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Publicado em: 20/12/2018

Pesquisador traça perfil socioeconômico das assessorias esportivas em áreas públicas do Rio

Grande parte das assessorias esportivas utiliza a praia para
reunir seus alunos em aulas coletivas 
(Fotos: Divulgação)

Paula Guatimosim

Os cartões postais da “cidade maravilhosa” são um convite para quem quer se exercitar ao ar livre, fora dos espaços fechados das academias. Assim, no Rio de Janeiro, é comum encontrar pessoas fazendo atividade física em locais públicos, como praças, parques e na orla, e não raro, auxiliadas pelo serviço de assessoria esportiva – particular ou coletivo. Foi para traçar o perfil socioeconômico e as oportunidades de empreendedorismo que caracterizam esta atividade que o pesquisador Carlos Henrique de Vasconcellos Ribeiro, docente do Mestrado Profissional em Gestão do Trabalho para a Qualidade do Ambiente Construído da Universidade Santa Úrsula (USU), passou os últimos anos coletando dados e referenciais teóricos.

Sua principal motivação foi compreender como se dá a ocupação dos espaços públicos por atividades esportivas e exercício físico de forma orientada e também pela escassez de estudos sobre a atividade, sobretudo nos aspectos de intervenção profissional e oportunidade econômica. O estudo mapeou as assessorias esportivas nas áreas públicas da cidade do Rio de Janeiro em três eixos: perfil do gestor da assessoria esportiva (idade, nível de escolaridade e tempo de formação); perfil de clientes (quantitativo de alunos, perfil sociocultural, gênero e faixa etária); e perfil da empresa de assessoria (localização, horário de funcionamento e valores cobrados pela prestação do serviço).

A pesquisa, realizada por um grupo de pesquisadores do esporte de forma colaborativa entre a Universidade Santa Úrsula (USU) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reuniu entrevistas com 47 assessorias esportivas, um total de 141 profissionais e 3.458 alunos, nos bairros da Zona Sul, Norte e Oeste do Rio de Janeiro, entre os meses de agosto e outubro de 2016. A escolha dos locais de pesquisa – ressalta Ribeiro – foi intencional, a partir de conhecimento prévio das áreas da cidade que poderiam conter maior número de assessorias. Seu artigo foi publicado na revista Podium Sport, Leisure and Tourism Review, que tem sede em São Paulo e divulga a produção intelectual em gestão do esporte, do lazer e do turismo, especificamente contribuições inéditas do trabalho acadêmico e de pesquisa.

“Os resultados obtidos demonstram que as assessorias esportivas são uma atividade econômica espalhada pelas áreas públicas da cidade. Estudá-las é oferecer soluções para que os serviços prestados sejam melhorados, para que mais pessoas possam contratar esse tipo de serviço, gerando emprego e renda para a cadeia de profissionais da área de educação física com formação de bacharelado”, argumenta o pesquisador. O levantamento revela que o perfil socioeconômico do gestor das assessorias esportivas que atuam em áreas públicas do Rio de Janeiro é, em sua maioria (83%), do sexo masculino, com média de idade de 37 anos, graduado há mais de 10 anos – majoritariamente em universidade privada – e atuando profissionalmente há mais de cinco anos.

Quem opta pela assessoria individual paga, em média,
60 reais 
por aula, com uma hora de duração

Quase a metade dos entrevistados possui curso de pós-graduação, 61% são “pessoas jurídicas”, dos quais 62% microempresa e 38% MEI (microempreendedor individual). No contexto do modelo de negócio, as aulas são realizadas, em geral, cinco dias da semana, preferencialmente no horário noturno (55%) e pela manhã (42%). Entre os fatores que podem contribuir para a baixa frequência no período da tarde estão as altas temperaturas que ocorrem na cidade durante esse horário – sobretudo no verão –, e a impossibilidade de serem oferecidos nestes espaços facilidades, tais como vestiários. A corrida é a principal atividade física ensinada nesses espaços públicos, acompanhando uma tendência de crescimento verificada entre os anos de 2013 a 2016, período em que foram contabilizadas 291 corridas organizadas. Entre os demais tipos de atividade física coordenada pelas assessorias, a pesquisa identificou alongamento, crossfit, vôlei, frescobol, futevôlei, stand up paddle, exercícios contra-resistidos e treinamento funcional.

O levantamento revela que há assessorias com apenas um profissional, enquanto outras chegam a ter 16 colaboradores, ficando a média por assessoria em 3,8 pessoas envolvidas no trabalho. Em relação ao número de alunos, a média é de 72,9 por assessoria, variando de cinco a 200 alunos. O valor médio cobrado por aluno é de R$ 150 por três aulas semanais de 60 minutos cada. No caso de aulas individuais, com uma hora de duração, o valor chega a R$ 60 por aula. Quanto às sugestões de melhoria nos espaços públicos, 33% dos professores enfatizam a necessidade de melhorias na segurança, iluminação e conservação das áreas públicas. Como conclusão, Ribeiro aponta para a necessidade de reconhecimento dessa atividade econômica em áreas públicas de cidades brasileiras, do ponto de vista do empreendimento, da formação profissional, da geração de renda e emprego no esporte.

Ribeiro: próximos passos de
sua pesquisa incluem estudo
sobre o perfil dos usuários

Autor de dois livros sobre esporte e mais de 50 artigos acadêmicos publicados em revistas indexadas, Ribeiro acredita que as características e os potenciais de desenvolvimento econômico do esporte ainda são pouco compreendidos, sobretudo na vertente das oportunidades empreendedoras. Em sua opinião, é preciso avançar em estudos que compreendam as novas formas de prestação de serviços relacionados à aprendizagem esportiva e atividade física, sobretudo em uma sociedade com dificuldades de criação de emprego e renda. Para ele, dados financeiros e as vantagens competitivas precisam ser investigadas do ponto de vista do sucesso e da consequente longevidade dessas atividades. “Em um ambiente econômico repleto de incertezas, as assessorias esportivas que atuam em áreas públicas demandam inovação contínua no intuito de oferecer, ano após ano, serviços diferenciados que visem à satisfação dos clientes e reflita no tempo de permanência na atividade”, afirma.

O pesquisador chama a atenção para o fato de esses novos modelos de negócio configurarem diferentes relações trabalhistas, tributárias e previdenciárias. Ele defende que é preciso compreender como se dão as relações trabalhistas nestas assessorias, dadas às condições de imprevisibilidade da atividade, como suscetibilidade a intempéries, jornadas de trabalho mais curtas e específicas durante a manhã e à noite. Tributárias, pois ainda são poucos os que estão inscritos em alguma forma de classificação de “pessoa jurídica” e gerando tributos para o poder público. Previdenciárias, pois se estiverem pelo menos inscritos como microempreendedores individuais, podem contar com alguns benefícios em relação à aposentadoria e ao seguro doença, esclarece Ribeiro. O educador almeja ainda, em futura pesquisa, estudar o perfil socioeconômico dos profissionais do esporte que não estão em áreas públicas, mas atuam em áreas privadas de condomínios e residências, por exemplo.

Segundo Ribeiro, que ao longo dos anos tem contado com apoio da FAPERJ para levar adiante suas pesquisas, tendo sido contemplado nos programas Auxílio à Pesquisa (APQ 1) e Auxílio à Editoração (APQ 3), a próxima etapa do projeto, no qual ele será orientador de Luiz Gustavo Paixão Lanzilotta, seu aluno na USU contemplado com bolsa de Iniciação Científica (IC) da FAPERJ em 2018, será o mapeamento do perfil do usuário (clientes) das assessorias esportivas e a cadeia produtiva dos serviços e produtos esportivos ligados à atividade, ou seja, a circulação de mercadorias relacionadas ao esporte, como vestimentas, calçados etc. nesse tipo de prestação de serviço, associando esse comércio a uma contribuição efetiva para o P.I.B. do setor esportivo.

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