepatite ou Aids, os vírus são agentes infecciosos, caracterizados por não apresentarem metabolismo independente e se reproduzirem somente no interior de células hospedeiras vivas. Para compreender de que forma estruturas aparentemente tão simples e incapazes de se replicar por conta própria podem ser tão eficazes em se perpetuarem na natureza e, às vezes, tornarem-se tão nocivas a outros seres vivos, a pesquisadora da UFRJ vem coordenando esta pesquisa, cujo principal objetivo é decifrar a ação dos vírus nas células hospedeiras.

A pesquisa enfoca três modelos de vírus: o vírus bovino, que gera estomatite vesicular e pertence à família do vírus da raiva, o Mayaro, responsável por uma doença semelhante à dengue em seres humanos, e o Poliovírus, causador da poliomielite. “Embora a poliomielite tenha sido erradicada no Brasil, esse estudo possibilitará o entendimento de vírus semelhantes”, explica Andrea.

Múltiplas formas de atuação

Os biólogos atuam em duas linhas de pesquisa: na primeira estudam a estrutura do vírus, sua interação com a célula hospedeira e seu destino no interior da mesma. Na segunda analisam as alterações causadas pela infecção no metabolismo e no funcionamento da célula. “Muitas vezes a replicação viral, responsável pelas infecções, se dá às custas de uma completa inibição das funções celulares, ou seja, ao ser infectada a célula passa a produzir somente moléculas virais. Alguns tipos de vírus chegam a utilizar a maquinaria enzimática da célula para produzir suas próprias proteínas, ao invés de proteínas celulares”, afirma Andrea Da Poian.

Segundo os cientistas, muitas doenças são causadas por vírus. Mas identificá-los não é uma tarefa fácil. Eles apresentam uma grande diversidade e atuam de diferentes maneiras. Para decifrá-los, a equipe da UFRJ concentra-se atualmente na comparação de células hospedeiras infectadas e não infectadas, tendo como referência a utilização da glicose. Já ficou comprovado, por exemplo, que a infecção causada pelo vírus Mayaro mata a célula humana mas nada causa à célula do mosquito, que é o transmissor do vírus. “Verificamos que a célula infectada consome muito mais glicose do que a célula saudável, mas ainda não sabemos como este fato se relaciona com os efeitos dos vírus. Agora precisamos compreender porque a célula do mosquito não morre e como tudo isso é regulado. Somente a partir daí poderemos entender com mais clareza como ocorrem certas doenças, o que tornará mais fácil descobrir métodos de cura, tratamentos e prevenção”, conclui Andrea.



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