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Publicado em: 11/01/2007

Pesquisa analisa comportamento da opinião pública brasileira

Vinicius Zepeda

Rio de Janeiro, Avenida Primeiro de Março: As mudanças de opinião do povo são coerentes e explicadas no decorrer do tempoNos últimos sete anos, os jornais e telejornais brasileiros de grande circulação apresentaram uma mudança extraordinária na cobertura do noticiário das eleições. Ao acompanhar uma tendência mundial, a mídia se tornou mais imparcial e informativa, ao invés de tendenciosa e opinativa, conforme as tradições da história da imprensa brasileira. A conclusão foi resultado de um estudo apoiado pela FAPERJ que investigou, através de entrevistas com eleitores, pesquisas de opinião e análise do noticiário político, o comportamento da opinião pública nacional nos últimos trinta anos. O trabalho busca ainda dar prosseguimento ao acompanhamento das eleições e analisar os debates e pleitos de 2002 e 2004.

"Um fato como a famosa edição do Jornal Nacional de 1989, em que, ao apresentar os melhores momentos do debate do segundo turno das eleições presidenciais daquele ano, mostrou-se tendenciosa em favor do então candidato Fernando Collor de Melo - que viria a ser eleito - em detrimento de seu adversário Luís Inácio Lula da Silva, não aconteceria mais nos dias de hoje", afirma o cientista político Marcus Figueiredo, do Iuperj (Instituto de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro), coordenador da pesquisa Democracia, Informação e Opinião Pública, contemplada pelo edital Cientistas do Nosso Estado da FAPERJ.

Os fatores determinantes da escolha de candidatos nas eleições

Entre algumas das conclusões da pesquisa, verificou-se um padrão no processo político de escolha de candidatos. Nas grandes cidades, a escolha de presidentes, governadores e prefeitos é bastante dependente do desempenho da economia ou da percepção que os meios de comunicação têm dessa área."A reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC), em 1998, foi possível devido à suposta ameaça que Lula representava ao Plano Real. Na eleição seguinte, em 2002, eram notáveis os sinais de descontentamento com a economia, o que garantiu a eleição de Lula contra o candidato José Serra, apoiado por FHC", explica, como divergências entre famílias influentes na região, além de relações pessoais e privadas estabelecidas por estes políticos", contrasta.

Rio de Janeiro, Avenida Rio Branco: nas grandes cidades a economia é um fator fundamental na escolha de candidatosDemocracia, Informação e Opinião conta com a ajuda de sete pesquisadores, todos sob a coordenação de Marcus Figueiredo, que coordena também o Doxa/Iuperj (Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública do Iuperj), onde a pesquisa está sendo realizada. Todo o acervo ali reunido é catalogado e serve para subsidiar diversos outros trabalhos. Até o final do projeto deverão ser publicadas diversas teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias na área de sociologia política, além de uma coletânea de artigos sobre mídia e comportamento da opinião pública e de um livro sobre a formação da opinião pública e construção da notícia.

"Pouco a pouco estamos disponibilizando em nosso site todo o material que temos desenvolvido", afirma Figueiredo. "Destes trabalhos, vários foram orientados por mim, entre os quais, a tese de doutorado do sociólogo Luiz Ademir, já disponível em nossa página eletrônica. O estudo compara as estratégias de persuasão de candidatos a prefeito de Salvador e Belo Horizonte na eleição municipal de 2000. Nele podemos verificar a semelhança de estratégias focadas na continuidade dos governos de ambos, candidatos à reeleição: Antônio Imbassahy (PFL), em Salvador, e Célio de Castro (PSB), em Belo Horizonte", explica.

Mudanças sociais e econômicas do país influenciam a opinião pública

A pesquisa mostra que entre os anos 60 e 80 houve um crescimento de opiniões favoráveis à Reforma Agrária
Outro desdobramento é a tese de doutorado do sociólogo Émerson Urizzi Cervi, defendida em dezembro de 2006 e orientada também por Figueiredo. O trabalho analisa a construção da opinião pública brasileira e seu grau de constituição, e deverá estar disponibilizado no site do Doxa até o início de fevereiro. Para Cervi, durante o debate eleitoral as elites econômicas oferecem opiniões e soluções para os problemas nacionais através dos meios de comunicação. Daí então, o povo se informa e constrói uma opinião própria com base em sua própria experiência pessoal, valores, influência de familiares e amigos.

"As mudanças de opinião pública no que se referem a temas do cotidiano nacionais não são erráticas. Ao contrário, são coerentes e podem ser explicadas no decorrer do tempo", afirma Cervi. Um exemplo é que entre os anos 60 e 80 houve um constante crescimento de opiniões favoráveis à Reforma Agrária. "O fato coincide com o aumento da taxa de urbanização do país, o que tornou as pessoas menos dependentes do sistema agropecuário de grandes propriedades. Neste caso, a mudança da política agrária permitiria até diminuir a pressão social na periferia das grandes cidades", explica. "Ou seja, as mudanças econômicas e sociais do país explicam boa parte da construção da opinião pública no país", acrescenta.

Para o cientista político Marcus Figueiredo não só Democracia, Informação e Opinião Pública, mas também outros trabalhos desenvolvidos em sua instituição devem-se em grande parte ao apoio da FAPERJ. "Em 1996, criamos o Doxa e já em 1998 a Fundação começou a financiar algumas de nossas pesquisas. Desde então temos sido sistematicamente apoiados pela fundação. Hoje, grande parte da credibilidade que conquistamos no meio acadêmico, deve-se a estes recursos, o que tem nos permitido continuar a desenvolver nossos trabalhos", conclui.

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