
Evolução do número de Programas e cursos por grande área de conhecimento, dependência administrativa e conceito
A análise da situação do número de programas por ano de início indica que a Pós-Graduação Stricto Sensu em nosso Estado tenha se iniciado na década de sessenta.5 Entre os cursos em vigência, os mais antigos são os cursos de mestrado em Matemática do IMPA (Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada) e em Odontologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), iniciados em 1960, e os cursos de doutorado em Matemática, também do IMPA, em Física, do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), e em Ciências (Microbiologia), da UFRJ, todos os três iniciados em 1962.
A distribuição dos programas atuais, por ano de início (Gráficos 3 e 4), demonstra que 10,78% foram criados na década de sessenta, 20,06% na década de setenta, 7,49% na década de 80, 20,96% na década de 90 e 40,72% criados a partir do ano 2000 até julho de 2008. Este quadro sugere um baixo investimento em pós-graduação na década de oitenta, e um importante salto na criação de novos programas entre a década de noventa do século passado e os primeiros anos do século XXI, representando um aumento de quase 100% do número de programas entre os dois períodos.
Gráfico 3
Programas de Pós-Graduação por Década de Início – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise do crescimento da pós-graduação no Estado do Rio de Janeiro, segundo nível de curso (Mestrado Acadêmico, Doutorado e Mestrado Profissional) (Gráfico 4), revela que um crescimento mais vigoroso dos cursos de doutorado só veio a ocorrer a partir da década de noventa, quando também se iniciou o primeiro curso de Mestrado Profissional. Este nível, todavia, só teve um desenvolvimento maior nos últimos anos, a partir de políticas de incentivo da CAPES.
Gráfico 4
Curso de Pós-Graduação por Nível, segundo Década de Início – Estado do Rio de Janeiro – 2008

O gráfico 5 apresenta, cumulativamente, a evolução do número de cursos de pós-graduação, por década, desde 1960. Em cinco décadas, o Estado do Rio de Janeiro aumentou sua oferta de cursos de mestrado em 786%, passando de 36 para 283 cursos, enquanto os doutorados cresceram mais de 2.100%, passando de 9 (nove) cursos na década de sessenta do século passado para 193 cursos em 2008.
Gráfico 5
Curso de Pós-Graduação por modalidade e segundo Década de Início – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise da variação percentual do número de programas entre os dois últimos triênios de avaliação da CAPES e deste último, até julho de 2008, segundo grande área de conhecimento (Tabela 6), revela que os programas da grande área Multidisciplinar foram os que mais cresceram, com um aumento de mais de 64% entre os dois triênios e de quase 70% do último triênio até julho de 2008. Considerando a variação entre o triênio 2001-2003 e julho de 2008, esta área teve um aumento de 179% na oferta de programas de pós-graduação. Em segundo lugar em crescimento, vêm os programas da grande área de Ciências da Saúde, com uma variação percentual de 30% entre os dois últimos triênios, 14% entre o último triênio e julho de 2008 e de 48% para todo o período. As áreas com menor crescimento na oferta de programas foram as de Ciências Exatas e da Terra, Linguística, Letras e Artes – esta com 0% de crescimento do último triênio de avaliação até julho de 2008 – e a grande área de Ciências Biológicas.
Tabela 6
Variação do Número de Programas de Pós-Graduação entre os Dois Últimos Triênios de Avaliação da CAPES, do Último Triênio até Julho de 2008 e de 2001 a Julho de 2008, segundo Grande Área de Conhecimento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Considerando a dependência administrativa das instituições de ensino superior e centros de pesquisa aos quais estão vinculados (Tabela 7), os programas estaduais foram os que tiveram maior crescimento no período, com uma variação de 38% entre os dois últimos triênios de avaliação da CAPES e de 14% do último triênio até a metade do atual triênio (2007-2009). No total, de 37 programas no triênio 2001-2003, as instituições estaduais passaram a oferecer, até julho de 2008, 58 programas de pós-graduação, um crescimento de 57%.
Tabela 7
Variação do Número de Programas de Pós-Graduação entre os Dois Últimos Triênios de Avaliação da CAPES, do Último Triênio até Julho de 2008, e de 2001 a Julho de 2008, segundo Dependência Administrativa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Observando-se a variação do número de programas segundo conceito na avaliação da CAPES (Tabela 8), destaca-se o não crescimento do número de programas com conceitos 6 (seis) e 7 (sete). Os primeiros, em todo o período, aumentaram apenas em um programa, enquanto os de conceito 7 (sete) tiveram 0% de crescimento. O número de programas com conceito 5 (cinco) também variou pouco – cerca de 6% e 1%, respectivamente, entre os dois últimos triênios e na primeira metade do atual triênio. Os programas com conceitos menores – 3 (três) e 4 (quatro) – foram os que mais cresceram.
Este quadro apresenta os efeitos não só da intensificação no número de novos programas, que em geral iniciam com conceitos mais baixos, mas parece também refletir um aumento no nível de exigência e um maior rigor nos critérios de avaliação da CAPES, resultando em maiores desafios para que os programas sejam classificados em níveis de excelência e também, eventualmente, gerando a reclassificação de programas em conceitos mais baixos do que os que se encontravam anteriormente.
Tabela 8
Variação do Número de Programas de Pós-Graduação entre os Dois Últimos Triênios de Avaliação da CAPES, do Último Triênio até Julho de 2008 e de 2001 a Julho de 2008, segundo Conceito do Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Entre os programas mais recentes, destacam-se, como já observado, os mestrados profissionais, criados desde o final da década de noventa. A tabela 9 apresenta a distribuição desses programas por dependência administrativa e grande área do conhecimento.
Tabela 9
Programas de Mestrado Profissional por Dependência Administrativa e Grande Área de Conhecimento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Como se pode observar na tabela acima, o Estado do Rio de Janeiro possui 50 programas de mestrado profissional. Considerando a oferta por grande área do conhecimento, o maior número de programas se concentra na grande área Multiprofissional – 16 programas – seguidos pelas grandes áreas das Ciências da Saúde e Engenharias, ambas com 10 (dez) programas, e Ciências Sociais Aplicadas, com 9 (nove). A análise por dependência administrativa revela a forte participação do setor privado na oferta destes cursos, concentrando 50% dos programas, seguido das instituições federais, com 23 dos 50 programas existentes.
Características curriculares
Do ponto de vista de sua organização curricular, pelo menos 65% dos programas de pós-graduação do Estado do Rio de Janeiro estão organizados por áreas de concentração (Tabela 10). Embora o percentual de questionários “sem informação” para esta questão seja relativamente alto (cerca de 13%), pode-se estimar que a proporção de programas que tenha adotado tal lógica de organização de sua formação chegue a 70% ou mais.
Tabela 10
Programas de Pós-Graduação segundo condição de estarem ou não organizados por área de concentração – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Analisando-se a distribuição dos programas organizados por área de concentração segundo nível de curso (mestrado acadêmico, doutorado e mestrado profissional) onde se dá tal organização (Tabela 11), observa-se que em cerca de 53% dos programas a organização por áreas de concentração se dá tanto para os cursos de mestrado como para os de doutorado, enquanto que 32% dos programas adotam esta forma de organização apenas para os cursos de mestrado acadêmico.
Tabela 11
Programas de Pós-Graduação Organizados por Área de Concentração, segundo Nível de Curso onde se dá esta organização – Estado do Rio de Janeiro – 20086

Para além de estarem possivelmente refletindo certa especialização por dentro das áreas de conhecimento às quais pertencem os programas, esses dados sugerem também uma tendência a um formato mais “escolar” para os cursos de pós-graduação, especialmente os de mestrado, vis-à-vis os de doutorado, dos quais uma parte parece ter um caráter mais tutorial, com uma grade curricular menos “fechada”.
Quando se observa a distribuição dos programas segundo número de áreas de concentração (Tabela 12), verifica-se, todavia, que 46% dos programas que estão organizados por área de concentração possuem apenas uma área. Com relação ao restante de programas, 44% têm entre duas e quatro áreas de concentração.
Tabela 12
Programas de Pós-Graduação segundo Número de Áreas de Concentração – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A distribuição dos programas por Grande Área de Conhecimento, segundo número de áreas de concentração (Tabela 13), demonstra que os programas das grandes áreas de Ciências Exatas, Engenharias e de Linguística, Letras e Artes são os que têm maior oferta em números de áreas de concentração.
Tabela 13
Programas de Pós-Graduação por Grande Área de Conhecimento, segundo Número de Áreas de Concentração – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A tabela 14 permite observar que a oferta de áreas de concentração aumenta conforme o conceito dos programas, refletindo possivelmente uma maior diversidade na produção acadêmica desses programas, em termos de especializações e linhas de pesquisa. Assim, considerando os programas que informam estar organizados por áreas de concentração, enquanto 65% dos programas com conceito 3 (três) e 57% dos programas com conceito 4 (quatro) possuem apenas uma área de concentração, 74% dos programas com conceito 5 (cinco), 81% dos programas com conceito 6 (seis) e 79% dos programas com conceito 7 (sete) possuem de duas a oito áreas de concentração.
Tabela 14
Programas de Pós-Graduação por Conceito Atual na CAPES, segundo Número de Áreas de Concentração – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Outra característica curricular importante é a obrigatoriedade de disciplinas. A maioria absoluta dos programas informa ter disciplinas obrigatórias (Tabela 15).
Tabela 15
Programas de Pós-Graduação segundo a condição de terem ou não disciplinas obrigatórias – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Capacidade de produção acadêmica
A tabela abaixo apresenta a distribuição dos programas segundo número de linhas de pesquisa (Tabela 16). Dos 334 programas, 49 (14,37%) não informaram as linhas de pesquisa relacionadas ao programa. Considerando-se os 285 programas que informaram suas linhas de pesquisa, a maioria, 58%, possui entre duas e cinco linhas de pesquisa e 22% têm entre seis e nove linhas.
Tabela 16
Programas de Pós-Graduação segundo Número de Linhas de Pesquisa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise por dependência administrativa das instituições às quais estão vinculados os programas de pós-graduação (Tabela 17) revela que os programas de instituições federais apresentam uma maior oferta de linhas, chegando a 22% dos programas com 10 (dez) ou mais linhas de pesquisa.
Tabela 17
Programas de Pós-Graduação por Dependência Administrativa, segundo Número de Linhas de Pesquisa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Considerando as grandes áreas de conhecimento, os programas das grandes áreas de Ciências Exatas e da Terra, Ciências da Saúde e de Engenharias são os que apresentam uma maior diversidade de linhas de pesquisa, com 10 (dez) ou mais linhas de pesquisa em, respectivamente, 38%, 33% e 26% dos programas. No caso de Ciências Exatas e da Terra e de Engenharias, 5 (16%) e 7 (15%) dos seus programas, respectivamente, chegam a apresentar 20 ou mais linhas de pesquisa (Tabela 18).
Tabela 18
Programas de Pós-Graduação por Grande Área de Conhecimento, segundo Número de Linhas de Pesquisa – Rio de Janeiro – 2008

A tabela 19 permite verificar a relação entre diversidade ou quantidade de linhas de pesquisa por programa e seu conceito na avaliação da CAPES, refletindo o peso e a capacidade de produção dos grupos de pesquisa vinculados aos programas mais bem avaliados. Assim, enquanto 88% e 64%, respectivamente, dos programas com conceito 3 (três) e 4 (quatro) possuem no máximo cinco linhas de pesquisa a eles relacionadas, nos programas com conceito 5 (cinco), este percentual cai para 43%, nos programas com conceito 6 (seis), para 33% e nos programas com conceito 7 (sete), apenas 25% possuem até cinco linhas. Cerca de 46% dos programas com conceito 6 (seis) e 51% dos programas com conceito 7 (sete) possuem 10 ou mais linhas de pesquisa.
Tabela 19
Programas de Pós-Graduação por Conceito Atual na CAPES, segundo Número de Linhas de Pesquisa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise da distribuição dos projetos de pesquisa em andamento relacionados aos programas segue a tendência observada para as linhas de pesquisa. Dos 334 programas, 260 informaram seus projetos. É importante esclarecer que este campo do questionário já vinha previamente preenchido com os dados obtidos junto à CAPES, podendo ser confirmados ou alterados no momento do preenchimento dos questionários. Assim, a tabela 20 abaixo mostra que, dos que responderam a esta questão, cerca de 42% dos programas possuem entre um a 20 projetos de pesquisa em andamento relacionados ao programa, 30% dos programas têm entre 21 e 40 projetos de pesquisa em andamento e 15% de 41 a 60 projetos.
Tabela 20
Programas de Pós-Graduação segundo Número de Projetos de Pesquisa Relacionados ao Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A distribuição dos programas por conceito, segundo número de projetos (Tabela 21), confirma a tendência observada para as linhas de pesquisa, revelando uma maior capacidade de produção (em termos de número de projetos) dos programas mais bem avaliados.
Tabela 21
Programas de Pós-Graduação por Conceito, segundo Número de Projetos de Pesquisa Relacionados ao Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Uma importante análise relacionada à capacidade de produção e captação de recursos dos programas pode ser feita a partir da observação da distribuição dos projetos de pesquisa segundo origem do financiamento (Tabela 22 e Gráfico 6). Dos 6.966 projetos de pesquisa informados, 60% são financiados com recursos externos, 31% com recursos próprios da instituição mantenedora do programa de pós-graduação e 9% utilizam recursos externos e próprios.
Tabela 22
Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação segundo Origem do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Gráfico 6
Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação segundo Origem do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise da origem do financiamento dos projetos por grandes áreas de conhecimento, revela diferentes situações quanto à capacidade de captação de recursos pelos programas e remete igualmente à discussão das políticas de fomento à pesquisa no âmbito das pós-graduações. Assim, a tabela 23 demonstra que a grande maioria dos projetos vinculados aos programas das áreas de Ciências Biológicas (88%), Ciências Agrárias (85%) e Engenharias (77%) é financiada exclusivamente com recursos externos. Os projetos das áreas de Ciências da Saúde e Ciências Humanas estão relativamente equilibrados do ponto de vista da proporção de financiamentos externos e próprios: nas Ciências da Saúde, 47% financiados com recursos externos e 45% com recursos próprios e, nas Ciências Humanas, 47% e 42%, respectivamente. Os projetos da área de Ciências Sociais Aplicadas são os que têm menor aporte de recursos externos. Apenas 29% de seus projetos são financiados exclusivamente com recursos externos, enquanto 65% utilizam-se exclusivamente de recursos próprios das instituições mantenedoras dos programas de pós-graduação.
Tabela 23
Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, por Grande Área de Conhecimento, segundo Origem do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Do ponto de vista da dependência administrativa dos programas aos quais se vinculam os projetos de pesquisa, observa-se que as instituições estaduais e federais têm maior proporção de projetos financiados com recursos externos – 68% e 64% respectivamente – comparativamente às instituições privadas, onde 44% dos projetos são financiados com recursos externos e 51% com recursos próprios, o que em parte se explica pela própria capacidade de arrecadação/geração de recursos destas últimas (Tabela 24).
Tabela 24
Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, por Dependência Administrativa, segundo Origem do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Quando se considera a distribuição dos projetos por conceito do programa segundo origem do financiamento (Tabela 25), observa-se que a proporção de projetos com financiamento exclusivamente externo cresce conforme o conceito dos programas aos quais se vinculam. Assim, por exemplo, enquanto apenas 45% dos projetos de pesquisa vinculados a programas com conceito 3 (três) são financiados exclusivamente com recursos externos, 87% dos projetos vinculados a programas com conceito 7 (sete) têm os recursos externos como fonte exclusiva de financiamento. Esta situação, se pode estar refletindo, por um lado, o nível de excelência e a consequente capacidade de captação de recursos dos pesquisadores vinculados aos programas de maior conceito, por outro lado sinaliza para a necessidade de se discutir estratégias de promoção de maior equidade nas políticas de fomento à pesquisa e às pós-graduações, de modo a contribuir para o fortalecimento de programas emergentes.
Tabela 25
Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, por Conceito do Programa, segundo Origem do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Aos programas que informaram receber financiamento externo para seus projetos, se perguntou sobre as fontes desses financiamentos. Nem todos os programas responderam à questão para todos os projetos que relacionaram. Ao mesmo tempo, cada projeto relacionado pode ter mais de uma fonte de financiamento externo. Assim, a tabela a seguir (Tabela 26) tem como total não o número de projetos, mas o número de financiamentos externos recebidos por meio das diversas fontes de financiamento, discriminadas como: agências/instituições públicas municipais; agências/instituições públicas estaduais; agências/instituições públicas federais; empresas ou outras organizações privadas; agências/instituições internacionais.
Tabela 26
Financiamentos Externos recebidos por Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, segundo Fonte do Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Como se pode observar na tabela acima, a maioria dos financiamentos recebidos pelos projetos é oriunda de agências/instituições públicas federais, seguidas das estaduais. Fontes municipais não chegam a 1% dos financiamentos e a participação das fontes privadas e internacionais no volume de financiamentos ainda é muito pequena.
A distribuição dos projetos por fonte de financiamento segundo grande área do conhecimento (Tabela 27), ainda que possa sofrer influência das diferenças do número absoluto de projetos por grande área e dos custos diferenciados conforme a natureza dos projetos, parece revelar características específicas das políticas de fomento à pesquisa das diversas instituições/agências, assim como certa tradição de busca de determinadas fontes por parte das diferentes áreas. Assim, observa-se uma concentração de financiamentos de fontes estaduais nos projetos da grande área das Ciências Biológicas (cerca de 36%) – ainda que esta área responda apenas por cerca de 8% dos programas do Estado (Gráfico 2) – e uma concentração dos financiamentos privados nos projetos vinculados à grande área das Engenharias (43%) – a segunda maior do Estado em termos de número de programas de pós-graduação (Gráfico 2). Os financiamentos federais também estão concentrados nos projetos da grande área de Ciências Biológicas, só que em menor proporção que os financiamentos estaduais (24%), pois uma boa parte dos financiamentos federais também está alocada nos projetos da área de Engenharias. Uma concentração importante de financiamentos internacionais se observa nos projetos das Ciências da Saúde (32%).
Tabela 27
Financiamentos Externos recebidos por Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, por Fonte do Financiamento, segundo Grande Área de Conhecimento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A observação da distribuição dos financiamentos externos por fonte de financiamento segundo dependência administrativa dos programas de pós-graduação aos quais os projetos se relacionam (Tabela 28), embora também possa sofrer influência das diferenças no número absoluto de projetos entre as instituições (mais numerosos nas federais), revela, de todo modo, que os financiamentos oriundos das agências federais estão concentrados nos projetos vinculados a instituições federais (68%). Os financiamentos oriundos das agências/instituições estaduais também estão concentrados nos projetos vinculados a instituições federais, só que em menor proporção (55%), já que uma parte significativa dos financiamentos com recursos estaduais (37%) está alocada nos projetos desenvolvidos pelos programas de pós-graduação estaduais. Destaca-se ainda, na tabela 28, a pouca participação dos programas estaduais nos financiamentos oriundos das fontes privadas e internacionais (8% e 12%, respectivamente), além de uma expressiva participação dos programas particulares nos financiamentos recebidos de fontes privadas (33%).
Tabela 28
Financiamentos Externos recebidos por Projetos de Pesquisa Relacionados aos Programas de Pós-Graduação, por Fonte do Financiamento, segundo Dependência Administrativa do Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Bolsas de estudo
Outro importante elemento de análise da capacidade de produção e captação de recursos dos programas de pós-graduação, bem como das políticas de fomento das agências de apoio à pesquisa e à pós-graduação, é a situação com relação às bolsas de estudo e sua distribuição.
A tabela 29 apresenta o total de bolsas em 2007 informado pelos programas, por fonte de financiamento. Cabe lembrar que estes números não representam a totalidade das bolsas concedidas pelas diversas agências, uma vez que uma parte dos programas não respondeu aos questionários ou o fez parcialmente. De todo modo, o índice de respostas permite apresentar um quadro bem fidedigno da realidade da distribuição de bolsas de estudo no Estado. Como se poderia esperar, a CAPES e o CNPq são as principais agências financiadoras de bolsas de estudo, arcando com, respectivamente, 42% e 30% das bolsas concedidas (Tabela 29 e Gráfico 7). Destaca-se aqui também a participação de recursos próprios das instituições de ensino e centros de pesquisa no financiamento de 16% das bolsas de pós-graduação stricto sensu no Estado.
Tabela 29
Bolsas de Estudo em Pós-Graduação em 2007 por Fonte de Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Gráfico 7
Bolsas de Estudo em Pós-Graduação em 2007 por Fonte de Financiamento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A análise da distribuição das bolsas por fonte de financiamento, segundo grande área de conhecimento (Tabela 30), indica que as bolsas do CNPq se concentram prioritariamente entre os programas de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Ciências Biológicas. É interessante confrontar estes dados com o tamanho das grandes áreas, em termos de número de programas de pós-graduação (Gráfico 2). Excetuando-se a área de Engenharias, que é a segunda maior em termos de número de programas e que recebeu, em 2007, 25% das bolsas do CNPq, Ciências Exatas e da Terra e Ciências Biológicas, respectivamente a sexta e sétima áreas em termos de número de programas, receberam, juntas, cerca de 39% das bolsas de estudo conferidas pelo CNPq, sugerindo que outros critérios, além do número de alunos, como excelência dos programas/pesquisadores e outros diferenciais na capacidade de captação tenham influenciado tal distribuição.
As bolsas conferidas pela CAPES e pela FAPERJ encontram-se mais homogeneamente distribuídas entre as três grandes áreas acima citadas e também priorizam a grande área de Ciências Humanas (Tabela 30), a primeira no Estado em termos de número de programas (Gráfico 2), que recebe, de cada uma das agências, cerca de 18% e 16% de suas bolsas, respectivamente.
A tabela 30 também evidencia a baixa captação de bolsas das agências públicas por parte dos programas da grande área de Ciências Sociais Aplicadas. Esta, embora em quarto lugar no número de programas, com 14% dos programas do Estado (Gráfico 2), captou em 2007 apenas 7%, 9% e 6% respectivamente das bolsas do CNPq, da CAPES e da FAPERJ.
Tabela 30
Bolsas de Estudo em Pós-Graduação em 2007 por Fonte de Financiamento, segundo Grande Área de Conhecimento – Estado do Rio de Janeiro – 2008

A tabela 31 apresenta a distribuição das bolsas de estudo por fonte de financiamento segundo dependência administrativa dos programas. Ainda que estes dados sofram influência do maior número absoluto de programas federais, pode-se verificar a concentração de bolsas do CNPq e CAPES nesses programas e, em contrapartida, uma distribuição mais equilibrada das bolsas da FAPERJ entre os programas estaduais e federais. Destaca-se ainda a importância dos programas privados na oferta de bolsas com recursos próprios, além da concentração de bolsas com recursos de outras fontes nos programas federais.
Tabela 31
Bolsas de Estudo em Pós-Graduação em 2007 por Fonte de Financiamento, segundo Dependência Administrativa do Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Quanto à distribuição das bolsas por fonte de financiamento segundo conceito do programa (Tabela 32), observa-se que, enquanto o CNPq concentra cerca de 90% de suas bolsas nos programas 5 (cinco), 6 (seis) e 7 (sete), a FAPERJ destina 71% de suas bolsas aos programas 3 (três), 4 (quatro) e 5 (cinco). A CAPES fica numa situação intermediária, alocando proporcionalmente mais bolsas nos programas 4 (quatro), 5 (cinco) e 6 (seis).
Tabela 32
Bolsas de Estudo em Pós-Graduação em 2007 por Fonte de Financiamento, segundo Conceito do Programa – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Teses e dissertações
A tabela 33 apresenta as dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação stricto sensu do Estado do Rio de Janeiro, desde a criação dos programas até 2007. Assim como as bolsas e outras questões da pesquisa que dependiam de informação direta dos coordenadores dos programas, os totais apresentados encontram-se subestimados, uma vez que uma parte dos programas não respondeu aos questionários ou o fez parcialmente. De todo modo, o bom índice de respostas ao inquérito7 permite apresentar um quadro que se aproxima, em ordem de grandeza, à realidade da produção de teses e dissertações no Estado.
Tabela 33
Dissertações e Teses Defendidas desde a Criação dos Programas de Pós-Graduação até 2007 – Estado do Rio de Janeiro – 2008

Assim, considerando 48 anos de existência da pós-graduação stricto sensu no Estado do Rio de Janeiro, foram defendidas, até o momento, pelo menos 50.670 dissertações de mestrado acadêmico, 3.032 de mestrado profissional e 13.371 teses de doutorado.
Considerando apenas as defesas ocorridas em 2007 (Tabela 34), tem-se um total de 5.401 defesas, entre teses e dissertações, o que corresponde a 8,1% do total de teses e dissertações defendidas em quase cinco décadas.
Tabela 34
Dissertações e Teses Defendidas em 2007 – Estado do Rio de Janeiro – 2008
