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26/08/2002


Óleo de canola ajuda a combater o colesterol


Óleo de canola ajuda a combater o colesterol

O óleo de canola faz bem à saúde e pode ajudar a prevenir doenças do coração. É o que revela a pesquisa realizada pela nutricionista Márcia Barbosa Águila, professora de Nutrição Clínica da UNI-RIO, que está finalizando sua tese de doutorado no Laboratório de Morfometria e Morfologia Cardiovascular da UERJ, chefiado pelo seu orientador, o professor Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda.

Foi estudando como diferentes dietas com alto teor de lipídios influenciam no processo de envelhecimento cardiovascular, que Márcia Águila verificou os benefícios do óleo de canola. Rico em ÔMEGA-3, um ácido graxo que ajuda a reduzir o “mau colesterol” e a aumentar o “bom colesterol”, o óleo de canola também auxilia no controle da pressão arterial. O único problema é o preço. Mais caro do que os óleos normalmente encontrados nas prateleiras dos supermercados, o de canola ainda é inacessível à maioria da população.

Para realizar a pesquisa, Márcia fez experimentos com ratos, dividindo-os em quatro grupos. O primeiro recebeu em sua ração óleo de canola; o segundo, óleo de soja; o terceiro, banha de porco e gema de ovo e o quarto, banha de porco e gema de ovo misturada com óleo de canola.
Durante um ano e meio essas dietas foram preparadas pela professora, que diariamente observava o estado de saúde dos animais. Para avaliar o processo de envelhecimento no coração desses roedores, Márcia lançou mão da estereologia - uma técnica que determina o conhecimento tridimensional de estruturas a partir da análise de imagens bidimensionais.

Os resultados dessa pesquisa acabam de ser publicados em duas revistas, a “Mechanisms of Ageing and Development” e “Pathology Research and Pratice”. Segundo Márcia, os testes revelaram que as lâminas do miocárdio no grupo de ratos que recebeu óleo de canola apresentaram aspecto normal, com artérias intramiocárdicas bem preservadas. Nos animais que tiveram suas dietas acrescidas de gema de ovo e banha de porco, a professora observou células hipertrofiadas rodeadas de abundante tecido conjuntivo (fibrose), o que costuma ocasionar aumento da morbidade e mortalidade, especialmente por infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Nesse grupo ela observou, também, maior número de casos de hipertensão arterial, já a partir dos seis meses de idade, que aumentou ainda mais com o envelhecimento. Os ratos Wistar, usados no experimento de Márcia, vivem em média dois anos em laboratório.

Mas, apesar dos benefícios do óleo de canola, ele deve ser consumido moderadamente. Márcia Águila lembra que ele é um alimento energético e, portanto, pode contribuir para a obesidade se ingerido exageradamente. “O importante é o equilíbrio”, afirma, “e isto vale também para a alimentação. Afinal, as pessoas podem viver por mais tempo, em melhores condições, se cuidarem mais de seus hábitos alimentares.” Uma rotina que deve começar na infância. Por isso, Márcia se diz preocupada ao ver crianças se alimentando sistematicamente de sanduíches e frituras, e adverte: “há meninos e meninas com apenas 10 anos de idade que já apresentam alterações de colesterol, glicemia elevada e hipertensão arterial.” Claro que “de vez em quando, entrar num fast food não é nada demais. O importante é não fazer disso uma rotina”, alerta. Para iniciar, Márcia sugere a inclusão da disciplina “Educação Nutricional” no currículo das escolas e uma mudança no cardápio das cantinas escolares, com opção para alimentos mais saudáveis.

Descrição das fotomicrografias

Corte transversal do miocárdio do grupo Soja apresenta aspecto normal com septos delgados de tecido conjuntivo intersticial. Miocárdio do grupo Canola apresenta aspecto normal com artérias intramiocárdicas bem preservadas. Miocárdio do grupo Banha de Porco e Gema de Ovo, mostra células hipertrofiadas rodeadas de tecido conjuntivo abundante (fibrose intersticial) e o miocárdio do grupo Canola+Banha de Porco e gema de ovo mostra artérias intramiocárdicas com a parede espessa e células um pouco hipertrofiadas.

Mais informações na página do Laboratório:
www2.uerj.br/~lmmc

 

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