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Publicado em: 15/03/2007

Predisposição ao vício do cigarro pode ser atribuída à genética

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Alelo do cromossomo X
pode estar ligado ao fumo
 

   
Existe predisposição genética para o tabagismo? Parte dessa discussão acontece no próximo dia 23 de março, quando será realizada a II Jornada Interdisciplinar de Tabagismo Professor José Rosemberg, no auditório Alice Rosa, no 12 andar do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante toda a manhã, os professores do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo (NETT), do Instituto de Doenças do Tórax daquela universidade, avaliarão os fatores genéticos que podem influenciar no comportamento tabagista.

 

Desenvolvendo o tema “Tabaco, Genética e Comportamento”, Analice Gigliotti, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, fará a conferência “Neurobiologia da adição”, a que se seguirá mesa redonda, com palestras de Alberto Araújo, coordenador do NETT (Tabaco: o que há de novo, perspectivas terapêuticas); Joab Trajano Silva, do Instituto de Química da UFRJ (Polimorfismo da MAOA e a cessação do tabagismo); e Nelson Caldas, psicólogo do NETT (Dependência, aspectos psiquiátricos). Carlos Alberto Barros Franco, da PUC, e Marco Antonio Brasil, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, intermediarão os debates.

 

O evento, que está sendo organizado pelos professores Alberto Araújo e Joab Trajano Silva, é também uma forma de ampliar a discussão sobre o tema, que já está sendo objeto de pesquisa para o Sistema Único de Saúde (SUS), apoiado pela FAPERJ. Em Relação entre o polimorfismo funcional VNTR na região promotora do gene MAOA e a resposta ao tratamento antitabagismo em indivíduos masculinos, o professor Joab Trajano, coordenador do programa de pós-graduação em Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, estuda, em conjunto com os profissionais do NETT, se determinados alelos do gene MAOA (que codifica a enzima monoaminoxidase) levam ao tabagismo e se esses alelos têm influência diferencial sobre o tratamento com a bupropiona, droga que costuma ser utilizada no tratamento de fumantes, mas que apresenta sucesso de apenas 40%.

 

O projeto é dividido em três etapas. Na primeira delas, o objetivo é verificar a os tipos e as freqüências dos alelos do gene da monoaminoxidase (MAOA) na população do Estado do Rio de Janeiro. “Sabemos que determinados alelos do gene MAOA parecem predispor a um comportamento tabagista. Nosso estudo, então, irá verificar a freqüência desses alelos na população”, explica o professor Joab. Para isso, serão analisadas amostras de sangue coletadas de 600 voluntários saudáveis, que serão divididos em três grupos diferentes. O primeiro, de pessoas que nunca fumaram nem tiveram nenhum outro vício. O segundo, de fumantes que espontaneamente ou por tratamento deixaram o cigarro. E o terceiro, de indivíduos que ainda mantêm o vício. A análise será feita pela técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR).

 

 

A expectativa dos pesquisadores é encontrar um alelo mais constante entre fumantes

 

“Estamos coletando sangue de cada um desses grupos, para deles extrair o DNA e determinar quais dentre os cinco alelos do gene MAOA estão mais presentes na população. E quais são mais freqüentes nos indivíduos fumantes”, diz. Como esclarece o professor, o gene MAOA é ligado ao cromossomo X. Portanto, enquanto as mulheres que possuem dois cromossomos X têm dois dos cinco alelos existentes, cada indivíduo do sexo masculino só tem um. “Precisamos então determinar que tipo de alelo possui cada indivíduo isoladamente e verificar a freqüência de cada um deles no grupo”, fala.

 

A expectativa é de encontrar diferenças entre o grupo que nunca fumou e que provavelmente teria um determinado tipo de alelo, com freqüência destacada dos demais e o grupo tabagista, em que se espera constatar um outro tipo de alelo mais constante. “Dois alelos já foram correlacionados com o hábito de fumar, como se verificou em estudos no exterior. No Brasil, a nossa será a primeira pesquisa no gênero”, fala Joab.

           

Enquanto o NETT seleciona os voluntários e realiza a coleta de sangue, o Instituto de Química fica encarregado de coordenar a coleta do sangue e proceder aos estudos genéticos. Num segundo estágio da pesquisa, será feito um estudo clínico com fumantes inveterados, indivíduos que fumam muitos maços dia. Divididos em dois grupos, um deles será tratado com placebo, enquanto o outro receberá bupropiona. Da mesma forma, será feita a genotipagem e o acompanhamento dos voluntários, procurando-se correlacionar o genótipo do indivíduo com o sucesso do tratamento com bupropiona. “Queremos constatar se há homens mais suscetíveis à droga e ao tratamento.” Nesta etapa do projeto, será determinada a presença do metabólito cotinina (derivado da nicotina) na urina dos voluntários dos dois grupos. “O que nos indicaria se o indivíduo continua ou não a fumar. Isso porque um percentual alto de pessoas mente dizendo que parou de fumar enquanto mantém o vício”, explica o professor.

 

É possível que um ou mais alelos do gene MAOA possam, além de predispor ao hábito tabagista, também influenciar no sucesso terapêutico com a bupropiona. Caso essa expectativa se confirme, apenas determinados indivíduos, com características genéticas específicas, teriam indicação para tratamento com a bupropiona. Os demais terão que se valer de outras alternativas, como o tratamento com reposição de nicotina, ou aguardar a chegada ao mercado de novas drogas para o tratamento do tabagismo, algumas já em etapa final de testes para uso em humanos.

 

Desde que o projeto foi aprovado pelo edital Pesquisa para o SUS, da FAPERJ, em dezembro de 2006, os pesquisadores já conseguiram colher 96 amostras de sangue de voluntários e começaram a analisar os genótipos. O projeto já foi aprovado tanto pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, como pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que vem colaborando com o estudo. “Estamos estendendo nossa pesquisa para os postos de saúde como forma de ampliar o universo de voluntários para coleta de amostras. Sabemos que os resultados provavelmente serão adotados pelo pessoal do NETT”, conclui.
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