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Publicado em: 19/04/2007

A Carmen Miranda da paleontologia: pequeno crocodilo é notável para a ciência

Mario Nicoll

 

 Vinicius Zepeda

 
 Carvalho apresenta o animal
Com apenas 50 cm de comprimento, um dos menores crocodilos de que se tem notícia era mínimo se comparado aos dinossauros e outros animais com quem conviveu há 90 milhões de anos. Numa alusão a seu tamanho e à importância de sua descoberta, o Adamantinasuchus navae recebeu dos pesquisadores o apelido de Pequeno Notável. “É a Carmen Miranda da paleontologia brasileira”, não se furtou a dizer o paleontólogo Ismar de Souza Carvalho, apoiado pelo Programa Cientistas do Nosso Estado da FAPERJ.

Apresentado ao público na terça-feira, dia 17, o animal teve seus fósseis encontrados em rochas na região de Marília, no Estado de São Paulo e gerou importantes estudos comandados por Carvalho e por Pedro Henrique Nobre, ambos do Departamento de Geologia da UFRJ. O trabalho foi publicado na revista científica Gondwana Research.

Além do tamanho e do peso – cerca de 10 kg –, a nova espécie de crocodilomorfo tinha características únicas que podem ajudar a revelar novos aspectos da evolução desses animais e a compreender os fenômenos de extinção que ocorreram no período Cretáceo.

 

 Arte: Pepi
 

Adamantinasuchus navae convivia com crocodilos
maiores e com dinossauros no período Cretáceo

 

O focinho curto e alto, as narinas frontais, as grandes órbitas oculares, fêmur longo e arcada dentária semelhante à dos mamíferos são traços peculiares que intrigaram os pesquisadores que estudaram o animal que teve sua linhagem extinta. “São características anatômicas até então desconhecidas pela ciência que conferem a ele uma grande importância”, observou Carvalho.

 

 

 


 

Réptil com jeito de mamífero

 

 Vinicius Zepeda

 

Pequeno fóssil original do crânio do A. suchus

A arcada dentária, com dentes protuberantes na frente e com formato semelhante aos molares dos mamíferos atrás – os dentes superiores se encaixam nos inferiores –, mostra que ele era onívoro – se alimentava de carnes e vegetais. “Comiam carcaças de animais, pequenos vertebrados, verduras e insetos”, relacionou Carvalho.

Com membros posteriores maiores que os anteriores, o animal tinha postura mais ereta que outros répteis. O tamanho das pernas e as narinas frontais – normalmente os crocodilos têm narinas mais ao alto da cabeça para facilitar a sobrevivência em ambientes aquáticos – fazem presumir que era terrestre e que percorria grandes distâncias. Ele vivia em clima seco e quente num ambiente árido altamente desfavorável. Esses longos períodos de seca eram seguidos de grandes inundações, em que ele também se adaptava.

Os olhos grandes indicam que ele teria hábitos noturnos para fugir das altas temperaturas que chegavam a 80 C. Como conviveram com toda essa adversidade, os pesquisadores presumem que era um animal oportunista. “Assim como os mamíferos, eles viviam em ambientes ecológicos diversos”, comparou.  Esse oportunismo e a semelhança nos dentes fizeram com que os pesquisadores concluíssem que o A. navae ocupava o espaço que hoje é dos mamíferos na cadeia alimentar.

As diferenças em relação a outros crocodilomorfos e algumas semelhanças com os mamíferos levaram a uma comparação inusitada com uma raça canina. “Lembra muito um cachorro chihuahua”, disse Carvalho.

Descoberta contra o tempo

O nome do animal é uma homenagem à formação rochosa Adamantina, onde foram encontrados os fósseis, e a seu descobridor, William Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, em São Paulo. Em 1998, uma represa estava sendo construída em Marília. Como na região, grandes obras oferecem a oportunidade de encontrarem-se fósseis, Nava foi ao local à procura deles.

 Vinicius Zepeda
 

Na vitrine, a reconstituição do esqueleto e,
em cima, a aparência presumida do animal

Por pouco, os fósseis do A. navae não se perderam. “Quando cheguei na obra, o lago da represa já estava sendo cheio, mas acabei encontrando os fósseis. Por uma questão de tempo, a essa altura os fósseis poderiam estar perdidos para sempre”, revelou Nava.

O estudo teve apoio da FAPERJ, Instituto Virtual de Paleontologia, CNPq, UFRJ, Museu de Paleontologia de Marília e Prefeitura de Marília.

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