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Discurso de Ruy Marques durante a entrega da Medalha da Ordem do Mérito José Bonifácio a Alexandre Cardoso

Magnífico Reitor da UERJ – Prof. Ricardo Vieiralves de Castro
Senhor Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia – Alexandre Cardoso e digníssima esposa, Sr.ª Tatyane Freitas Lima
Demais autoridades presentes
Colegas professores
Pesquisadores
Alunos
Senhoras e senhores

Como professor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, sinto-me muito honrado em proferir a saudação ao homenageado, nesta cerimônia de outorga da Comenda da Ordem do Mérito José Bonifácio ao Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Cardoso.

Antes de apresentar o nosso homenageado, permitam-me, por favor, fazer um breve histórico do Patrono que dá nome a esta Comenda, José Bonifácio.

José Bonifácio de Andrada e Silva, que viveu entre 1780 e 1838, nasceu em Santos, no estado de São Paulo, e tem presença marcante na historiografia nacional, como o Patriarca da Independência, primado concedido a seu perfil de estadista e parlamentar. Dentre outras atividades, administrou espaços governamentais portugueses ligados diretamente à mineração e à agricultura, sendo um deles a Intendência Geral das Minas e Metais do Reino, órgão que formulava a política de exploração mineral em Portugal no início do século XIX e realizava pesquisas no campo da mineralogia. A Intendência foi um espaço de importante produção científica no campo da mineralogia e contribuiu para a difusão das modernas idéias científicas pela sociedade portuguesa, o que ratifica a tese de que a Academia não era a única instituição produtora de ciência em Portugal.

Em seus escritos, José Bonifácio colocava a ciência como algo que podia ser útil para a sociedade, com a função social de resolver problemas. Para ele, a ciência era prática, aplicada, e deveria ajudar a resolver os males que imperavam em sua época. Sua função era semear idéias úteis para a sociedade. Como ele próprio afirmava, "se das minhas idéias se quiser tirar proveito, folgarei infinito de ser útil".  Por ”ciência útil”, entendia-se o conjunto de matérias que possibilitariam a solução ou a transformação da realidade vivida até então, o que o conecta diretamente ao pensamento científico moderno, uma vez que buscava tornar o conhecimento científico em algo prático e útil.

Também é de José Bonifácio a seguinte observação: "Desde que eu comecei a pensar que as ciências eram um emérito fútil quando não se aplicavam ao bem público, não pude deixar de espantar-me vendo o desleixo dos sábios e o pouco caso que faziam do bem público".

Ele dizia que uma série de fatores impedia o desenvolvimento das ciências naturais, como, por exemplo, a falta de museus, de gabinetes de física e de laboratórios; a ausência do estudo das ciências naturais no plano de educação dos jovens; a falta de sociedades econômicas e patrióticas para espalhar as luzes; o péssimo estado das ciências naturais na Universidade de Coimbra; a não-extração ou a má mineração dos metais; e o pequeno número de imprensas e de governadores capazes de arregimentar apoio e recursos financeiros necessários ao desenvolvimento das ciências.

Acredito que essas, além de sua atuação política e de ser o Patriarca da Independência, possam ter sido algumas das motivações para que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro tenha instituído a Comenda da Ordem do Mérito que leva o nome de José Bonifácio para homenagear personalidades nacionais e estrangeiras que tenham se destacado nos setores da educação, da ciência e da cultura, sobretudo em benefício da UERJ.

Nosso homenageado, Alexandre Aguiar Cardoso, nasceu em Duque de Caxias, no dia 03 de maio de 1952. Médico, pós-graduado em Medicina do Trabalho e Administração Hospitalar, é membro do Comitê de Saúde Pública da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária. Formou-se também como Bacharel em Direito. É um político, por natureza, e vive, intensamente, múltiplas atividades, seja na Secretaria de Ciência e Tecnologia, para onde foi convocado pelo governador Sérgio Cabral para exercer as funções de Secretário de Estado, seja na Presidência Regional do Partido Socialista Brasileiro, ou também como um bem-sucedido empresário.

Exerceu seu primeiro mandato eletivo em 1986, como Deputado Estadual, sendo reeleito em 1990. Deputado Estadual Constituinte, destacou-se como Relator do Sistema Tributário e Presidente da Comissão de Saúde e Direitos Humanos.

Foi eleito Deputado Federal em 1994, em 1998, em 2002 e em 2006, sempre com destacada atuação na Câmara dos Deputados, onde presidiu a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, por meio da qual buscou a aproximação do cidadão comum das tarefas de fiscalizar a aplicação do dinheiro público e, para facilitar a sua compreensão, lançou a Cartilha de Fiscalização e Controle.

Em 2003, presidiu a Comissão Especial de Reforma Política, cujo produto final, o Projeto de Lei 2.679/03, instituiu profunda reforma do sistema político.

Na última eleição que disputou para a Câmara Federal, em 2006, conquistou o seu quarto mandato consecutivo, obtendo mais de 102 mil votos, a mais expressiva votação de sua história política.

Como Deputado Federal, foi apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar como um dos principais debatedores e formuladores do Congresso Nacional, constituindo-se no único Deputado da Baixada Fluminense integrante da chamada elite parlamentar brasileira.

Como Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alexandre revelou-se um executivo público como poucos, sendo admirado e respeitado pela comunidade científica pelas suas iniciativas arrojadas, como a Lei Estadual de Inovação, cuja proposição mobilizou centenas de participantes especialistas dos setores acadêmicos, empresariais e da sociedade civil.

Sua relação de amizade e intenso respeito mútuo com o Governador Sérgio Cabral, tem levado a um desempenho ímpar e a um crescimento sem igual para todas as instituições vinculadas à sua Secretaria.

No que se refere à Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro – FAETEC, por exemplo, promoveu um extenso programa de revitalização institucional, com ênfase na gestão acadêmica, administrativa e financeira da instituição, reformou escolas técnicas, instalou 12 Centros VocacionaisTecnológicos (CVTs) e outros três que estão em fase final para implantação, e realizou uma ampla reforma didático-pedagógica nos seus cursos, que totalizaram, em 2008, 21.000 novas matrículas em cursos técnicos e mais de 130.000 em outras atividades de ensino.

Na Educação Superior a Distância, duplicou os Polos de Educação, que agora são 33, cobrindo todo o território fluminense no seu atendimento, com oferta de cursos superiores em Licenciaturas, Administração e Informática, que reúnem mais de 20.000 matrículas, em consórcio com as Universidades públicas sediadas em nosso Estado. Em 2008, foram oferecidas 6.879 vagas para cursos superiores e os programas de Vestibular Social alcançaram 14.450 pessoas. 

Estimulou e assessorou a FAETEC na implantação dos Cursos de Iniciação Profissional e de Qualificação a Distância, inovadores na sua concepção e aplicação, atendendo a cerca de 3.000 novos alunos e a 2.300 concluintes.

Viabilizou financiamento do BNDES para a Divulgação Científica, com a Caravana da Ciência, adquirindo planetários, laboratórios e um micro-ônibus para percorrer todo o interior do Estado, difundindo e popularizando a ciência e a tecnologia.

Implantou o programa FAETEC-Digital, com o objetivo de promover a inclusão digital em comunidades carentes, e lançou o programa Estado Digital. Seu objetivo é a Iluminação Digital, por meio de acesso gratuito à Internet em Banda Larga sem fio para toda a população. Desse programa, fazem parte o Orla Digital, já implantado e com grande sucesso em Copacabana, e em fase final de implantação em Ipanema e Leblon. Inaugurou, recentemente, o programa Santa Marta digital, com expansão programada para outras comunidades, como Cidade de Deus e Rocinha para os próximos meses de maio e junho. Numa visão altamente progressista, também é responsável pela implantação do programa Baixada Digital, que disponibilizará a Internet gratuita para mais de 3,5 milhões de pessoas, com inauguração prevista para os meses de maio e junho próximos.

Devido à sua intervenção obstinada, promoveu os entendimentos para a conquista da autonomia do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO), aprovando na ALERJ a Lei que o transformou em Fundação de Direito Público, em celebração histórica, já com plano de carreira e com previsão de realização de seus primeiros concursos, para docentes e técnicos, ainda em 2009.

A UERJ e a UENF têm merecido do Secretário Alexandre Cardoso o apoio e a atenção que esperam seus gestores, docentes e alunos, fruto de uma relação profissional intensa e que tem se traduzido na viabilização de recursos financeiros para o seu melhor funcionamento. Citando como exemplo, todos os esforços têm sido realizados para a recuperação do referencial do Hospital Universitário Pedro Ernesto como instituição de vanguarda no atendimento à população fluminense, assim como na pesquisa clínica. A Unidade Perinatal do Hospital Pedro Ernesto também foi objeto de forte apoio em investimentos para a aquisição de equipamentos, ampliação do número de leitos e para a superação dos obstáculos para o seu efetivo funcionamento. Muitas foram as suas conquistas orçamentárias, possibilitando inúmeras obras de recuperação de infraestrutura, tanto na UERJ quanto na UENF.
 
No tocante à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – a nossa FAPERJ – são muitas as conquistas que devemos ao Secretário Alexandre Cardoso, a começar pela indicação de um docente da UERJ para presidi-la, neste período de sua gestão à frente da ciência e tecnologia em nosso Estado.

A sensibilidade e firme intervenção do Secretário Alexandre Cardoso e do Governador Sérgio Cabral permitiram que os recursos da FAPERJ alcançassem mais do que o dobro de exercícios anteriores, nos limites legais de 2% da arrecadação tributária liquida do estado. Este fato possibilitou um crescimento expressivo na aplicação de recursos para a pesquisa científica e tecnológica em nosso estado, saltando de uma média de R$ 90 milhões praticados entre os anos de 2000 a 2006, para R$ 240 milhões em 2008, somente computados os recursos oriundos do Tesouro Estadual. Com essa medida, em 2007 e 2008, somente com recursos da FAPERJ, os pesquisadores da UERJ tiveram cerca de R$ 42 milhões em auxílios, R$ 16 milhões em bolsas e R$ 30 milhões em descentralizações orçamentárias, totalizando mais de R$ 88 milhões, integralmente pagos, para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e para a recuperação da infraestrutura para pesquisa em muitas unidades.

Estes são marcos de sua trajetória na Secretaria e que, somados a muitos outros, caracterizam a determinação e a sua grande capacidade de trabalho, atuando, em todas as frentes possíveis, para o desenvolvimento rápido e sustentado da ciência e tecnologia fluminenses. Essas ações não teriam sido possíveis sem a sua profunda percepção de que, como José Bonifácio, a ciência deve trabalhar em prol da melhoria da qualidade de vida da população.

Alexandre Cardoso não é um cientista, todos sabem, mas é um incansável defensor da ciência e tecnologia em nosso estado. Tem conseguido arregimentar recursos financeiros e apoio político para a pesquisa científica e para a infraestrutura de pesquisa para todas as instituições aqui sediadas. Tanto quanto nós, sabe que vencer o longo período do pouco investimento da última década, é uma batalha árdua e contínua.

São esses inegáveis atributos de qualidade do caráter, do carisma e da aplicação do político e do executivo público Alexandre Cardoso que fazem da outorga da Comenda da Ordem do Mérito José Bonifácio, que lhe confere o nosso Reitor Ricardo Vieiralves, um ato de justiça e de reconhecimento, que envaidece o corpo docente da UERJ que ora represento, e toda a nossa comunidade científica, aqui representada por muitos de seus integrantes.

Ao chefe, colega e amigo Alexandre Cardoso, registro a minha emoção pelo privilégio de ter sido escolhido pelo nosso Reitor para saudá-lo neste momento e lhe digo que o fiz com a certeza de estar cumprindo uma honrosa missão, da qual muito me orgulho.

Aceite, Alexandre, o meu fraternal abraço, extensivo aos seus três filhos, Juliana, Felipe e Pedro, à sua esposa Tatyane, e a todos os seus familiares.

Parabéns, Alexandre!

 

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

 

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