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Publicado em: 25/01/2007

Tratamento ambiental de resíduos transforma lixo em eletricidade

Vilma Homero

No Antigo lixão de Marambaia, os catadores trabalhavam em condições insalubres, com risco de explosões e desabamentoA montanha de aparência argilosa em nada lembra o antigo lixão da Marambaia, em Nova Iguaçu, na baixada fluminense. Inteiramente recuperado e sem detritos à vista, seu interior é cortado por uma rede de dutos para captação de gás metano, cuja queima gera em média 1 megawatt de eletricidade. A alguns quilômetros dali, no mesmo município, o Centro de Tratamento de Resíduos de Nova Iguaçu, no bairro de Adrianópolis, já foi projetado e construído com a metodologia do projeto Nova Gerar e produz 3.000m de biogás/hora. A expectativa é de que em 2022, a média de produção de gás naquela unidade seja de 14.000m, gerando 10 megawatts de energia. O suficiente para a iluminar vias e prédios públicos de uma cidade de um milhão de habitantes, como Nova Iguaçu.

Tanto a recuperação do lixão da Marambaia quanto o novo CTR de Nova Iguaçu fazem parte da pesquisa da engenheira Adriana Felipetto, "Nova Iguaçu Energia Limpa", apoiada pelo programa Rio Inovação II, da FAPERJ. O projeto prevê a implantação de um modelo de aterro sanitário dentro de novos conceitos de tratamento de lixo, que não só evitem danos ao meio ambiente, como também utilizem os detritos para produção de biogás e eletricidade.

Com uma vantagem adicional: de acordo com o Protocolo de Quioto, gases geradores de efeito estufa que deixam de ser lançados na atmosfera valem certificados de carbono. Ou seja, seguindo os procedimentos mundiais de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), o município de Nova Iguaçu ainda pode negociar com organismos internacionais esses créditos de carbono. E com duas vantagens: financeira e em qualidade de vida para sua população.

No Centro de Tratamento de Resíduos de Nova Iguaçu, em Adrianópolis, são produzidos 2 mil metros cúbicos de gás por hora"Cada habitante gera em torno de um quilo de lixo a cada dia. Mas, hoje, em 80% dos municípios fluminenses não há tratamento para esse lixo. Nos 92 municípios do estado, apenas dois aterros sanitários são licenciados, enquanto cerca de mais 65 lixões e aterros clandestinos operam sem quaisquer cuidados ambientais. A situação é proporcionalmente a mesma em todo o país", afirma Adriana, diretora da CTR de Nova Iguaçu, em Adrianópolis, empresa do grupo S.A. Paulista que, por contrato com a prefeitura de Nova Iguaçu, construiu e administra o empreendimento e o projeto NovaGerar, que também foi o responsável pela recuperação do lixão da Marambaia.

Do lixo à eletricidade, o processo é simples. O gás que se forma a partir da degradação dos detritos é composto por 55% de metano, 40% de CO2 e 5% de nitrogênio. Sugado através de uma bomba para uma rede de tubulação, esse gás, de alta capacidade calorífica, serve a dois propósitos: alimenta o gerador que produz eletricidade ao mesmo tempo em que sua queima serve para aquecer o chorume, que, desidratado, é reduzido a insignificantes 2% de seu volume original. E mesmo esses 2% de resíduos sólidos que restam voltam ao aterro. O chorume é o líquido de coloração escura, resultante da degradação de resíduos e altamente poluente. Em aterros sem tratamento adequado, vazamentos de chorume costumam contaminar lençóis freáticos, rios e outras fontes de água potável.

"Uma queima completa do metano o transforma em CO2, o que reduz 21 vezes seu poder de provocar efeito estufa", explica Adriana. O tratamento apropriado de resíduos traz enormes vantagens ambientais: além de evitar o permanente risco de explosões pela combustão do metano e de desabamento das montanhas de detritos, previne ainda a contaminação do solo, da água e do ar, que costuma acontecer nos lixões.

No caso da recuperação do lixão da Marambaia, houve também a preocupação social. "Traçamos um plano para os cem catadores que trabalhavam ali em condições insalubres e perigosas. Eles foram cadastrados e realocados para outras funções", explica Adriana. Uma dessas ocupações acontece no Centro de Tratamento de Resíduos, em Adrianópolis, onde também funciona, em parceria com o Ibama, um horto para produção de mudas de espécies nativas. Elas têm sido usadas para restaurar a paisagem do entorno e para o reflorestamento da Reserva Biológica do Tinguá, distante a 2km do extinto lixão da Marambaia.

O esquema acima detalha como é o funcionamento do Centro de Tratamento de resíduos feito de acordo com normas ambientaisEncravado na confluência dos rios Tinguá e Iguaçu, há 16 anos, durante todo o tempo de seu funcionamento a céu aberto, o lixão da Marambaia contaminou rios e solo. Ao cessar atividades, em 2003, os planos de recuperação levaram em conta a impossibilidade de se remover as montanhas de lixo existentes. Elas então foram cobertas com terra e atravessadas por dutos, horizontais e verticais, instalados com a ajuda de perfuratrizes. Por esses dutos passam os gases, enquanto canaletas laterais fazem o recolhimento do chorume, que é encaminhado a tanques de tratamento.

Mesmo sem novos vazamentos de lixo, a Marambaia não está exatamente inativa. Na unidade ali instalada, os resíduos remanescentes continuam gerando gás - pouco mais de 2.000m/ hora -, que, canalizado, alimenta a bomba que abastece cada um dos dois geradores existentes, com potência de 1 megawatt cada. Excedentes de gás são queimados para evitar sem lançamentos na atmosfera. E alarmes preparados para detectar qualquer vestígio de problema fazem desarmar eletronicamente todo o sistema. O vazamento de chorume para o solo também foi drasticamente reduzido, já que a maior parte dele é encaminhada pela tubulação para tanques de tratamento e é permanentemente monitorada.

Para Adriana Felipetto, o CTR traz qualidade de vida à populaçãoEm Adrianópolis, o aterro bioenergético ocupa uma área de 1,2 milhão de m e tem capacidade de 30 anos de operação. No planejamento de sua construção, além da rede de tubulação para captação de chorume e gás, já foi prevista a impermeabilização do local para evitar a contaminação do solo. Isso foi feito com camadas sucessivas de argila - tipo mais impermeável de terra - e uma manta de polietileno de alta densidade. A possibilidade de um derramamento inadequado para o solo é tecnicamente inexistente. Ali, o lixo hospitalar também é encaminhado diretamente para tratamento em unidade específica.

"Hoje, recebemos 1,5 mil toneladas de lixo por dia, embora tenhamos capacidade de receber 5 mil toneladas. Em vez de tratar apenas os resíduos de Nova Iguaçu, poderíamos receber o lixo de toda a Baixada e, em 10 anos gerar 1,5 milhão em créditos de carbono", explica Adriana. Atualmente, do montante de detritos que recebe, o CTR captura 60% de biogás, o que equivale a uma produção de 3.000m/ hora de gás, capacidade que progressivamente irá sendo aumentada. "Com a recente aquisição de tecnologia de uma empresa americana, a CH2 MHill, para o aprimoramento da rede e da planta de biogás, até abril, a unidade estará operando a plena capacidade e transformando em gás 80% da 1,5 tonelada de lixo que recebe diariamente", completa a engenheira. Nova Iguaçu agradece.

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