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Publicado em: 22/07/2019 | Atualizado em: 25/07/2019

Campo Grande recebe a 71ª Reunião Anual da SBPC

Por Débora Motta, de Campo Grande

O presidente da SBPC, Ildeu de Castro, discursa durante a abertura da 71ª
Reunião Anual da entidade, em Campo Grande (Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)

O maior evento de divulgação científica do Brasil e da América Latina teve início na noite de domingo, 21 de julho, na capital sul-mato-grossense. Com o tema “Ciência e Inovação nas Fronteiras da Bioeconomia, da Diversidade e do Desenvolvimento Social”, Campo Grande, que completa 120 anos em 2019, sedia, pela primeira vez, a 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A expectativa é que cerca de 20 mil visitantes e expositores circulem pelo campus da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) até este sábado, dia 27 (Confira a fotogaleria da 71ª Reunião Anual da SBPC).

Durante a cerimônia de abertura da Reunião, realizada no Teatro Glauce Rocha, a necessidade de recompor o orçamento destinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) foi um dos pontos destacados no debate. O presidente da SBPC, Ildeu Moreira de Castro, lembrou que a pasta teve, recentemente, um contingenciamento de mais de R$ 2 bilhões, o que representa um corte de 42% dos seus recursos, além do corte de 21% no Ministério da Educação (MEC). “A SBPC tem uma tradição crítica em relação às políticas públicas e aos governos e é nosso papel apresentar sugestões construtivas de modificações do quadro em que a gente vive. Estamos vivendo cortes muito drásticos e não abriremos mão da luta pela educação pública, gratuita e de qualidade”, disse.

Palco para debates sobre políticas públicas

Ele citou, entre os cortes, a suspensão da concessão de bolsas para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) —  a principal agência de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) do governo federal — e o contingenciamento de 90% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), formado com recursos dos fundos setoriais, privados. “O orçamento confirmado para o CNPq em 2019 só garante o pagamento das bolsas de pesquisa até setembro. Também não temos reajuste das bolsas de pesquisa há vários anos. Demonstramos uma preocupação com o patrimônio científico nacional, que é estratégico para a nossa soberania e desenvolvimento”, destacou Moreira, convocando a sociedade a prestar apoio à Iniciativa de C&T no Parlamento – ICTP.br e em defesa da ciência brasileira – movimento organizado do setor de C&T para atuação permanente junto ao Congresso Nacional e, também, em Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, lançada no dia 8 de maio.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, acrescentou que esses cortes, se não forem revertidos, colocarão em situação muito difícil o funcionamento das agências de fomento à pesquisa do governo federal — CNPq, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) —, além dos institutos de pesquisa e universidades, e atingirão de forma intensa a pós-graduação. “Vivemos em uma sociedade onde o conhecimento tem mais força que a arma, que o canhão. O Brasil tem que persegui-lo em benefício do seu protagonismo internacional. O tema da Reunião destaca a importância da bioeconomia para o estado de Mato Grosso do Sul e, atualmente, faz falta uma agenda nacional de desenvolvimento. Uma política econômica tem que apontar um caminho e é o papel dos investimentos em C,T&I retirar o Brasil da recessão. Ciência não é gasto, é investimento”, defendeu Davidovich.

A presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Flávia Calé da Silva, também fez suas considerações sobre o mesmo cenário, de diminuição do orçamento para a pesquisa. “A ANPG, que completou 33 anos neste mês de julho, nasceu no seio da SBPC. Precisamos lembrar que jovens cientistas brasileiros estão sem perspectivas, já que além do corte no orçamento as bolsas estão há seis anos sem reajuste. A sociedade anseia por uma agenda de recuperação econômica e a Reunião Anual da SBPC precisa ser palco da universidade pública e gratuita, que representa nossa democracia e  patrimônio cultural”, afirmou.

Por sua vez, o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Julio Semeghini, que representou o ministro e astronauta Marcos Pontes na solenidade, apresentou iniciativas da pasta, como o programa Ciência na Escola, e defendeu a união das entidades do setor para mostrar a importância da área e para recuperar o orçamento. “Temos que aproveitar os esforços de todos para trabalhar em rede. Vemos aqui uma diversidade muito grande. Que a gente consiga sensibilizar os congressistas e voltar a ter uma relação de investimento sobre o PIB [Produto Interno Bruto] de cerca de 2%, quando hoje estamos perto de 1%”, disse Semeghini. O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, representando o ministro Abraham Weintraub, defendeu o programa Future-se, voltado à ampliação da participação privada no financiamento das universidades.     

Em nome das entidades que representam a indústria, agronegócio, comércio, serviços e pequenas empresas, e são parceiras apoiadoras da SBPC, o diretor-superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso do Sul (Sebrae/MS), Cláudio George Mendonça, disse que, mais do que nunca, a expansão e aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia são necessários. Segundo ele, a junção do conhecimento da área acadêmica com o setor privado é ideal para difusão e popularização da C,T&I no País. "A universidade é um berço do conhecimento, e quando o setor privado, aqui representado pelas empresas do setor produtivo, caminha junto à academia, temos uma grande oportunidade de levar esse conhecimento aos empresários de todos os segmentos, desenvolvendo o Estado e gerando emprego e renda", acrescentou.

O reitor da UFMS, Marcelo Turine, ressaltou a importância da realização da Reunião da SBPC no campus da universidade, que completa 40 anos desde sua federalização e hoje tem nove campi, atendendo a 24 mil estudantes. “Espero que a realização desse encontro, que é uma vitrine do conhecimento e da inovação para o sul-mato-grossense e para o Brasil, seja um agente catalisador de debates que resultem em transformações das políticas de apoio à atividade de pesquisa, desenvolvimento e inovação, para fortalecer a universidade pública e gratuita”, disse. Ele contou que a escolha do tema dessa edição da Reunião partiu da proposta da diretoria da UFMS. “Esse tema está de acordo com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. É importante discutir questões como segurança alimentar, energia renovável, saúde humana e animal, ecossistemas sustentáveis e aquecimento global”, ponderou.

A mesa de abertura da SBPC também contou com a participação do governador do estado do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja; do presidente do Confap, Evaldo Vilela; do deputado Luiz Ovando, representando a bancada federal; do deputado estadual Rinaldo Modesto, representando a Assembleia Legislativa; do prefeito de Campo Grande, Marcos Marcello Trad; do presidente da Famasul, Maurício Saito; e da presidente da Comissão Executiva local de organização da Reunião, a vice-reitora da UFMS Camila Celeste Brandão. Na plateia, a FAPERJ foi representada pelo seu presidente, Jerson Lima Silva, que é professor e pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ). Também estiveram presentes a bioquímica Débora Foguel, professora titular do IBqMq/UFRJ, e a pesquisadora Luisa Massarani, do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida, da Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).

Um encontro da Ciência com a Cultura e a Arte

A noite de abertura da Reunião foi marcada pela apresentação de grupos musicais que enalteceram a cultura pantaneira. O violeiro, cantor e compositor Almir Sater encerrou a noite, apresentando a sonoridade da viola de dez cordas para a plateia que lotou o Teatro Glauce Rocha. Ele cantou clássicos do seu repertório, como “Tocando em Frente", "Chalana" e "Trem do Pantanal", e canções dos projetos mais atuais, como o AR (Grammy Latino 2016) e +AR (2018), em parcerias com Renato Teixeira. Sater recebeu, na noite de segunda-feira, 22 de julho, o título de Doutor Honoris Causa, juntamente com os artistas plásticos Isaac de Oliveira e Humberto Espíndola. O regionalismo cultural também foi privilegiado no espetáculo “Fronteiras e Encontros”, concebido por professores da UFMS (Evandro Higa, Marlei Sigrist e Marcelo Fernandes), que uniu elementos como a poesia do sul-mato-grossense Manoel de Barros, a harpa paraguaia, os cantos indígenas, a canção urbana de Geraldo Espíndola e Zé Edu e a catira regional.  

Como de praxe, a reunião prestou homenagens a personalidades relevantes da ciência e da cultura. Funcionária da SBPC desde 1974, Eunice Maria Fernandes Personini foi homenageada pela presidente de honra da entidade, Helena Nader. A bióloga e professora da UFMS Maria Ligia Rodrigues Macedo também foi laureada. Na categoria “Amigos da Ciência” deste ano, a SBPC prestigiou os criadores do Instituto Serrapilheira, João Moreira Salles, cineasta, e Branca Moreira Salles, professora de linguística da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); além dos ex-deputados federais Celso Pansera e Sibá Machado, pela atuação de ambos no setor de C,T&I. Houve ainda homenagens póstumas ao engenheiro agronômico Warwick Kerr, ao geneticista Francisco Salzano e ao poeta Manoel de Barros, expoente da cultura do Mato Grosso do Sul.

Durante a abertura, também houve a tradicional entrega do 39º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica. A iniciativa tem o objetivo de revelar e reconhecer grandes nomes que contribuem significativamente para a divulgação científica no Brasil. Dessa vez, o físico Marcelo Knobel foi o escolhido para receber a premiação, que contempla esse ano a categoria "Pesquisador e Escritor". Desde abril de 2017 que ele ocupa o cargo de reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) . Foram recebidas 91 inscrições de pesquisadores e escritores de todas as regiões do País.

Com mais de 250 atividades, e a participação de pesquisadores nacionais e internacionais, e gestores do sistema estadual e nacional de CT&I, a programação científica da Reunião se soma às atividades da SBPC Inovação, SBPC Afro e Indígena e SBPC Educação. No total, serão realizadas, ao longo da semana, 67 conferências, 59 mesas-redondas, 40 encontros, 16 rodas de conversa, nove sessões especiais, cinco palestras, quatro assembleias e três oficinas. Além disso, estão sendo oferecidos 44 minicursos, em diversas áreas do conhecimento.

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Confira a fotogaleria da 71ª Reunião Anual da SBPC

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