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02/02/2012


Empresa desenvolve ração adesivada para peixes


Vilma Homero

Na correria da vida moderna, descansar os olhos observando a tranquilidade e a beleza de peixes em um aquário pode ser bem relaxante. Para os que têm a aquariofilia como hobby, esse é um assunto levado muito a sério. Melhor ainda quando se consegue interagir melhor com os peixes. Como isso é possível? Simples, fazendo-os se aproximarem do vidro para comer as pastilhas de ração, aderidas às laterais do aquário. O produto, que surgiu a partir de estudos de similares já comercializados no mercado europeu, foi desenvolvido pela empresa Maramar Pet, com apoio da FAPERJ, por meio do edital de Apoio à Inovação Tecnológica.

 Divulgação

           
          Colada às paredes do aquário, ração atrai os peixes 
          para o vidro, evita sobra e proliferação de bactérias

"Para fazer um produto nutricionalmente completo e aderente ao vidro do aquário, para permitir que se visualize os peixes se alimentando, criamos uma parceria com os pesquisadores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Senai-RJ)", explica Fernando Quinto, responsável pela empresa. O trabalho abrangeu desde um estudo preliminar detalhado sobre os registros de patentes existentes internacionalmente até verificar o estágio de desenvolvimento desse tipo de produto e os processos utilizados até o momento. "Ao percebermos que não havia nada nessa linha, elaboramos o nosso projeto, contando com a colaboração e expertise dos técnicos do Senai Alimentos, para desenvolver um produto diferenciado e inovador", afirma. 

Com tudo isso, quem ganha são os peixes. Isso porque um aquário é um ótimo exemplo de sustentabilidade, válido para entender nosso planeta. "Todo  alimento colocado no aquário interfere diretamente na qualidade da água, ambiente no qual os peixes respiram. Todo excesso de comida é problemático, porque gera lixo, seja na forma de restos de alimentos ou de fezes ricas em material orgânico", explica Fernando. Para decompor esse lixo, entram em cena as bactérias benéficas existentes no aquário, cuja função é a de equilibrar esse ciclo mantendo a água do aquário sempre estabilizada.

"Quando, no entanto, há um excesso de sobras de alimento, aumenta também a proliferação de bactérias. Essa superpopulação altera o equilíbrio do aquário, já que consome o oxigênio e reduz drasticamente a qualidade da água. Isso dá oportunidade ao aparecimento de doenças oportunistas, enfraquece os peixes e pode até levá-los à morte." Segundo Fernando, com as pastilhas, isso não acontece. "Fizemos pastilhas de diferentes tamanhos, de modo a facilitar ao usuário oferecer a seus peixes a dose ideal de alimento.

Para produzir o alimento, a empresa Maramar Pet usou toda a experiência de vários anos produzindo outras linhas de ração – em flocos ou extrusada (bolinhas que flutuam na água). A base nutricional de cada uma delas varia com a espécie de peixes a ser alimentada. "Essas rações são acrescidas de substâncias que conferem firmeza e aderência ao alimento. Com isso, desenvolvemos não apenas um único produto, mas uma linha completa, direcionada a diferentes tipos de peixes. Todas elas adesivadas para se fixarem às paredes do aquário. São as pastilhas Fix."

Segundo o empreendedor, espécies diversas de peixes ornamentais necessitam de formulação com cargas diferentes de proteínas, vitaminas e gorduras. "Isso também varia de acordo com os hábitos de alimentação de cada espécie: se costumam, por exemplo, comer o alimento que bóia na superfície da água, se preferem a comida no fundo ou na meia água", explica Fernando. Ele ainda cita espécies de hábitos onívoros, como as carpas comuns, os carnívoros, como os peixes betta, ou ciclídeos africanos, originários do lago Malawi, que preferem vegetais. "Para cada um deles, há obviamente alimentos com base nutricional diferente, com mais ou menos concentração de proteínas, maior ou menor quantidade de vegetais, conforme o caso", explica.

Para transformar a ração em flocos ou extrusada em alimento adesivado, a formulação precisa manter o mesmo aporte nutricional. "Para chegarmos até o resultado final, fizemos vários testes para definir o aditivo a ser acrescentado, capaz de compactar a ração, ajudar na aderência e que pudesse ser usado para os vários tipos de alimento. Deu tudo certo."

De acordo com o empresário, a produção das pastilhas adesivadas não exige que o alimento passe por um processo térmico, como no caso das rações em flocos ou extrusada. "As altas temperaturas costumam reduzir as características funcionais de certas vitaminas e interagem com algumas proteínas, alterando as cadeias de aminoácidos originais", destaca. Como tudo isso terminaria alterando a concentração dessas vitaminas e proteínas termosensíveis, elas só são adicionadas no final no processo, na fase de compressão.

"Na produção das pastilhas, nada disso acontece porque tudo é feito por compactação, sem a necessidade de altas temperaturas, nem perdas nutricionais durante o processo", compara. Ele fala ainda que as pastilhas são comercializadas em várias apresentações, com dosagens variadas, para atender a medida exata de cada refeição, sem deixar sobras.

E complementa: "A parceria da Maramar Pet com o Senai tem sido uma contribuição valiosa. Com ela, e com os recursos da FAPERJ, pudemos desenvolver toda uma linha de novos produtos, inovadores, e crescer no mercado. O aprendizado foi grande, em todos os sentidos e tudo isso foi fundamental para a nossa empresa. Um dos resultados mais importantes de tudo isso foi termos fundado a Central de Negócios da Costa do Sol, uma associação multisetorial de empresários locais, para compartilhar um pouco de toda essa experiência. Nosso objetivo é beneficiar toda a nossa região", conclui.

 

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